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  Anuário de 1999

1999

A questão da Universidade Moderna e nova vitória eleitoral de Guterres

Tradição e Revolução, vol. II

Cosmopolis

A procura da terceira via

Guterres não vai para Bruxelas

Marcelo Rebeleo de Sousa abandona a liderança do PSD, sucedendo-lhe Durão Barroso (Maio)

Vitória do PS nas eleições para o Parlamento Europeu que mobiliza Mário Soares para cabeça de lista (13 de Junho)

Eleição geral nº 73 com nova vitória do PS que fica a um deputado da maioria absoluta.

Novo governo de Guterres

Universidade Moderna – Surge a questão da Universidade Moderna, cujo reitor é José Júlio Gonçalves, tendo como vices António Sousa Laraö e Esmeraldo de Azevedo. Alguns quadros dirigentes da universidade são alvo de investigação por parte da polícia judiciária (Maio). Só cinco anos depois é que os frémitos ingentes do escândalo darão à luz duas ou três condenações por crimes contra o património e uma esmagadora maioria de absolvições. Mas o picante dos cargos dirigentes da universidade até inclui, na direcção da empresa de sondagens ligada à instituição, o nome de Paulo Portas, a quem sucede Pedro Santana Lopes. Há também inúmeras indiscrições quanto à ligação da universidade às maçonarias e aos principais partidos políticos. De qualquer maneira, a instituição terá sido fundada numa das lojas do Grande Oriente Lusitano, no tempo de Raul Rego, mobilizando como professores conhecidos maçons, mas vai sofrer os efeitos dos conflitos entre as várias obediências, quando surge a Grande Loja Regular de Portugal, a chamada loja do Sino, apesar de também integrar algumas figuras do Supremo Conselho do Grau 33. Um relatório do SIS sobre a matéria terá desencadeado a investigação da Polícia Judiciária e alguns acusam os mentores de terem interesses imediatos na liquidação da aliança de Paulo Portas com Marcelo Rebelo de Sousa, não faltando quem invoque ligações mais típicas dos modelos italianos, como não veio a ser provado. Curiosamente, poucas vezes se refere o papel de Pedro Soares Martinez na liderança do curso de direito da instituição que não deixou de mobilizar figuras como Manuel Dias Loureiro e Ângelo Correia. A nova equipa reitoral terá como líder João de Deus Pinheiro, assessorado por José Lamego e tendo como mobilizador administrativo o portuense Rui de Albuquerque.

Sinais de pátria – Referendo sobre a independência de Timor. 98% de participação, 79% a favor da independência. Seguem-se violentos distúrbios (30 de Agosto). Gigantescas manifestações em Portugal, de solidariedade com Timor Lorosae, especialmente durante a visita a Lisboa de D. Carlos Ximenes Belo (Setembro). Morte de Amália Rodrigues (6 de Outubro). Entrega de Macau à soberania chinesa. Rocha Vieira, o último governador, embrulha a bandeira do último posto do império português no além-mar. Apenas na Ceuta espanhola continuará o sinal das quinas lusitanas, que aí se mantêm desde 1415 (20 de Dezembro)

Marcelo sai, entra Barroso – Falham as tentativas de acordo entre o PSD e o PP, a Alternativa Democrática, com Marcelo Rebelo de Sousa a abandonar a liderança dos sociais-democratas, a quem sucede José Manuel Durão Barroso (3 de Maio).

Realizam-se eleições para o Parlamento Europeu na Alemanha, Áustria, Bélgica, Espanha, Finlândia, França, Grécia, Itália, Luxemburgo, Portugal e Suécia. PS vence com 43% (13 de Junho). O cabeça de lista é o ex-presidente Mário Soares. Segue-se a lista do PSD com 31%, liderada por José Pacheco Pereira, com o poeta Vasco Graça Moura em lugar de destaque. Os comunistas obtêm 10,32% e o PP de Paulo Portas 8,17%.

Eleição nº 73 da Assembleia da República (10 de Outubro)Vitória do PS que consegue 115 deputados (43,9%), tantos quantos os da oposição, ficando assim a um deputado da maioria absoluta. PSD, 32,3%. CDU, 9%. PP, 8,3%. Bloco de Esquerda, 2,4%.

 

Segundo governo de António Guterres (25 de Outubro).

Entre os ministros: José Sócrates Carvalho Pinto de Sousa (adjunto), António Luís dos Santos Costa (assuntos parlamentares), Jaime José Matos da Gama (defesa nacional e negócios estrangeiros), António Luís Pacheco de Sousa Franco (finanças), Jorge Paulo Sacadura Almeida Coelho (adjunto e administração interna), João Cardona Gomes Cravinho (equipamento, planeamento e administração do território), José Eduardo Vera Cruz Jardim (justiça), Joaquim Augusto Nunes de Pina Moura (economia), Luís Manuel Capoulas dos Santos (agricultura, desenvolvimento rural e pescas), Eduardo Carrega Marçal Grilo (educação), Maria de Belém Roseira (saúde), Eduardo Ferro Rodrigues (trabalho e solidariedade social), Maria Elisa Ferreira (ambiente), Manuel Maria Carrilho (cultura), Mariano Gago (ciência e tecnologia).