Castro, Álvaro Xavier de (1878-1928)

 

 

Jurista e oficial do exército, um dos primeiros diplomados pela Escola Colonial. Maçon. Filho de José de Castro, grão-mestre adjunto da maçonaria e presidente do ministério. Líder da Jovem Turquia. Membro da junta que derrubou Pimenta de Castro.

 

Foi várias vezes ministro. Ministro da justiça do governo de Afonso Costa, de 9 de Janeiro de 1913 a 9 de Fevereiro de 1914. Ministro das finanças  de Vítor Hugo Azevedo Coutinho, de 12 de Dezembro de 1914 a 24 de Janeiro de 1915. Ministro das colónias no governo de Sá Cardoso, de 3 a 21 de Janeiro de 1920.

 

Presidente do ministério e ministro do interior de 20 a 30 de Novembro de 1920.

 

Funda neste ano de 1920 o Núcleo de Acção de Reconstrução Nacional, uma dissidência a partir dos democráticos.

 

Ministro da guerra de 30 de Novembro a 23 de Maio de 1921.

 

Novamente Presidente do ministério de 18 de Dezembro de 1923 a 6 de Julho de 1924 (acumulou as colónias de 18 a 28 de Dezembro e as finanças de 28 de Dezembro de 1923 a 6 de Julho de 1924).

 

 

Ver Aires Antunes Diniz, Álvaro de Castro - Pela República, Liberdade e Democracia, Guarda, Câmara Municipal da Guarda, 2005

 

Tradição e Revolução, vol. II

 

1911

Medidas – Apresentado o orçamento da responsabilidade do ministro Álvaro de Castro (11 de Janeiro).

 

1915

Constituída uma junta revolucionária para o derrube do governo Integram-na António Maria da Silva, Sá Cardoso e Álvaro de Castro (13 de Maio). A junta é dominada pelos jovens turcos, tendo o apoio da marinha e contando com a colaboração militar de dois antigos franquistas, Jaime Daniel Leote do Rego (1867-1923) e Norton de Matos, que o mesmo grupo fizera aderir à república. Leote do Rego assalta o cruzador Vasco da Gama, morrendo o respectivo comandante, o capitão de mar e guerra Assis Camilo (14 de Maio).

 

1916

 

Guerra em África – Em Abril, mês em que o poeta Mário Sá Carneiro se suicida em Paris, no plano da guerra, os portugueses de Moçambique, tendo como governador Álvaro de Castro, concluem a operação de Quionga, de que tínhamos sido desapossados pelos alemães em 1894. O major Portugal da Silva ocupa o território em 10 de Abril de 1916.

 

1919

 

●Eclodem movimentos revolucionários em Lisboa e na Covilhã (10 de Janeiro), sob o comando de uma junta revolucionária constituída por Álvaro de Castro (então democrático), Francisco Couceiro da Costa (evolucionista), António Granjo (evolucionista), Jaime de Morais (deputado dezembrista), Augusto Dias da Silva (socialista) e Cunha Leal (deputado dezembrista). Apoiam a junta os militares Ramos de Miranda, coronel Jaime de Figueiredo, capitão Tribolet e António Maria Baptista. Em Lisboa revolta-se o tenente Prestes Salgueiro (1891-1950), até então membro do gabinete do ministro da marinha.

 

1920

Reconstituintes ●No dia 11 de Março de 1920, Álvaro de Castro comunica ao Congresso a constituição de uma dissidência dos democráticos. Consegue a adesão de Sá Cardoso e de outros deputados democráticos, bem como de alguns dissidentes do partido liberal.

 

●Os reconstituintes vão participar no governo de António Granjo (de 19 de Julho a 20 de Novembro de 1920), com Artur Lopes Cardoso, Hélder Ribeiro, Ricardo pais Gomes, Melo Barreto e Júlio Dantas.

●Depois, entre 20 e 30 de Novembro, é o próprio Álvaro de Castro a constituir governo, com os correlegionários Lopes Cardoso, António da Fonseca, Júlio Dantas e José Maria Álvares.

●No governo seguinte, de Liberato Pinto, continuam a participar Lopes Cardoso, Álvaro de Castro e António da Fonseca.

