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Cavaco Silva e o PSD conseguem maioria absoluta
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Acordo
entre Pequim e Lisboa sobre Macau é assinado por Ramalho Eanes durante uma
visita oficial à China (19 de Março). Neste território, dominado pelas
estruturas socialistas, onde quase todos os grandes partidos obtêm
financiamentos, dá-se um episódio de autêntica tragicomédia, quando o
ex-ministro João Rosado Correia obtém uma mala de dinheiro do empresário Ng Fok
(200 mil contos), mas que acaba por ser interceptado em pleno aeroporto de Hong
Kong por António Vitorino e Carlos Beja, então adjuntos de Carlos Monjardino,
que aí os manda, acusando Rosado Correia de abuso de confiança. Mas este A cena
chega a receber caricaturas nos jornais da colónia britânica, mas não impediu a
ascensão das personalidades intervenientes aos mais altos cargos políticos,
financeiros, simbólicos e autárquicos, tanto em Portugal como na Europa. Como
José António Barreiros confessa a José Freire Antunes, regressei de Macau em
1988, onde fui espectador comprometido da árvore das patacas e do pior que o
colonialismo socialista soube engendrar. Vi onde estavam então muitos irmãos e,
sobretudo, ao que andavam. Barreiros há-de romper com o GOL e candidatar-se
a autarca pelo PSD.
CDS Semanários políticos de fim de semana
atacam o CDS liderado por Adriano Moreira. O antigo funcionário do partido,
Paulo Portas, no Semanário, fala numa direita saudosista e palaciana,
secundando a campanha do ex-candidato presidencial Diogo Freitas do Amaral e da
sua Fundação Século XXI. Vicente Jorge Silva no Expresso, o antigo
propagandista maoísta do jornal Comércio do Funchal, denuncia até que o
CDS não passa de uma extrema-direita confessional (18 de Janeiro). Isto é, os
ex-extremistas de esquerda, convertidos à moderação, têm, de vez em quando,
necessidade de episódicos objectos de ódio, para onde atiram a respectiva ira
inquisitorial.
PSD
O PSD, através de Dias Loureiro considera que nós prosseguimos interesses
nacionais, iniciámos um novo ciclo, os outros apenas fazem jogadas políticas
(27 de Março). Eduardo Prado Coelho, na RTP, é compreensivelmente simpático para
com o cavaquismo e este justamente o compensa com adequada sinecura parisiense
(27 de Março). Outros membros do Clube da Esquerda Liberal aderem ao cavaquismo,
bem como inúmeras figuras da direita clássica, da extrema-direita e do freitismo,
de tal maneira que um dos órgãos do novo situacionismo é o semanário O Diabo,
marcado por ex-nacionalistas revolucionários e es-militantes do MDLP e do ELP
que aderiram ao PSD.
Queda do governo – Assembleia da
República aprova moção de censura do PRD ao governo de Cavaco Silva (3 de
Abril). Mário Soares dissolve a Assembleia da República (28 de Abril). Em finais
de Março, chega a visualizar-se a constituição de um governo PS-CDS-PRD, com
Constâncio, Ramalho Eanes e Adriano Moreira, mas o salto anti-cavaquista não é
suficientemente sustentado por Mário Soares e o cavaquismo até tem importantes
aliados internos no CDS e no PRD que ameaçam trair eventuais operações tácticas
(no CDS, destaca-se o deputado José Vieira de Carvalho, íntimo aliado de Eurico
de Melo, e o secretário-geral Fernando Seara, bastante próximo de Durão Barroso
e Pedro Santana Lopes, futuros militantes da grande unidade laranja). Com
efeito, o governo de Cavaco Silva se, no primeiro ano de vida é apoiado
parlamentarmente pelos eanistas, deixa de ter tal sustento na Primavera de 1987,
quando o PRD lhe retira o escudo protector. E o Presidente da República, em vez
de tentar uma solução de iniciativa presidencial, prefere convocar eleições
legislativas para 19 de Julho de 1987.
Eleição
nº 70 Eleição da Assembleia da República (19 de Julho). 7 930 668 eleitores.
5 676 358 votantes. 7 930 668 eleitores. 5 676 358 votantes. PSD: 148 deputados,
50,2%. CDS: 4 deputados, 4,44%. PRD: 7 deputados, 4,9%. PS: 60 deputados,
22,24%. CDU: 31 deputados, 12,14%.
Eleição para o Parlamento Europeu. A
lista do CDS, liderada por Lucas Pires, consegue obter 11%, demonstrando que, na
definição da maioria eleitoral para o parlamento português, funciona o chamado
voto útil. PSD, 7, 45%, 10 deputados. PS: 6 deputados, 22,48%. CDU, 3
deputados, 11,50%. CDS, 4 deputados, 15,4%
Turbulências e glórias –
Acidente com petroleiro ao largo de Sines provoca maré negra na
costa alentejana (5 de Junho). Começa a guerra do caulino em Barqueiros,
concelho de Barcelos (9 de Junho). Início das comemorações solenes dos 500 anos
dos Descobrimentos (10 de Junho). Ofensiva policial encerra as televisões
piratas que emitem em Portugal (23 de Julho)
Governo nº 120,
XI
Governo Constitucional, o primeiro de maioria absoluta de Cavaco Silva (de 17 de
Agosto a 31 de Outubro de 1991).
Outros membros do governo: Eurico Silva Teixeira de Melo (vice-primeiro
ministro e defesa nacional), Joaquim Fernando Nogueira (presidência e justiça),
António d'Orey Capucho (assuntos parlamentares), Miguel José Ribeiro Cadilhe
(finanças), Luís Valente de Oliveira (planeamento e administração do
território), José António da Silveira Godinho (administração interna), João de
Deus Pinheiro (negócios estrangeiros), Arlindo Marques da Cunha (agricultura,
pescas e alimentação), Luís Mira Amaral (indústria e energia), Roberto Carneiro
(educação), João Maria de Oliveira Martins (obras públicas, transportes e
comunicações), Maria Leonor Beleza (saúde), José da Silva Peneda (emprego e
segurança social), Joaquim Ferreira do Amaral (comércio e turismo), Couto dos
Santos (adjunto e juventude), Fernando Nunes Ferreira Real (ambiente).
Governo anuncia que a inflação foi domada. Pela primeira vez, desde
1974, a taxa da dita fica abaixo dos 10% (11 de Setembro).
Gato por lebre Cavaco Silva, em
declarações à televisão, diz que a Bolsa de Lisboa está a vender gato por
lebre (13 de Outubro). Como reacção, o valor das acções cai abruptamente,
acabando a febre especulativa do nosso primeiro esboço de capitalismo popular
posterior ao abrilismo, onde se repetem muitas das ilusões da sociedade de
casino, que tinham marcado o ritmo do crepúsculo do marcelismo, nesse
habitual carácter ciclotímico esdrúxulo que marca a história daquele capitalismo
português que, não tendo as virtudes heróicas da burguesia mercantil, do
clássico liberalismo ético, ou dos cavalheiros da indústria, criadores de
riqueza, sempre cedeu ao oportunismo proteccionista e ao conúbio com o
intervencionismo estadual.
Modernizações e modernismos –
Conflito diplomático com a Guiné-Bissau, por causa do
apresamento de barcos de pesca (29 de Outubro). Motim na Penitenciária de Lisboa
(6 de Novembro). A deputada italiana Cicciolina visita a Assembleia da
República, onde mostra aos seios aos deputados, à semelhança do que fez em
várias partes da Europa (19 de Novembro). Inaugurada a primeira central
telefónica portuguesa de comutação digital (27 de Novembro)