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Do segundo mandato de Eanes à morte de Sá Carneiro
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Governo
nº 115 I Governo da AD, de Francisco Sá Carneiro (3 de Janeiro), VII Governo
Constitucional. Com a participação de Diogo Freitas do Amaral (vice-primeiro
ministro e dos negócios estrangeiros).
Entre
os ministros: Francisco Pinto Balsemão (adjunto do primeiro-ministro), Amaro da
Costa (defesa nacional), Eurico de Melo (administração interna), Mário Raposo
(justiça), Aníbal Cavaco Silvaö
(finanças e plano), Vítor Pereira Crespo (educação e ciência), Eusébio Marques
de Carvalho (trabalho), João António Morais Leitão (assuntos sociais), Cardoso e
Cunha (agricultura e pescas), Basílio Horta (comércio e turismo), Álvaro Barreto
(indústria e energia), João Lopes Porto (habitação e obras públicas) e Viana
Baptista (transportes e comunicações).
Tensões no PS – Reunião da Comissão
Nacional do PS, com forte tensão entre Mário Soares e um grupo constituído por
Francisco Salgado Zenha, António Guterres e Jorge Sampaio e a maioria do
Secretariado Nacional (20 de Janeiro).
Televisão a cores – RTP inicia a
transmissão a cores (7 de Março).
Otelo
funda a Força de Unidade Popular (28 de Março)
PS e presidenciais – Mário Soares, de
visita ao Rio de Janeiro, a convite de Lionel Brizzola, declara, em conferência
de imprensa, que não está no meu horizonte político a candidatura às próximas
eleições presidenciais portuguesas.
Pouco tempo depois, o PS, através de Vítor
Constâncio e Eduardo Pereira, inicia negociações com Ramalho Eanes, através do
chefe da casa civil, Fernando Reino, para apoio à recandidatura do Presidente da
República, desejada pela maioria dos membros do Secretariado Nacional do partido
(3 de Abril).
O PS corria o risco da italianização.
Conforme observa Vergílio Ferreira: o grande erro deste partido chama-se
Mário Soares. Este homem ainda não teve notícia de que não vivemos na I
República.
Forças Populares 25 de Abril Anunciada a
formação das FP25 (20 de Abril). Em 3 de Fevereiro de 1981 lançam bomba
contra o Banco do Brasil. Rebenta novo petardo com assinatura da mesma
organização em Felgueiras (27 de Setembro de 1981). Assumindo inequivocamente a
via terrorista, a mesma organização desencadeará uma série de assassinatos
políticos, sendo vítimas do processo, tanto Cunha e Sá, gestor em Sacavém, em 6
de Outubro de 1982, como o director-geral dos serviços prisionais, Castelo
Branco, em 15 de Fevereiro de 1986. Começam a ser julgadas em 3 de Outubro de
1986. Otelo, provado autor moral dos actos terroristas, acaba condenado a 15
anos de prisão em 20 de Maio de 1987, sendo, depois, agraciado com a libertação.
Soares
Carneiro aceita a candidatura presidencial da AD (25 de Abril).
APU
– PCP e MDP assinam acordo visando reconstituir a Aliança Povo Unido (6 de
Maio).
Surge
a Frente Republicana e Socialista,
coligação do PS, UEDS e ASDI (10 de Junho).
Comunistas difamam Sá Carneiro –
Intervenção de Francisco Sá Carneiro na RTP, no dia 15 de Agosto, ladeado pelos
ministros, onde nega a dívida à banca, difundida pelo jornal comunista O
Diário, desde Agosto de 1979 e que está a ser julgada pelos tribunais,
depois de Sá Carneiro ter apresentado uma queixa à Polícia Judiciária. Outra
forma larvar de combate a Sá Carneiro passa pela denúncia da respectiva união de
facto com Snu Abecasis. Os assessores de Eanes chegam a rejeitar a presença da
companheira do Primeiro-Ministro num jantar oficial, por ocasião da visita de
Carter e Mário Soares chega a denunciar a circunstância publicamnete, em plena
campanha eleitoral, ao mesmo tempo que o arcebispo de Braga, D. Eurico Nogueira,
denuncia a evidência.