●No governo de Bernardino Machado, os reconstituintes continuam governamentais, com Lopes Cardoso, Álvaro de Castro e António da Fonseca.

Governo nº 79 (20 de Novembro) Álvaro de Castro (10 dias). Governo sem a participação de liberais e democráticos. Com cinco reconstituintes, dois populares e três dissidentes democráticos da facção de Domingos Pereira. O governo das três dissidências falha de tal maneira que dura apenas 10 dias. Tem a oposição de liberais e de democráticos.

●Presidenteacumula com o interior e a guerra. Outros ministros: Artur Alberto Camacho Lopes Cardoso (reconstituinte), na justiça. Francisco Pinto da Cunha Leal (1888-1970), antigo centrista, antigo sidonista e então activista dos populares, nas finanças. Júlio Martins (popular), na marinha. Domingos Pereira (então democrático dissidente), nos estrangeiros. António Joaquim Ferreira da Fonseca (reconstituinte), no comércio. Jaime Júlio Velho Cabral Botelho de Sousa (então democrático dissidente), nas colónias. Júlio Dantas (reconstituinte), na instrução pública. Adriano Pimenta (então democrático dissidente), no trabalho. José Maria Álvares (1875-1940) (reconstituinte), na agricultura.

●Liberais e democráticos aprovam uma moção de desconfiança.

●Apoio das forças vivas – Reunião de cerca de 2 500 delegados do patronato na presença de Álvaro de Castro em 22 de Novembro. Defende-se a revisão da Constituição no sentido da participação das forças vivas, à semelhança da segunda câmara do sidonismo

 

1922

●Os alvaristas, que, em 1922, como reconstituintes, conseguem 17 deputados e 10 senadores, integrarão os nacionalistas nos começos de 1923 e voltarão a autonomizar-se no fim desse ano, como Grupo de Acção Republicana.

●A constituição do gabinete de Ginestal Machado é pretexto para Álvaro de Castro abandonar o partido nacionalista, repudiando ministérios de concentração e pseudo-ministérios nacionais. Assim, no dia 16, três dezenas de deputados e senadores nacionalistas, fundam o Grupo Parlamentar de Acção Republicana.

●Segue-se um governo presidido pelo próprio Álvaro de Castro que mobiliza dois seareiros, António Sérgio e Azevedo Gomes, para além dos correlegionários Sá Cardoso, António da Fonseca e Ribeiro de Carvalho, na guerra, contando com o apoio de Afonso Costa e o elogio pelo Partido Socialista, até Julho de 1924.

●No governo seguinte, do democrático Rodrigues Gaspar, ainda participa o accionista Rodolfo Xavier da Silva. No de Domingues dos Santos aparece Hélder Ribeiro na guerra.

1923

●Partido Nacionalista – Contra o governo de António Maria da Silva, emerge um bloco republicanos, constituído por liberais e reconstituintes, os quais se unificam em 5 de Fevereiro, dando origem ao Partido Nacionalista, cujo manifesto, redigido por Júlio Dantas, é emitido no dia 17, dois dias antes de Álvaro de Castro comunicar o facto oficialmente ao Congresso da República.

Governo nº 89 de Álvaro de Castro (203 dias, desde 18 de Dezembro). Com democráticos, seareiros e independentes. O gabinete de concentração recebe apoio dos democráticos, graças à intervenção do próprio Afonso Costa, mas os nacionalistas, ofendidos com Teixeira Gomes, lançam-se numa ofensiva contra o Presidente da República.

