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  Anuário de 1988

 


Da geração Constâncio ao regresso de Freitas ao CDS

Da eleição de Bush à retirada soviética do Afeganistão  Reeleição de Mitterrand 

Ascensão e queda das grandes potências

Tradição e Revolução, vol. II

Cosmopolis

 

 

Novas lideranças políticas: uns saem, outros regressam – Congresso do CDS na Póvoa do Varzim (31 de Janeiro), com o regresso de Diogo Freitas do Amaral à presidência e a negociada saída de Adriano Moreira, que, em contactos com a CIP, ainda tenta mobilizar Daniel Proença de Carvalho para gerir o alvará do partido. Convenção do PRD, com a demissão de Eanes e a eleição de Hermínio Martinho para a presidência (29 de Maio). Vítor Constâncio demite-se da liderança do PS (27 de Outubro).

 

Turbulências – Fracassa greve geral convocada pela CGTP e pela UGT (28 de Março). O pretexto é o combate ao pacote laboral que pretende introduzir alguma flexibilidade na rigidez do contrato de trabalho. Aparece morto na Malveira da Serra o líder da RENAMO, Evo Fernandes (21 de Abril). Um soldado da GNR faz uma chacina na parada do quartel da Ajuda (23 de Novembro). Quatro mortos e quinze feridos. São silenciadas as rádios locais que emitiam sem autorização, de acordo com a nova lei da rádio (24 de Dezembro).

 

Jornais e política – Novo semanário. Iniciada a publicação de O Independente, dirigido por Miguel Esteves Cardosoö e Paulo Portas, com a administração de Luís Nobre Guedes e os fundos financeiros mobilizados por Miguel Pais do Amaral (20 de Maio). Privatização de A Capital, com a compra do jornal por Pinto Balsemão (7 de Setembro). Surge o jornal Europeu, ligado ao eanismo (10 de Novembro). Uma década e meia volvida, as sementes lançadas pelos descendentes dos viscondes da Anadia e de Balsemão, os mesmos que já mandavam nos tempos do príncipe regente, levam a que os representantes das duas tradicionais famílias se transformem nos principais donos do poder na comunicação social portuguesa, comandando as televisões privadas e podendo controlar decisivamente a opinião pública e a luta política, ao escolherem os comentadores que hão-de interpretar aquilo que os mesmos decretam como a direita e a esquerda da democracia. Quase se estabelece uma espécie de condomínio entre estes fidalgos de sempre e a nascente burguesia dos novos ricos da província, a quem é deixado o controlo dos clubes de futebol e do dirigismo federativo, duas das principais redes, em torno das quais se feudalizam os novos dirigentes políticos, onde se recrutam governantes e deputados. Não é por acaso que, no Norte, são importantes o chamado grupo da sueca, na zona do PSD e do CDS, e que o comendador Gomes, um dos principais amigos do general Eanes, está intimamente ligado a Pinto da Costa que, por sua vez, aposta nas boas relações com dirigentes do PS.

 

Comunistas – Vital Moreira critica a direcção do PCP (16 de Janeiro). Zita Seabra é afastada da comissão política do PCP (6 de Maio). XII Congresso do PCP, sob o lema uma democracia avançada no limiar do século XXI (4 de Dezembro).

 

Incêndio no Chiado reduz a cinzas prédios e espaços comerciais da Baixa lisboeta. A zona levará cerca de 10 anos a ser reabilitada (25 de Agosto).

 

Eleições regionais. PSD mantém a maioria absoluta (9 de Outubro).