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  Anuário 1959

 

Da integração na Europa à revolta da Sé

(Ver Tradição e Revolução, vol. II)

Ver Cosmopolis

 

Da ascensão de Fidel de Castro à coexistência pacífica

Nasce a V República em França

Falha o grande salto em frente na China

Revolta anticomunista no Tibete

 

Fuga de Henrique Galvão (5 de Janeiro)

Revolta da Sé (prevista para 11 de Março)

Revolta do Pidjiguiti em Bissau (13 de Agosto)

Greves

Bispo do Porto no exílio (24 de Julho)

Fim do sidonismo presidencial Lei de 29 de Agosto altera a Constituição. Presidente da República passa a ser eleito por um colégio eleitoral

 

Fim do sidonismo presidencial – Lei de 29 de Agosto altera a Constituição. Presidente da República passa a ser eleito por um colégio eleitoral. Fim do modelo de sufrágio universal, instituído pelo sidonismo, mas que há-de ser retomado em 1976. Salazar tenta assim evitar o temido golpe de Estado constitucional.

Em 5 de Janeiro Henrique Galvão foge do hospital de Santa Maria. Pede asilo político na embaixada da Argentina e parte, depois, para o exílio. Transforma-se numa das figuras míticas do oposicionismo.

 

Marcello Caetano torna-se reitor da Universidade de Lisboa, a convite de Leite Pinto, visando a instalação de um novo campus, a chamada cidade universitária. Assim se trava o separatismo marcelista. Conforme o comentário de Marcelo Rebelo de Sousa, Salazar rejubila com a ideia de manter Caetano ligado, embora mais de longe, ao Regime e ao Governo.

 

Revolta do Pidjiguiti – Repressão de estivadores no porto de Bissau, ponto de partida para a guerrilha na Guiné (13 de Agosto). Segundo os dados do PAIGC, cerca de 50 mortos e cem feridos. Nesse ano, Baltazar Rebelo de Sousa, subsecretário de Estado da educação faz uma visita a Angola e Moçambique, em Setembro e Outubro, para elaborar um relatório político sobre os territórios, de acordo com uma ideia lançada por Adriano Moreira, nas vésperas de assumir um lugar no governo.

Revolta da Sé – Está prevista para 11 de Março uma revolta contra o regime salazarista, liderada por Manuel Serra e pelo major Calafate, em torno de um Movimento Militar Independente, onde também terá participado o capitão Vasco Gonçalves, sob a protecção de Delgado. Outro dos conspiradores é o crónico capitão Carlos Vilhena. Movimentar-se-ia também o major Pastor Fernandes e o capitão Almeida Santos, oficial de ligação a Craveiro Lopes. A revolta, planeada em 18 de Dezembro de 1958, estava para deflagrar logo em 28 de Dezembro desse ano de 1958. Será a primeira vez que sectores católicos actuam numa conspiração. Manuel Serra passa, a partir de então, a ser qualificado como o Manecas das intentas. As reuniões conspiratórias ocorriam na Sé de Lisboa, com a condescendência do pároco, o padre Perestrelo de Vasconcelos. Depois de julgados e presos, os implicados são repartidos por Caxias, Aljube, Trafaria e Elvas. Desta última prisão, evadem-se o capitão Almeida Santos e o médico miliciano Jean-Jacques Valente, com o apoio do cabo Gil da GNR. As circunstâncias da fuga levarão ao assassinato de Almeida Santos, dando origem ao romance de José Cardoso Pires, A Balada da Praia dos Cães, donde é extraído um célebre filme.

Bispo do Porto no exílio – Depois de longas e atribuladas negociações entre Roma e Lisboa, onde participa como intermediário D. José da Costa Nunes, o bispo D. António Ferreira Gomes é obrigado a deixar a diocese e o país, apenas podendo regressar dez anos depois (24 de Julho).