Cabral, Amílcar Lopes (1924-1973)

Um dos pais fundadores do independentismo da Guiné-Bissau e de Cabo Verde.
Mestiço de pai cabo-verdiano e mãe guineense.
Engenheiro agrónomo por Lisboa,
desde 22 de Fevereiro de 1952, sendo colega de Sousa Veloso e de Mário Barreira
da Ponte. Em Setembro seguinte já exerce funções técnicas públicas na Guiné.
Afastado do território em 1955, vem para Lisboa até 1959, data em que regressa à
terra clandestinamente. Aproveita as circunstâncias que rodearam o chamado
massacre do Pidjiguiti em 3 de Agosto de 1959. A partir de 1960 instala-se em
Conakry.
Fundador do PAIGC em Outubro de 1960, juntamente com Aristides Pereira,
Luís Cabral, Júlio de Almeida, Fernando Fortes e Eliseu Turpin. Desencadeia a
luta armada no Sul da Guiné em 23 de Janeiro de 1963. Assume uma importante
imagem internacional, principalmente depois da chamada batalha do Como, de 1964,
participando na Conferência Tricontinental de Havana (1966).
A chegada de
Spínola em 1968, altera as circunstâncias da guerra e o PAIGC é comprimido tanto
no terreno como no campo político e psicológico. Amílcar volta a actuar no palco
internacional. Em 1970 é recebido nos Estados Unidos da América, tanto na
Universidade de Siracusa, a propósito de uma homenagem a Eduardo Mondlane, como
pela própria comissão dos negócios estrangeiros do Congresso. Em Junho deste
mesmo ano chega a ter uma audiência com o Papa Paulo VI, juntamente com
Marcelino dos Santos da FRELIMO e Agostinho Neto do MPLA, não faltando uma
visita triunfal à URSS.. Assassinado em 20 de Janeiro de 1973.
Esteve para o
marxismo-leninismo anticolonialista como Léopold Senghor esteve para o
ocidentalismo. O respectivo conceito de nação é de clara marca estalinista.
Projecto
CRiPE- Centro de Estudos em Relações Internacionais, Ciência Política e Estratégia.
© José Adelino
Maltez. Cópias autorizadas, desde que indicada a origem. Última revisão em:
03-04-2007
Centro
de Documentação 25 de Abril:
Amílcar Cabral ocupou um dos mais importantes lugares entre todos os dirigentes nacionalistas das colónias portuguesas. A ele se deve o essencial das doutrinas, das estratégias, da organização de esforços e do estabelecimento de objectivos na luta contra o regime colonial português. Os seus princípios procuraram ser claros tanto quanto à Guiné, como aos povos dos outros territórios portugueses, tendo orientado o seu pensamento e acção por duas ideias fundamentais: a luta nacionalista fazia-se contra o regime português e não contra o povo português, também ele vitíma da ditadura; e a luta contra o regime português era a luta comum dos nacionalistas de todas as colónias portuguesas. A sua morte não afectou a caminhada da Guiné-Bissau para a proclamação da independência, mas viria a pôr em causa aquele que terá sido o seu mais acarinhado sonho – juntar as suas duas pátrias, Guiné e Cabo Verde.
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CRiPE- Centro de Estudos em Relações Internacionais, Ciência Política e Estratégia.
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