Baptista, António Alçada (n.1927)

"Em Portugal, não temos liberais, mas libertinos, demagogos e ultramontanos de todas as cores..."
Escritor. Licenciado em direito, em 1950, e advogado. O paradigma do católico oposicionista ao salazarismo que poderia ter sido um dos fundadores de um partido democrata-cristão nos anos sessenta, hipótese que chegou a ser aventada pelo próprio Cardeal Cerejeira.
Dirige a Livraria Moraes Editora desde 1958, introduzindo em Portugal o pensamento de Emmanuel Mounier e de Teilhard de Chardin. Director de O Tempo e o Modo de 1963 a 1969.
Oposicionista, candidato a deputado em 1961, depois de apoiar a candidatura de Humberto Delgado em 1958.
Funda em 1965 a cooperativa Pragma, que pretende divulgar as teses de João XXIII. Ligado a Jean Monnet, a Jean-Marie Domenach e ao movimento da revista Esprit.
Colabora com a abertura da primavera marcelista, publicando Conversas com Marcello Caetano, concluídas em Janeiro de 1972, mas apenas editadas em Outubro do ano seguinte. De 1971 a 1974 é assessor para a cultura do Ministro Veiga Simão.
Em 1970, numa carta ao então chefe do governo, considera que em Portugal, a liberdade é muito difícil, sobretudo porque não temos liberais. Temos libertinos, demagogos ou ultramontanos de todas as cores, mas pessoas que compreendam a dimensão profunda da liberdade já reparei que há muito poucas.
Depois de 1974 é presidente do Instituto Português do Livro, administrador da Fundação Oriente e presidente da Comissão Organizadora das Comemorações do Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas. Ligado à Fundação Oriente, colabora de forma estreita com Mário Soares.

Documentos Políticos
Lisboa, Moraes, 1970.
Peregrinação Interior
O Tempo nas Palavras
Lisboa, Moraes, 1972.
A Cultura Portuguesa e a Integração Europeia
In Democracia e Liberdade, Lisboa, Junho de 1979, pp. 49-55
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Projecto
CRiPE- Centro de Estudos em Relações Internacionais, Ciência Política e Estratégia.
© José Adelino
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