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Televisão privada, Plataforma de Esquerda e Manuel Monteiro
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Lisboa, capital da Europa –
Portugal assume pela primeira vez a presidência da União Europeia, pretexto para
a construção do complexo do Centro Cultural de Belém (1 de Janeiro). O escudo
adere ao SME (3 de Abril) e no Conselho Europeu de Lisboa é aprovado o princípio
da subsidiariedade (26 de Junho). Escolhido João de Deus Pinheiro para novo
comissário português na Comissão Europeia. Durão Barroso sucede-lhe como
ministro dos negócios estrangeiros (5 de Novembro). Assembleia da República
ratifica o Tratado de Maastricht (10 de Dezembro).
Televisão
privada – Governo atribui os dois canais de televisão privada. Um para o
grupo de Pinto Balsemão, que será baptizado como SIC. Outro para a Igreja
Católica, que será conhecido como TVI, sendo liderado por Roberto Carneiro. O
ministro Dias Loureiro vota contra, dado ter sido preterido o grupo liderado por
Daniel Proença de Carvalho, depois de intensas negociações com D. José
Policarpo, onde um dos intermediários é Fernando Seara (6 de Fevereiro). Começam
as emissões do primeiro canal privado de televisão, a SIC (6 de Outubro). O
director de programas, Emídio Rangel, vem da estação de rádio TSF. Os começos da
década de noventa assistem assim à emergência de novos educadores populares e de
novos fabricantes de símbolos, pelo que as antigas entidades morais geradoras de
significações partilhadas, como eram os agentes estaduais de ensino, a Igreja
Católica e a própria maçonaria, são superadas por entidades privadas sem marca
deontológica, onde dominam as regras que não admitem regras que possam impedir o
lucro.
Bloqueios e cooperações –
Governo acusa o Presidente da República de obstrução sistemática e inadmissível
(14 de Julho). Assembleia da República aprova nova revisão constitucional, tendo
em vista a adequação ao Tratado de Maastricht (17 de Novembro).
António
Guterres eleito secretário-geral do PS, sucedendo a Jorge Sampaio (23 de
Fevereiro). Desde logo, anuncia que o PS não precisa de ter complexos de
esquerda.
Remodelação.
Demite-se o Ministro da Educação Diamantino Durão (16 de Março)
Manuel Monteiro,
novo presidente do CDS (22 de Março). Segue-se a demissão de Freitas do Amaral
como militante do CDS (9 de Novembro). O jovem estudante de Direito da
Universidade Católica, com o apoio de Adriano Moreira e do semanário
Independente de Paulo Portas, vence a candidatura do tarimbeiro histórico e
ex- ministro, Basílio Horta.
Comunistas e ex-comunistas.
Dissidentes do PCP constituem a Plataforma de Esquerda. Destacam-se José
Luís Judas, Pina Moura e Barros Moura. Os principais líderes da dissidência
acabarão hierarcas do PS (9 de Maio). XIV Congresso do PCP. Carlos Carvalhasö,
novo secretário-geral do PCP (15 de Dezembro). Álvaro Cunhal passa a presidente
do Conselho Nacional
Turbulências sociais –
Cerca
de 1 200 militares pedem a passagem à reforma, face à nova lei de
redimensionamento das forças armadas (20 de Outubro) e, de um momento para o
outro, vão para a gaveta da inactividade militar as gerações da guerra colonial
e do abrilismo, com capitães e majores feitos pançudos coronéis do faz-figura,
fazendo discursos sobre as glórias de um outrora que já não há, ao mesmo tempo
que passam a gestores de empresas de segurança, jardinagem ou apoio à cooperação
africana. Manifestações de estudantes e agricultores contra a política
governamental. Os primeiros estão contra as propinas. Os segundos reclamam
subsídios, por causa da seca (24 de Março). Manifestação estudantil contra as
propinas, com cerco à Assembleia da República (18 de Novembro). Manifestação de
autarcas contra o governo, com o encerramento simbólico de muitas câmaras
municipais e manifestação na Assembleia da República (11 de Dezembro).
A questão de Timor –
Operação do navio Lusitânia Expresso nos mares de Timor, levando a bordo
o ex-presidente Ramalho Eanes. Marinha indonésia impede a entrada do vaso de
protesto nas águas territoriais (11 de Março). Entretanto, o líder da
resistência armada, Xanana Gusmão, é preso em Dili (20 de Novembro)
Eleições Regionais
(11 de
Outubro). Novas maiorias absolutas do PSD, nos Açores, sob a liderança de Mota
Amaral, e na Madeira, com Alberto João Jardim.