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  Anuário 1943

Greves comunistas, acordo sobre os Açores, unidade nacional antifascista

Entre o caminho para a servidão e os maquiavélicos, defensores da liberdade

Greve de Julho-Agosto de 1943

II Semana Social Católica äMovimento de Unidade Nacional Anti-Fascista

III Congresso do PCP, Novembro

 

Neutralidade colaborante – Conversações em Lisboa com uma delegação britânica a propósito da concessão de facilidades nos Açores (2 de Julho). A delegação portuguesa, dirigida pelo almirante Botelho de Sousa, integra Humberto Delgado, então da plena confiança de Santos Costa. Reuniões até 18 de Agosto. Missão militar portuguesa continua conversações em Londres entre 9 e 30 de Setembro. Desencadeia-se a chamada neutralidade colaborante. Assinado um acordo de concessão da Base dos Açores aos britânicos (17 de Agosto). Salazar anuncia a concessão de facilidades militares aos aliados nos Açores (8 de Outubro). Concretiza-se o acordo com os britânicos para a utilização das bases dos Açores. Um dos militares que participa no processo é Humberto Delgado, então, da plena confiança de Santos Costa. Nesse dia, já tropas britânicas chegam a Angra do Heroísmo. Começam por utilizar o aeródromo das Lajes e a base de Santana, na ilha de S. Miguel. Churchill anuncia acordo com Portugal no parlamento britânico (12 de Outubro). Governo norte-americano solicita, então, concessão de facilidades militares nos Açores (23 de Novembro), sendo abandonado o plano norte-americano que previa a ocupação das ilhas, com o recurso a tropas brasileiras. Os britânicos opõem-se, invocando a hipótese do recurso à plurissecular aliança. Salazar discursa sobre Timor e os Açores na Assembleia Nacional (26 de Novembro). No dia anterior havia feito o elogio fúnebre de Duarte Pacheco.

Católicos e monárquicos – II Semana Social Católica Março de 1943. Realiza-se em Coimbra sob o tema Bases Cristãs de uma Ordem Nova. Carta de José Pequito Rebelo ao Visconde do Torrão critica o regime salazarista: há muita razão para desconfiar das boas intenções do Poder quanto à Monarquia (1 de Setembro).

Comunistas, greves e unidade antifascista – Emitido manifesto do PCP a favor dos Aliados, propondo a criação de um governo democrático de unidade nacional (Fevereiro). Desencadeado movimento grevista na região de Lisboa. O processo apenas termina no dia 3 de Agosto, depois do PCP ter ordenado o fim de tais operações. Há despedimentos gerais. Em 5 de Agosto, recomeçam as greves em S. João da Madeira (calçado e Oliva) e, mais uma vez, em Lisboa (gráficos). Manifesto do secretariado do PCP apela à greve (25 de Julho). O Avante diz temer que os Aliados não comunistas venham a apoiar o regime salazarista depois da Guerra (Outubro). III Congresso do PCP, em Novembro, com intervenções de José Gregório, Álvaro Cunhal e Manuel Guedes. Realiza-se no Monte Estoril. É o primeiro que se realiza sob o Estado Novo e em ilegalidade. Aprovada a chamada linha frentista de unidade antifascista.

Marcello Caetano, em carta dirigida a Salazar (28 de Janeiro) reconhece que a situação moral é muito má e cada vez pior. Está-se a criar um ambiente favorável a qualquer coisa que já se anuncia em voz alta, como em voz alta se exprimem opiniões contrárias ao governo e à ordem social no meio do silêncio ou com consentimento gerais.

Movimento de Unidade Nacional Anti-Fascista (Dezembro). Organização clandestina presidida por Norton de Matos, surgida em Dezembro, congregando o PRP, a SPIO, a União Socialista, o grupo da Seara Nova, a Maçonaria, anarco-sindicalistas oriundos da CGT, católicos oposicionistas, monárquicos e PCP.