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  Anuário 1944

1944

Caetano e Santos Costa ascendem a ministros e os socialistas começam a organizar-se

Estádio Nacional e Dia D

Greves de 1944

Remodelação em 6 de Setembro

 

Guerra – Salazar recusa ceder às exigências britânicas quanto à proibição da venda de volfrâmio à Alemanha (Março). Numa atitude salomónica, apenas decide suspender a venda do minério para todos os países beligerantes (2 de Junho). Segue-se a assinatura do acordo com os norte-americanos, concedendo-lhes facilidades militares nos Açores, na base de Santa Maria (28 de Novembro).

 

Marcello Caetano (1906-1980), nas colónias; Caeiro da Mata, nos estrangeiros; Júlio Carlos Alves Dias Botelho Moniz, no interior; Clotário Luís Supico Pintoö (n. 1909), na economia; Santos Costa passa a ministro da Guerra (ministro da defesa desde 2 de Agosto de 1950 até 14 de Agosto de 1958).

●A remodelação, dita revolução de Setembro, leva ao poder Marcello Caetano que Salazar chegou a convidar para a justiça. O mesmo, na gestão do Império, quando começa o abandono das jóias de outras coroas, tem como colaborador activo o inspector Henrique Galvão, bem como o próprio Humberto Delgado.

Politburo – Só em 27 de Novembro é que Salazar convoca um conselho de ministros do novo gabinete. O centro do poder passa a situar-se no chamado politburo do regime, aonde ascendem os conselheiros privilegiados de Salazar: Santos Costa, Lumbralles, Marcelo Caetano, Albino dos Reis, Supico Pinto e Pedro Teotónio Pereira.

Delgado – Em Outubro de 1944 é criado na Presidência do Conselho de Ministros um secretariado técnico da aeronáutica civil, para cuja direcção se mobiliza Humberto Delgado.

 

Bloco situacionista – II Congresso da União Nacional, no Liceu D. Filipa de Lencastre em Lisboa (25 de Maio). Fezas Vital é eleito presidente da Câmara Corporativa, de que é Vice-Presidente desde 1935 (25 de Novembro). Renunciará em 1946, para ocupar as funções de Lugar-Tenente de D. Duarte Nuno.

Oposicionistas – Morte de Bernardino Machado numa clínica do Porto (29 de Abril). Criada uma União Democrática Portuguesa, promovida por Mayer Garção, Adão e Silva e Carlos Sá Cardoso. Em torno desta iniciativa vai constituir-se a União Socialista (30 de Maio), pela fusão do Núcleo de Doutrinação e Acção Socialista e da União Democrática Portuguesa. (Dezembro). Integram o grupo António Macedo, Mário Cal Brandão, Olívio França, Gustavo Soromenho, Álvaro Monteiro, Costa e Melo, Lobo Vilela, Carlos Sá Cardoso, José Magalhães Godinho, Mayer Garção, António Portilheiro, Adão e Silva, Afonso Costa Filho

MUNAF divulga o primeiro comunicado, dando a conhecer a sua composição em Janeiro. Presidência de Norton de Matos. Na comissão executiva, aparecem José Magalhães Godinho, Fernando Piteira Santos (a ligação com o PCP), Jacinto Simões, Moreira de Campos, Alberto Rocha e Manuel Duarte. Defendem a criação de um Governo Provisório de Unidade Nacional, com a realização de eleições livres para uma Assembleia Nacional Constituinte. Promete-se que o Conselho Nacional irá elaborar um Programa de Emergência.

●Em finais de 1944, o MUNAF cria o seu braço armado os GAC, Grupos Antifascistas de Combate. Na altura o Conselho Nacional decide instituir um comité revolucionário secreto, com Norton de Matos, Mendes Cabeçadas, Tamagnini Barbosa e Lelo Portela.

Comunistas – PCP promove uma série de greves de rurais no Alentejo e no Ribatejo (Fevereiro), no Vale de Santarém (Abril). Em Maio, em Vila Franca de Xira e Alhandra, contra o aumento dos preços e o fornecimento de produtos à Alemanha, com forte repressão policial. Em Julho, greve das ceifas no Alentejo. Entretanto, em Dezembro, o comunista Francisco Salgado Zenha (1923-1993) é eleito presidente da Associação Académica de Coimbra.

& Caetano, Marcello (1977): 7, 174, 179, 191; Rosas, Fernando/ Brito, A. Brandão de (Dicionário do Estado Novo, II): 638; Ferreira, Vergílio (1983): 423; Presos Políticos no Regime Fascista 1940-1945: 229 ss. (566 detidos); Soares, Mário (1972/1974): 51; Sousa, Marcelo Rebelo de (1999): 33.