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Salazar vence a revolta dos generais do 28 de Maio e elege Assembleia Nacional – Surge a política do espírito
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Greve
revolucionária e soviete na Marinha Grande (18 de Janeiro). Greve geral
contra a criação de sindicatos nacionais, que tem especial incidência na Marinha
Grande, onde se instala um soviete que dura, aliás, poucas horas, mas que também
se manifesta em Almada, Barreiro e Silves. No Poço do Bispo em Lisboa, há
rebentamento de bombas. Corte de circulação de comboios em Xabregas. A central
eléctrica de Coimbra é ocupada. Tentativa de invasão por operários do Consórcio
Português de Pesca em Setúbal.
Da
falhada insurreição militar ao degredo –
Estava para ser
conjugada com uma insurreição militar, organizada por um comité revolucionário
político, liderado por Sarmento Beires. Notas oficiosas falam em tentativas
comunistas frustradas e em ideias
dissolventes e atentatórias da moral pública e da ordem social
(19 de Janeiro). Os líderes da revolta são conduzidos para um campo
de concentração criado na foz do Cunene, no Sul de Angola, logo no dia 20.
O fim do
anarco-sindicalismo – A revolta marca o fim da influência dominante do
anarco-sindicalismo nas movimentações operárias portuguesas que, a partir de
então, passam a receber a coordenação revolucionária do PCP. Com efeito, o
remanescente aparelho da CGT vai ser desmantelado pela polícia política do
Estado Novo, constituindo a turbulência o último estertor do ancien régime
sindical.
A Liga Portuguesa contra a Guerra e o Fascismo
é criada em Agosto de 1934 pelos comunistas, sob a direcção de Bento de
Jesus Caraça (1901-1948), na sequência da fundação de uma liga internacional com
o mesmo nome lançada em 1932 pela Internacional Comunista. Assume um carácter
frentista, um programa de democracia popular e, a partir de 1935, tenta a
criação em Portugal de uma Frente Popular.
Pavel, líder
das Juventudes Comunistas, instala-se na URSS, como representante do PCP junto
da Internacional Comunista (Março).
Acção Escolar de
Vanguarda Surge em 23 de Janeiro uma organização dirigida pelo estudante
Ernesto de Oliveira e Silva e por António Eça de Queiroz, onde expressamente se
defende uma ordem nova e um Estado Totalitário. No dia da
fundação, há uma sessão no Teatro São Carlos de apresentação do movimento,
promovida por João Ameal e Manuel Múrias. Preside Carmona.
Manifestações no
Terreiro do Paço de apoio a Salazar. Surgem os camisas verdes da
Acção Escolar de Vanguarda. (27 de Abril). Salazar procura assim destruir por
dentro a deriva nacional-sindicalista. De qualquer maneira aquilo que pretendia
ser um mero autoritarismo conservador, à maneira de Dolfuss ou do que virá a ser
Pátain, é obrigado a ceder a certa retórica e a alguns dos rituais do fascismo
revolucionário, bem como a certos espectáculos da nova estética política, com
camisas coloridas, saudações romanas, comícios e acampamentos.
Lançado o jornal
Revolução Nacional, dirigido por Manuel Múrias, de acordo com
Salazar. Rolão Preto e os que restam do nacional-sindicalismo entram em quase
clandestinidade (1 de Março).
Estatismo
nacionalista – Manuel Rodrigues, numa conferência proferida em Coimbra em 6
de Maio considera que não há um poder transcendente, o poder pertence à Nação
organizada...o Estado é a fonte de toda a regra normativa...O cidadão não pode
recorrer a um princípio estranho ao seu país, nem mesmo invocar regras de
humanidade. Só é humano o que é nacional.
Remodelação – Em 29 de Junho: Manuel
Rodrigues passa a acumular a instrução, com a saída de Sousa Pinto.
O Trabalhador Surge como quinzenário do
operariado católico, em 1 de Maio. Inspirado pelo Padre Abel Varzim (1902-1964)
o seu principal editorialista, mas onde também colaboram Artur Bívar e António
Sousa Gomes.
Turbulências
dentro do regime – Reunião do Conselho de Ministros em Belém sob a
presidência de Carmona (10 de Janeiro). Analisado o momento político, face ao
crescendo do nacional-sindicalismo e dos boatos sobre nova revolta da ala
militar republicana do 28 de Maio, aqueles a quem Salazar chama os homens da
espada. Protestos de católicos contra o ministro Manuel Rodrigues que, a
propósito de uma conferência feita em Coimbra, é acusado de estatismo por ter
defendido que a soberania é a fonte da regra superior do homem social (6
de Maio). O jornal Novidades acusa-o de defender o socialismo de
Estado e o estatismo, adverso ao conceito cristão de autoridade. Pereira
da Rosa inicia n’ O Século campanha anticomunista.
Militares
desafiam Salazar (15 de Abril). Ministro da Guerra, Luís Alberto de
Oliveira, numa festa realizada no Regimento dos Caçadores 5, discursa perante
Carmona, declarando que o presidente da república é a única fonte do poder, com
a confiança do Exército: se sou Ministro da Guerra, sou-o pela mão de V. Exª,
a quem sirvo, porque só com V. Exª o Exército serve bem a Nação
(15 de Abril). Também Farinha Beirão, então comandante da GNR, João
de Almeida, Vicente de Freitas e Schiappa de Azevedo pressionam Carmona no
sentido da demissão de Salazar que pede a demissão em Conselho de Ministros.
Carmona concede-lhe audiência à tarde (16 de Abril).
O fim da
autonomia de Carmona – Segundo Franco Nogueira, colocou-se numa posição
de quase impossibilidade política de afastar alguma vez o chefe do governo,
embora legalmente o pudesse fazer em qualquer ocasião. A partir daí o
presidente não pssa de um simples manequim fardado, desaparecendo o formal
bipresidencialismo, dado ter-se consagrado o presidencialismo do chefe do
governo.
