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  Anuário de 1995

1995

Renúncia de Cavaco, vitória eleitoral do PS de Guterres e CDS a tornar-se Partido Popular

Windows 95

Fim do cavaquismo e do soarismo

Desordem internacional

( Tradição e Revolução, vol. II)

Cosmopolis

 

 

e82 (1 Out. 1995)

 

g122

Renúncia de Cavaco Silva que anuncia não se recandidatar à presidência do PSD, não aceitando, consequentemente, a indigitação como Primeiro-Ministro (23 de Janeiro).

Fernando Nogueira vence o Congresso do PSD, derrotando José Manuel Durão Barroso por 33 votos. Pedro Santana Lopes fica em terceiro lugar (dias 17 a 19 de Fevereiro). Os dois últimos hão-de ser efectivamente os primeiros e o vencedor há-de sair derrotado. O debate é pobre, sem ideias, mas com muitas tricas de corredores. Nogueira canta a “portugalidade” e o “personalismo social-democrata”, num programático estudantil que quase soa a falsete. Barroso, confuciano, é sinicamente esfíngico, no alto do pedestal de uma imagem de ministro dos estrangeiros de Portugal. Os dois são equilibristas e demonstram que hão-de ser sempre o que a conjuntura neles provocar. A terceira-via de Pedro Santana Lopes não é melhor nas ideias, apesar de magistral no bluff. Entre mil e tal delegados, Nogueira ganha com cerca de três dezenas de votos de diferença. Se Mota Amaral logo reclama os quarenta votos dos delegados açorianos, fica nos ouvidos de todos a tirada do nortenho Luís Filipe Meneses que chama aos não-nogueiristas sulistas, elitistas e liberais, lapso que o faz voltar a casa antes das urnas abrirem. Dizendo em voz alta o que gosta de pensar até repete o maurrasiano em política o que parece, é. Mais uma vez, mil e tal iniciados ditam os partidocratas que em nós todos vão mandar. Desses poucos que falam em nome de todos, nesta democracia assim partidocratizada, onde se misturam certos mais ricos com alguns mais expeditos. A crise de representação passa assim pelo Coliseu, nome de circo, pátio de cantigas, onde todos proclamam, na linha de Cavaco que é preciso mais país, que primeiro está o país e que só depois está o partido. Na prática a teoria tende sempre a ser outra e até o partido vem sempre depois da carreira pessoal.

Socialistas. Jorge Sampaio anuncia a respectiva candidatura a Presidente da República, na Reitoria da Universidade de Lisboa, reavivando a memória da sua luta como líder estudantil nos anos sessenta (7 de Fevereiro de 1995). Encerram os Estados Gerais do PS no Coliseu dos Recreios em Lisboa (11 de Março).

Populares. Manuel Monteiro vence Congresso do CDS que passa a designar-se Partido Popular. Apoio do grupo de Paulo Portas, considerado o inspirador da mudança, alterando-se a tradicional política europeia do partido (12 de Fevereiro de 1995).

Mais sinais de nevoeiro – Assembleia da República aprova legislação sobre a transparência do rendimento dos políticos (7 de Julho). Surgem sinais de ataques de militantes skinheads nas noites de Lisboa e no Centro e Norte do país, há algumas milícias populares contra traficantes de droga (Junho). Entra em vigor o espaço Schengen, a que adere Portugal. É abolido o controlo de fronteiras entre sete Estados Membros da União Europeia (24 de Março). D. Duarte, duque de Bragança, casa com D. Isabel Herédia no mosteiro dos Jerónimos (13 de Maio). José Saramago vence o Prémio Camões, enquanto o Prémio Pessoa é atribuído a Vasco da Graça Moura.

 

 

Eleição nº 72 (1 de Outubro de 1995). Eleição da Assembleia da República. 8 906 608 eleitores. 5 904 854 votantes. PS: 112 deputados, 43, 76%;. PPD/PSD: 88 deputados, 34, 12%. CDS/PP: 15 deputados, 9,05%. PCP/PEV: 15 deputados, 8, 57%. Socialistas ficam a quatro deputados da maioria absoluta. Nova alternância do poder, com o Partido Socialista, já liderado por António Guterres, a vencer o PSD, entretanto liderado por Fernando Nogueira.

 

Governo nº 121 de António Manuel de Oliveira Guterres (28 de Outubro). XIII Governo Constitucional Cavaco Silva que, no dia 10, anuncia a respectiva candidatura a Presidente da República, desmaia na cerimónia de tomada de posse do sucessor. O novo governo socialista é marcado pela falhada promessa do no jobs for the boys, enquanto Cavaco Silva mantém a respectiva candidatura à presidência da República, contra a do socialista Jorge Sampaio. Guterres anuncia o propósito de concretização de duas intenções programáticas apresentadas ao eleitorado, a regionalização e a modificação do sistema eleitoral. Cairão no inferno do adiamento.

Outros ministros: António Vitorino (presidência e defesa nacional), Jorge Coelho (adjunto), Sousa Franco (finanças), Jaime Gama (estrangeiros), Alberto Costa (administração interna), João Cravinho (planeamento e administração do território), Vera Jardim (justiça), Daniel Bessa (economia, indústria, comércio e turismo), Gomes da Silva (agricultura, desenvolvimento rural e pescas), Eduardo Marçal Grilo (educação), Maria de Belém Roseira (saúde), Maria João Rodrigues (qualificação e emprego, até 25 de Novembro de 1997), Eduardo Ferro Rodrigues (solidariedade e segurança social), Elisa Ferreira (ambiente), Manuel Maria Carrilhoö (cultura), José Mariano Gago (ciência e tecnologia), António Costa (assuntos parlamentares).

Henrique Costantino, nomeado ministro do equipamento social, faleceu em 27 de Dezembro, sucedendo-lhe Luís Francisco Murteira Nabo, até 12 de Janeiro de 1996, quando é substituído por João Cravinho.