Álvaro de Castro, acumula com as finanças. No interior, Alfredo Ernesto Sá Cardoso. No comércio, António Joaquim Ferreira da Fonseca. Em 27 de Fevereiro de 1924: Nuno Simões, até 23 de Junho, data em que assume a pasta interinamente Hélder Ribeiro. Na justiça, José Domingues dos Santos. Nos estrangeiros, Domingos Leite Pereira. Na colónias, Mariano Martins, democrático. Na instrução pública, António Sérgio de Sousa (1883-1969), seareiro. Em 27 de Fevereiro de 1924: Hélder Armando dos Santos Ribeiro. Na agricultura, o professor Mário de Azevedo Gomes (1885-1965), de 24 de Dezembro de 1923 a 28 de Fevereiro de 1924, seareiro. Em 27 de Fevereiro de 1924, Joaquim António de Melo e Castro Ribeiro. Na guerra, António Germano Ribeiro de Carvalho (1889-1967), até 26 de Fevereiro de 1924, militar da Flandres, próximo dos sereiros. Em 8 de Março de 1924, Américo Olavo Correia de Azevedo (1882-1927), o primeiro oficial português que na Grande Guerra recebeu a Torre e Espada e que há-de morrer por ocasião do movimento revolucionário de Fevereiro de 1927. No trabalho, Júlio Ernesto de Lima Duque no trabalho, na qualidade de nacionalista. Na marinha, Fernando Augusto Pereira da Silva, na qualidade de independente.

Accionistas – Álvaro de Castro afasta-se dos nacionalistas, depois de na respectiva junta consultiva ter sido aprovada, por 57-18, uma moção repudiando ministérios de concentração e pseudo-ministérios nacionais (15 de Dezembro). Logo no dia seguinte, juntamente com três dezenas de deputados e senadores nacionalistas, Álvaro de Castro, funda o Grupo Parlamentar de Acção Republicana.

●O presidente logo declara que o problema financeiro é o único do governo. Na declaração ministerial promete-se estabelecer a ordem e o equilíbrio nas finanças e no Estado (21 de Dezembro). Novo acordo com o Banco de Portugal. O banco é uma sociedade privada onde nem sequer há supremacia do governo (22 de Dezembro). Parlamento encerrado até 7 de Janeiro.

 

1924

 

●Sublevação dos aviadores na Amadora de 3 para 4 de Junho, depois da demissão do respectivo comandante, em conflito com próprio Álvaro de Castro (3 de Junho). Termina com tropas de Queluz a cercarem o campo. O presidente do governo chega a aceitar entrar em duelo com o aviador Ribeiro da Fonseca no dia 2, com a imprensa a mostrar as fotos do recontro. Álvaro de Castro, que considera inevitável a queda do gabinete, telegrafa a Afonso Costa, solicitando que o mesmo chefie o próximo executivo.

 

1927

●Constituída a Liga de Paris, a Liga de Defesa da República, sendo nomeada uma comissão directiva, com Afonso Costa, Álvaro de Castro, José Domingues dos Santos, Jaime Cortesão e António Sérgio (12 de Março).

 

●Manifesto ao País da Liga de Paris fala na necessidade de uma vida nova. No escritório de Afonso Costa, nova reunião da Junta Directiva da Liga de Paris, com a presença do mesmo Afonso Costa, Álvaro de Castro, José Domingues dos Santos, António Sérgio e Jaime Cortesão (30 de Setembro). Aceitam uma ligação à CGT, com Afonso Costa a considerar conveniente porque a confederação tem ligações com os comunistas e visto a República dever encaminhar-se para a esquerda, apoiando-se nas classes operárias. Decidem que, no futuro governo provisório, a ser presidido por Álvaro de Castro, que também deveria ser presidente da república provisório, Afonso Costa assumiria a pasta das finanças, Norton de Matos, os estrangeiros e as colónias, e Jaime de Moraisö, o interior, com a pasta da defesa para um civil, não indicado.

 

1931

●Em Maio, Jaime de Morais, Moura Pinto e Jaime Cortesão, exilados em Espanha, organizam-se para o derrube do regime português. São apoiados por Jaime Baptista e Utra Machado. Têm a oposição dos chamados anti-budas, com José Domingues dos Santos, António Ribeiro de Carvalho, José da Conceição Mascarenhas, Agatão Lança e Vasco da Gama Fernandes (1908-1991). Ribeiro de Carvalho antigo ministro de Álvaro de Castro, amigo de António Sérgio e Raúl Proença não aceita voltar ao governo depois de um convite que lhe faz Gomes da Costa em 1926. Exilado em Espanha, recusa a amnistia em 1950. Morrerá louco.

 

 

 

                   

Projecto CRiPE- Centro de Estudos em Relações Internacionais, Ciência Política e Estratégia. © José Adelino Maltez. Cópias autorizadas, desde que indicada a origem. Última revisão em: 28-04-2007