Nova Direita – Lançada a edição de
Nova Direita, Nova Cultura, da autoria de Alain Bénoist, por Fernando
Ribeiro de Melo, com prefácio de José Miguel Júdice e tradução de Diogo Pacheco
de Amorim (14 de Setembro).
Eleição nº 67 Eleição da Assembleia da
República (5 de Outubro). 7 179 023 eleitores. 6 026 395 votantes. AD: 44,91%,
126 deputados. PSD nas ilhas, 8 deputados (total de deputados do PSD, 90
deputados; do CDS, 46; do PPM, 6). FRS: 74 deputados, 28% (66 do PS; 4 da ASDI;
4 da UEDS). APU: 41 deputados, 16,75% (39 do PCP e 2 do MDP). UDP: 1 deputado,
1,4%.
O que derrotou a esquerda foi o seu
triunfalismo precoce e a sua agressividade que instintivamente leva os indecisos
a desejar a sua derrota; o estilo comicieiro e desactualizado do berro e
palanfrório...(Vergílio Ferreira).
Campanha das presidenciais – Eanes
anuncia recandidatura (4 de Setembro). Porque um presidente militar é o
substituto do rei...um presidente é alguém que tem de estar muito acima, para
que ele, povo, não esteja tão em baixo (Vergílio Ferreira). Soares decide
auto-suspensão de funções no PS, por discordar do apoio a Eanes, assumido pela
maioria do secretariado do partido, principalmente por Salgado Zenha (18 de
Outubro). Sá Carneiro declara que votar em Eanes é, no fundo, votar nos
comunistas (21 de Outubro). Repete o dito ainda em 2 de Dezembro.
Morte de Marcello Caetano no Rio de
Janeiro (26 de Outubro). Numa das suas últimas cartas, refelectindo um
cepticismo que até o terá tornado agnóstico, nos últimos tempos de vida,
confessa a Veríssimo Serrão: estou cansado dos males e
dos remédios.
Morte de Sá Carneiro e Amaro da Costa em
Camarate (4 de Dezembro). O pequeno avião que largara do Aeroporto da Portela,
de Lisboa, despenha-se às 20 horas, 16 minutos e 20 segundos. No mesmo também
seguiam Snu Abecasis, a esposa de Amaro da Costa e o chefe de gabinete do
Primeiro-Ministro, António Patrício Gouveia. Funerais de Sá Carneiro e Amaro da
Costa (6 de Dezembro).
9ª Eleição presidencial (7 de Dezembro).
Ramalho Eanes vence Soares Carneiro nas eleições presidenciais portuguesas
(56,4% contra 40,35). Otelo, 1,5%; Galvão de Melo, 0,8%.
Demite-se o governo; Freitas do Amaral
vai a Belém e declara-se indisponível para integrar novo governo (9 de
Dezembro).
Soares retoma as funções de
secretário-geral do PS. Declara ser completamente inoportuno um governo de
coligação com o PSD (10 de Dezembro).
A ascensão de Balsemão – Eanes inicia
consultas aos partidos com representação parlamentar (11 de Dezembro). Pinto
Balsemão é eleito Presidente do PSD pelo Conselho Nacional. (13 de Dezembro).
Eurico de Melo não é escolhido para continuar na liderança do governo, como
defendem algumas sensibilidades. CDS, sem pôr reservas formais, lamenta que a
decisão não tenha nascido de um consenso entre os dois partidos. Eanes nomeia
Pinto Balsemão como Primeiro-Ministro (22 de Dezembro). Há uma prévia cimeira da
Aliança Democrática que formaliza a escolha e opta pela via de cooperação
institucional com Eanes. Balsemão declara então, sobre as relações com Belém,
que nem guerra, nem trégua.