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  Anuário de 1997

1997

 

O ano Valle e Azevedo em tempo de pensamento único e de referendos

A nova ordem global

  Tradição e Revolução, vol. II)

Ver Cosmopolis

 

 

G122 Remodelações

Questão do aborto António Guterres, falando a título pessoal, declara-se contrário à liberalização do aborto (15 de Fevereiro de 1997). Projecto é derrotado na Assembleia da República por um voto no dia 20

Revisão constitucional – O deputado do PS Vital Moreira demite-se de presidente da Comissão de Revisão Constitucional (28 de Fevereiro de 1997). Aprovada a quarta revisão da Constituição, depois de acordo entre o PS e o PS (4 de Setembro).

Manifestação de polícias a favor da criação de um sindicato. Alguns manifestantes chamam aldrabão e cobarde ao ministro Alberto Costa e são alvo de processos disciplinares (21 de Abril de 1997).

Remodelações – Anunciada remodelação do governo. António Costa passa a ministro dos assuntos parlamentares (23 de Novembro). Jorge Coelhoö na administração interna. Pina Moura na economia. Veiga Simão na defesa nacional. Ferro Rodrigues passa a acumular o emprego. José Sócrates torna-se ministro adjunto do primeiro-ministro. Saem, além de António Vitorino, Maria João Rodrigues, Augusto Mateus e Alberto Costa. Demissão de António Vitorino, acusado de irregularidades fiscais na aquisição de um imóvel (8 de Novembro de 1997)

Eleições autárquicas (14 de Dezembro). Comunistas afastados de várias autarquias. Socialista Fernando Gomes mantém-se no Porto. Em Lisboa, João Soares vence Ferreira do Amaral. PSD conquista as câmaras de Gaia, com Luís Filipe Meneses, e da Figueira da Foz, com Pedro Santana Lopes que, entretanto, abandonara a presidência do Sporting Clube de Portugal.

Vale e Azevedo é eleito presidente do principal clube de futebol português, o Sport Lisboa e Benfica, através de um processo populista (31 de Outubro de 1997)

É inaugurado o Centro Comercial Colombo em Lisboa, integrado no grupo Sonae, de Belmiro de Azevedo, considerado o maior estabelecimento do género da Península Ibérica (15 de Setembro). Massas enormes de portugueses, em regime de fim-de-semana, marcham de automóvel, autocarro ou metropolitano, para viverem a emoção inaugural da nova catedral de consumo. A cerimónia conta com a presença da veneranda figura do chefe de Estado a que chegámos, do número dois do governo que escolhemos e do número dois da câmara da maior cidade do país. A recebê-los, a todos, o máximo representante de um dos principais grupos económicos portugueses. O grande iniciador da era dos hipermercados ditos continentes, decide agora desbravar avenidas lusíadas e mobilizar para o consumo símbolos das navegações e das descobertas, dando emprego a antigos ministros e à fina flor da intelectualidade lusitana. No Colombo, esse progresso a que temos direito, a própria guerra colonial é vendida a fascículos. Já Álvaro Cunhal, o indiscutido passador de autênticos certificados de antifascismo, cansado de tanto partir os dentes à reacção, depois de ter perdido os respectivos paraísos terrestres, ditos sol da terra, decide continuar na procura da utopia, escrevendo romances sobre o respectivo tempo de clandestinidade. Finalmente, numa qualquer quintarola algarvia, restos do jet set lusitano, misturando condessas, catedráticos, viúvas de patos bravos, cabeleireiros, cabeleiras e decoradoras, fazem uma festa com muito golfe, o velho desporto, agora popularizado, pela divinal imagem de um comissário europeu, de origem portuguesa.