Beirão, Caetano Maria Ferreira da Silva (1807-1871)

Lente da Escola Médico-Cirúrgica de Lisboa e deputado miguelista em 1842 e 1862. Participa na revolta de 1844 contra o cabralismo.

Tradição e Revolução, vol. II

1843

Miguelistas. D. Miguel nomeia Reginald Macdonell como organizador militar da Restauração, intitulando-o General em Chefe e Director Militar no Reino (26 de Maio) e este logo indica João Ferreira Pinto Rangel como seu agente no Minho. Enquanto isto, Vilar de Perdizes negoceia acordo com os setembristas, através de Francisco António de Campos. Há uma tensão entre a linha representada por António Ribeiro Saraiva, defensora do constitucionalismo realista, e a linha dita urneira, representada por Caetano Beirão, mais disposta a assumir-se como miguelista, a fim de utilizar a imagem do rei derrubado para fins eleitorais. Os realistas, ligados ao jornal O Povo, onde escreve José Martiniano Vieira, defende a necessidade de criação de um partido constitucional velho português, independente da pessoa do príncipe, salientando-se que todo o realista era verdadeiramente constitucional. Preferindo a designação de legitimistas estes adeptos dos princípios constitucionais da antiga monarquia até proclamam que o nome miguelista inculca idolatria e em Portugal não há idólatras (José Martiniano Vieira).

1844

Revolta radical de Torres Novas. Pronunciamento organizado por António César Vasconcelos Correia e José Lúcio Travassos Valdez (4 de Fevereiro). Passos Manuel chama ao golpe a bombochata. Todos os líderes da revolta pertencem à Maçonaria do Sul. Apoderam-se da praça de Almeida (8 de Abril) e têm o apoio de José Estêvão e de vários estudantes miguelistas de Coimbra, aliciados por Caetano Beirão. A revolta apenas termina em 28 de Abril de 1844. São também presos os miguelistas Caetano Beirão, José Manuel Teixeira e D. Jorge Coutinho, dado estar previsto o levantamento de guerrilhas realistas em Amarante e Fafe.

 

1845

Miguelistas de fora – Os miguelistas, da facção de António Ribeiro Saraiva, aconselham a abstenção, enquanto os do grupo de Caetano Beirão querem ir a votos. Estão contra os urneiros o conde de Barbacena, D. João de Castelo Branco, D. José de Lencastre e o morgado de Vilar de Perdizes: a nossa urna deve ser dentro de um obus.

 

 

 

                   

Projecto CRiPE- Centro de Estudos em Relações Internacionais, Ciência Política e Estratégia. © José Adelino Maltez. Cópias autorizadas, desde que indicada a origem. Última revisão em: 22-04-2007