Bonfim, 1º Conde do. José Lúcio Travassos Valdez (1787-1862).

Maçon. Clérigo e oficial do exército. Coadjutor da Sé de Elvas. Participa na guerra peninsular, nomeadamente nas batalhas da Roliça e do Vimeiro. Fez parte do estado-maior de Beresford. Reprime a revolta de 1823. Nomeado em 1832 ajudante-general do Estado-Maior do exército pedrista. Ministro da guerra e da marinha no governo de Sá da Bandeira, de 9 de Novembro de 1837 a 18 de Abril de 1839. Entre 26 de Novembro de 1839 e 9 de Junho de 1841, presidente do ministério e ministro da guerra e da marinha. Par do reino em 1842, opôs-se ao governo de Terceira-Cabral em 1843..Participante da patuleia, em 1846-1847, será deportado para Moçâmedes.

 

Tradição e Revolução, vol. I

Governo nº 15 do Conde de Bonfim, José Lúcio Travassos Valdez (1787-1862), desde 26 de Novembro de 1839, 161 dias. O chamado o ministério da transição, porque, a partir de então, a Constituição de 1838 passa a viver mais no domínio do direito que dos factos. Com efeito, o ministério é essencialmente ordeiro e promove uma ampla substituição das chefias militares e diplomáticas, com cartistas sucedendo a setembristas.

●O presidente começa por acumular as pastas da guerra, dos estrangeiros (até 23 de Junho de 1840) e da marinha (até 14 de Dezembro de 1839 e depois de 28 de Dezembro de 1839). No reino, Rodrigo da Fonseca. Na justiça, António Bernardo da Costa Cabral. Na fazenda, o visconde de Castelões, Flórido Rodrigues Pereira Forjaz. O Conde de Vila Real é ministro da marinha (ausente até 14 de Dezembro, sendo substituído por Bonfim). Para os estrangeiros é nomeado Luís António de Abreu e Lima (1787-1871), o visconde de Carreira, que nunca exerce, sendo substituído por Bonfim.

●Tem várias recomposições em 28 de Dezembro de 1839, 23 de Junho de 1840, 28 de Janeiro, 12 de Março e 5 de Abril de 1841. Reforçada em 23 de Junho de 1840 por Manuel Gonçalves de Miranda. Em 12 de Março de 1841 regressa Tojal

A nova cor parda do situacionismo – Com o ministério de Bonfim surge uma nova definição de liberalismo que repelia ao mesmo tempo o radicalismo de Mouzinho e a idolatria da soberania nacional setembrista. Voltava aos tempos de 30, às doutrinas estudadas com ardor na emigração pelos livros dos mestres. Queria e pedia tudo à liberdade individual, condenando a democracia; mas em vez de renegar a História, ia buscar à tradição a base para um Trono vacilante. É a cor parda de Rodrigo cor sobre que assentam bem quase todas as outras (Oliveira Martins).
Baralhar e dar de novo – Rodrigo e Costa Cabral têm, então, o apoio de Saldanha. No Senado, o governo é aplaudido pelo conde da Taipa, cunhado de Fronteira. Também Garrett, que frequenta os salões da mesma família, apoia um governo que entra num delírio de proclamações reformistas, apresentando novas propostas de lei eleitoral, reforma administrativa, reforma judiciária e reforma fiscal. Costa Cabral promove a nomeação de Frei Francisco São Luís como patriarca de Lisboa. Rodrigo da Fonseca dera calor ao ordeirismo para combater com maior segurança e fortaleza a facção de Setembro

 

 

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Ver anuário: 1837, 1839, 1846

                   

Projecto CRiPE- Centro de Estudos em Relações Internacionais, Ciência Política e Estratégia. © José Adelino Maltez. Cópias autorizadas, desde que indicada a origem. Última revisão em: 22-04-2007