Carvalho, Joaquim Martins de (1822-1898)

Proprietário em Coimbra. Funda O Conimbricense em 1847
(nome dado em 1854 a o Observador). Preso de Fevereiro a Abril de 1847,
por estar implicado na Patuleia. Funda em 1851 a Sociedade de Instrução dos
Operários.
Maçon. Membro da Carbonária. Combatente da Patuleia. Avô de Fernando
Martins de Carvalho.
Em
Março de 1895
adere
formalmente aos republicanos: entre a monarquia quase absoluta, que aí existe
e a República, o nosso caminho estava naturalmente traçado.
Apontamentos
para a História Contemporânea,
Coimbra, Imprensa da
Universidade, 1868.
Almocreve das Petas:
Morre em Coimbra - 18 de Outubro de 1898
Joaquim Martins de Carvalho nasceu em Coimbra, frequentou aulas
de latim nos jesuítas, fez parte do movimento da "Maria da Fonte"
(1846), tendo por isso sido preso e levado de Coimbra para a Figueira da Foz e
daí, num barco, para o Limoeiro em Lisboa. Foi um notável jornalista,
talvez o mais admirável do seu tempo, colaborou no Liberal do
Mondego, Observador (de que,
posteriormente, foi proprietário) e principalmente nesse incontornável jornal,
O Conimbricense [nº 1, 24 de Janeiro de 1854, ao nº
6230, de 31 de Agosto de 1907]. "Não tendo ele sido verdadeiramente um escritor,
na acepção estilística do termo, foi um jornalista ardoroso e intemerato,
arrostando tão corajosamente os perigos como afrontava sobranceiramente chufas e
arruaças, em luta permanente contra tudo e contra todos pelo Progresso, pela
Ordem e pela Verdade." [José Pinto Loureiro, in
Índice Ideográfico de O Conimbricense, Coimbra, 1953]
"... A collecção do Conimbricense, escripto da
primeira columma à última por Martins de Carvalho, é um
repositório interessante da nossa historia pátria, em que o fallecido jornalista
era aprofundadíssimo e excavador extremado de factos históricos ..." [Portugal
Moderno, Rio de Janeiro, 1901]
"É preciosa a collecção do Conimbricense. Mais vasto
repositório de história não é possível encontrar-se em nenhum jornal politico
dos muitos que se tem publicado no paiz. É um arquivo inestimável de factos e
documentos valiosíssimos, uma bússola indispensável a todos os cavouqueiros da
história pátria. Quando mais não seja a história contemporânea de Portugal não
pode fazer-se com segurança sem a consulta previa da collecção do
Conimbricense ..." [Marques Gomes, in
O Conimbricense e a História Contemporânea. Publicação comemorativa do 50º
aniversario do nosso mesmo jornal, Aveiro, 1897]
De facto, como se pode ler pelo Índice Ideográfico de O
Conimbricense (sob direcção de Pinto Loureiro), a
vastidão e a importância dos assuntos publicados no jornal ao longo dos anos,
faz dele uma fonte inultrapassável sobre os acontecimentos económicos,
políticos, sociais e literários de finais do século XIX. São curiosas e
estimadas as referências sobre Garrett, Arqueologia,
Lutas Académicas, Bibliografia e
Bibliofilia, Jornalismo, Cabralismo, Costumes, Duelos,
Tauromaquia, Teatro, Tipografia, Viticultura, Eleições, Epistografia, Évora,
Manuel Fernandes Tomás, Freire de Andrade, Guerra Peninsular,
Herculano, Iberismo, Índia Portuguesa, Lisboa, Macau, José Agostinho
de Macedo, Mosteiros, Mutualismo, Operariado, Marquês
de Pombal, etc .
Absolutamente notável as inúmeras e preciosas referências que se dispõe sobre
Coimbra, Inquisição, Ordens
Religiosas, Invasões Francesas, Lutas Liberais,
Miguelismo, Jesuítas, Maçonaria e
Carbonária, Sociedades Secretas (como S. Miguel da Ala).
Diga-se, que o próprio Martins de Carvalho pertenceu à
Carbonária Lusitana de Coimbra (1848), ao que se julga fundada
pelo Padre António Maria da Costa e dissolvida em 1850, e que
foi diferente da denominada Carbonária Portuguesa
(1896/7 ?), de origem académica, do maçon (Loja Montanha)
Luz de Almeida, Machado de Santos, etc., que
aparece mais tarde, e que não se pode confundir com a denominada
Carbonária Lusitana, de pendor anarquista - daí ser conhecida pela
Carbonária dos Anarquistas - muito sigilosa, a que
pertenceram os anarquistas José do Vale, Ribeiro de
Azevedo, entre outros [vidé a Carbonária em
Portugal, por António Ventura, Museu Republica e
Resistência, 1999].
Ao longo da sua vida, Joaquim Martins de Carvalho, fundou ou
pertenceu a inúmeras Sociedades: fez parte da Loja Maçónica de
Coimbra, Pátria e Caridade (1852-53),
fundou a Sociedade de Instrução dos Operários (1851),
o Montepio Conimbricense, Associação Comercial de Coimbra, Sociedade
Protectora dos Animais, Sociedade de Geografia,
Associação dos Arqueólogos Portugueses, Voz do
Operário, etc. Refira-se que a sua livraria era extraordinária, com um conjunto
raríssimo de jornais, revistas e publicações várias, sendo que o seu leilão foi
um dos acontecimentos mais excepcionais entre os bibliófilos portugueses.
Algumas Obras: Apontamentos para a Historia
Contemporânea, Imp. da Univ., 1868 / Novos apontamentos para a
História contemporânea os assassinos da Beira, Imp.
Univ., 1890 / A Nossa Aliada! Artigos publicados pelo redactor do Conimbricense,
Porto, 1883 / Homenagem a Joaquim Martins de Carvalho, Typ. Operaria, 1889 / O
Retrato de Venus. Edição Comemorativa do nascimentos de Garrett, Coimbra, 1899 /
Os assassinos da Beira, Coimbra, 1922 /
Catálogo da ... livraria que pertenceu ... a Joaquim Martins de
Carvalho e ... Francisco Augusto Martins de Carvalho, Imp. da Univ., 1923 /
Apontamentos aos "apontamentos para a história contemporânea", Coimbra, 1966.