/span>
 || Governos || Grupos || Eleições || Regimes || Anuário || Biografias || Revoltas

  Anuário 1936

1936 

1936

Legião, Mocidade, Santos Costa, Guerra de Espanha e o filósofo ditador

Personalismo e keynesianismo

Legião Portuguesa

Mocidade Portuguesa

Obra das Mães pela Educação nacional

Frente Popular Portuguesa

Criação do Comité Central do PCP

Revolta comunista na armada 9 de Setembro

Remodelações em 18 de Janeiro e 11 de Maio


 

Remodelações – Em 18 de Janeiro: António Faria Carneiro Pacheco (1887-1957) na instrução (eu não venho render a guarda, venho tomar a ofensiva, dirigir a ofensiva do Estado Novo pela educação nacional); Mário Pais de Sousa no interior; Francisco José Vieira Machado (n. 1898), nas colónias.

Salazar tem uma prolongada reunião com Carmona (9 de Maio). Passos e Sousa demite-se porque Salazar não ratifica a demissão do general Morais Sarmento do cargo de Ajudante Geral do Exército (10 de Maio). Em 11 de Maio o mesmo Salazar assume a pasta da guerra, substituindo Passos e Sousa; Dois dias depois, o capitão Fernando dos Santos Costa (n. 1900) assume as funções de Subsecretário de Estado da Guerra.

Salazar assume a pasta dos Negócios Estrangeiros, substituindo Armindo Monteiro (6 de Novembro) que é nomeado embaixador em Londres (25 de Novembro.

Criada a Mocidade Portuguesa, dita organização nacional, diversa do modelo da Acção Escolar de Vanguarda, ainda entendida como milícia juvenil do partido único. Até 1940, será comissário nacional Francisco Nobre Guedes. Pretende criar-se uma linha lusófila de combate a anglófilos e germanófilos, pelo que se abandona a ideia do anterior ministro Gustavo Cordeiro Ramos que, apesar de ser acusado de germanófilo, criara uma Organização Escutista Nacional, acusada de seguir os modelos britânicos (19 de Maio). Carneiro Pacheco também transforma o ministério da instrução em ministério da educação nacional. Como o deputado monárquico Jacinto Ferreira vai dizer em 1950: uma vez, Almeida Garrett, em hora de má inspiração, escreveu que não compreendia nenhuma educação que não fosse eminentemente nacional. E houve um ministro, já não sei qual, que, em hora para mim de igualmente pouco feliz interpretação, mandou acrescentar a palavra nacional a tudo o que, oficialmente, designava educação...

Obra das Mães pela Educação Nacional. Estrutura instituída pelo ministro Carneiro Pacheco, pelo Decreto-Lei nº 26 893, de 15 de Agosto, visando estimular a acção educativa da família bem como organizar a secção feminina da Mocidade Portuguesa. Entre as principais activistas, saliente-se Maria Guardiola, bem como Maria Joana Mendes Leal. O movimento perde o impulso ideológico a partir da década de cinquenta, mantendo-se, contudo, com fins puramente assistenciais.

 

Aprovada a constituição da Legião Portuguesa (30 de Setembro), depois de uma manifestação salazarista no Campo Pequeno, com Jorge Botelho Moniz a propor a criação de uma milícia armada do regime (28 de Agosto). Há também discursos de Pinto Coelho, António Castro Fernandes, Gilberto de Almeida Arroteia e do major Ricardo Durão. José Pequito Rebelo profere várias alocuções perante os microfones do Rádio Clube Português, contra os comunistas espanhóis, peças que serão editadas no ano seguinte, em Anti-Marx, Lisboa, SPN, 1937 (Agosto).

Comunistas – Decreto nº 25 539 institui a Colónia Penal do Tarrafal (23 de Abril). Em Abril é criado um Comité Central do PCP, com Alberto Araújo, Manuel Rodrigues da Silva, Pires Jorge e Álvaro Cunhal. A bordo do navio Luanda chegam a Cabo Verde os primeiros 200 presos políticos deportados para o Tarrafal. Entre eles está Bento Gonçalves, secretário-geral do PCP (29 de Outubro), o que obriga a uma recomposição do secretariado do comité central, que passa a integrar José Gregório, Manuel Guedes, Pires Jorge e Álvaro Cunhal. O Avante começa a ser publicado semanalmente e terá atingido uma tiragem de 10 000 exemplares, logo em 1937

Revolta comunista na armada (8 de Setembro). Sublevação do navio Afonso de Albuquerque e do contratorpedeiro Dão que pretendiam dirigir-se a Espanha para se aliarem aos republicanos (dias 8 e 9 de Setembro). Informações prévias da PVDE, então comandada pelo capitão Agostinho Lourenço (1886-1964), permitem a rápida actuação do ministro da marinha, comandante Ortins de Bettencourt, apoiado pelo tenente Henrique Tenreiro (1901-1994). Revolta sufocada ao fim da tarde. Sublevação é organizada pelas células de marinheiros do PCP, mobilizada pela chamada Organização Revolucionária da Armada. São quase todos transferidos para o Tarrafal que, a partir de então, passa a ser conhecido como campo da morte lenta. 157 deportados chegam a esta praia da ilha de Santiago em 29 de Outubro de 1936.

Constituída a Frente Popular Portuguesa, dominada pelos comunistas, mas com a participação de alguns grupos republicanos (Outubro). Nasce da actividade da Liga Portuguesa Contra a Guerra e o Fascismo, dirigida por Bento de Jesus Caraça, e criada em Agosto de 1934. Apenas publica o respectivo programa em 1937, sob as palavras de ordem pão, paz, liberdade e cultura. Defende-se a democracia popular e a economia cooperativa e ainda se consideram as províncias ultramarinas, como parte integrante e inviolável da nação portuguesa. Por outras palavras, os próprios comunistas ainda alinham no patriotismo imperial e alguns deles até aspiram à criação de uma união das repúblicas socialistas portuguesas. Com efeito, o nosso novo império africano tinha pouco menos de quatro décadas, pelo que seria impossível conjugar a tese do abandono ou da autodeterminação.

Bloco Académico Antifascista – Surge também um Bloco Académico Antifascista, secção da Liga Contra a Guerra e o Fascismo, com alguma actividade até 1938, editando o jornal A Barricada..

Cabral de Moncada, que havia sido, em 1932-1933, com sincera adesão de alma, um nacional-sindicalista, profere conferência na Associação Académica de Coimbra e, depois, no Teatro Nacional de Lisboa, sob a presidência do ministro Carneiro Pacheco, intitulada O dever da hora presente (Dezembro). Nela considera que a nova ideologia do regime deveria misturar o nacionalismo, o cristianismo e o socialismo. Dias depois, Fezas Vital, numa conferência realizada no CADC, proclama socialismo não, isso não. Na altura, já os oposicionistas chamavam ao centro: Centro Académico da Ditadura Católica.