Nova pressão da
ala militar – Carmona recebe José Vicente de Freitas em audiência em Belém
(24 de Setembro). Tem como pretexto a entrega de uma mensagem de vários
militares solicitando-lhe que dê autorização para se promover nova candidatura à
presidência da república. Salazar insiste com Carmona, no sentido da demissão do
ministro da guerra Luís Alberto de Oliveira (12 de Outubro). Reunião do Conselho
de Ministros. Todos os ministros apresentam a demissão. Salazar anuncia a
recandidatura de Carmona a Presidente da República (22 de Outubro).
Remodelação –
Em 23 de Outubro de 1934: Abílio Augusto Valdez Passos e Sousa substitui Luís
Alberto de Oliveira na Guerra; Rafael Silva Neves Duque substitui Franco de
Sousa na agricultura; Eusébio Tamagnini de Matos Encarnação na Instrução, em
lugar de Manuel Rodrigues; Henrique Linhares de Lima substitui Gomes Pereira no
Interior; João Pinto da Costa Leiteö
(1905-1975) novo subsecretário de Estado das finanças. Passos e Sousa ainda
provém da ala republicana do 28 de Maio, mas o novo gabinete já é retintamente
salazarista.
António Lino Neto
abandona a presidência do Centro Católico (Fevereiro).
Monárquicos
protestam contra a criação da Fundação
da Casa de Bragança, com José Vaz Pinto, Domingos Pinto Coelho, Luís de Almeida
Braga e Simeão Pinto Mesquita a protestarem, contra a aliança que Salazar fez
com Fernando Martins de Carvalho e Eduardo Fernandes de Oliveira, representantes
de D. Amélia de Bragança (Fevereiro).
I Congresso da
União Nacional na Sociedade de Geografia
(dias 26 a 28 de Maio). Salazar discursa sobre O Estado Novo
Português na evolução política europeia: a economia liberal que nos deu
o super-capitalismo, a concorrência desenfreada, a amoralidade económica, o
trabalho mercadoria, o desemprego de milhões de homens, morreu já. Receio apenas
que, em violenta reacção contra os seus excessos, vamos cair noutros que não
seriam socialmente melhores. No encerramento do Congresso, Lopes Mateus
proclama: quem não é por Salazar é contra Salazar. Mais poeticamente,
António Correia de Oliveira recita: Patria Nostra: O Sereno
Escultor/ da Imagem Nova sobre a Velha Traça...
Rolão Preto
envia exposição a Carmona, protestando contra o governo, sendo imediatamente
preso (20 de Junho). Já detido, envia reclamação a Salazar (10 de Julho).
Exilado no dia 14, com Alberto Monsaraz. Nota oficiosa de Salazar comunica a
extinção do nacional-sindicalismo por ser inspirado em certos modelos
estrangeiros (29 de Julho). Salazar
dá uma entrevista ao jornal de Manuel Múrias, Revolução Nacional, pedindo
aos nacionais-sindicalistas para ingressarem na União Nacional, acrescentando
que muito é de esperar da sua devoção nacionalista.
O reviralho –
Em Julho, Afonso Costa é elevado ao grau 33, dentro da maçonaria, enquanto no
Rio de Janeiro o jornalista José Jobim publica A Verdade sobre Salazar,
um conjunto de entrevistas com tal político, concedidas em Paris, no ano de
1933. Prisão de Maia Pinto em Espanha. Jaime Cortesão e Jaime de Morais passam
para Argélia (Setembro). Tudo por causa de um desembarque de material de guerra
não autorizado na Galiza.
O viracasacas –
O antigo ministro da I República, Vasco Borges (1882-1942), profere aos
microfones da Emissora Nacional uma alocução onde adere ao salazarismo
(Novembro). Passa a ser conhecido como o viracasacas
e até é ridicularizado com um anúncio anónimo publicado num jornal diário de
Lisboa, onde dando-se as coordenadas domiciliares do ex-ministro, se anunciava
casaca virada estado novo, vende-se...,
marcando-se o ritmo do novo adesivismo, que já fora da direita para a esquerda,
em 1910, e que, agora, tinha movimento inverso, até que, em 1974, dava nova
guinada, com antigos governantes de Salazar e de Caetano a flutuarem como
rolhas nas novas vagas da moda revolucionária
ou pós-revolucionária. O mesmo deputado ficará célebre em 1938, quando,
criticando o facto das mulheres fumarem cigarro, considera tal como uma
invenção comunista.
Eleição nº
53 (Dezembro) da Assembleia Nacional. Inauguração oficial do Rádio Clube
Português, com a presença de Óscar Carmona (1 de Dezembro). Discurso radiofónico
de Salazar sobre A constituição das Câmaras na evolução política portuguesa
(9 de Dezembro). Linhares de Lima proclama: quem votar, vota pela Nação; quem
não votar, vota contra a nação (15 de Dezembro). 90 deputados. Inscritos nos
cadernos 478 121 eleitores; votantes 377 792 (16 de Dezembro). Entram os
republicanos Vasco Borges e Camarate de Campos, bem como Henrique Galvão, Araújo
Correia, Domitila de Carvalho, Maria Guardiola, Luís da Cunha Gonçalves, Ulisses
Cortês e Pedro Teotónio Pereira. Dos antigos militantes do Centro Católico:
Diogo Pacheco de Amorim, Alberto Pinheiro Torres, José Maria Braga da Cruz,
Joaquim Dinis da Fonseca, Juvenal de Araújo, Mário de Figueiredo, António de
Sousa Gomes, que passa a director do Diário da Manhã, e o cónego Correia
Pinto.