Dias, Carlos Malheiro 1875-1941

Monárquico. Secretário do conde de Paçô Vieira. Emigra para o Brasil depois de 1910.

Propôe em 1922 a António José de Almeida a criação de uns Estados Unidos de Portugal.

Um dos conspiradores do 18 de Abril de 1925.

Promove a edição da História da Colonização Portuguesa do Brasil, Porto, Litografia Nacional, 1921.

Nomeado embaixador de Portugal em Madrid, pouco antes de morrer, não chega a ocupar o cargo.

Tradição e Revolução:

1908

Uma ditadura à Costa Cabral – O monárquico Carlos Malheiro Dias, na revista Ilustração Portuguesa, considera que quem criou a revolução foi, de facto, o Governo. O problema político era puramente administrativo. O governo, imprudentemente, transformou-o numa questão de princípios. Uma ditadura à Mouzinho da Silveira podia tê-lo resolvido. O Governo fez uma ditadura à Costa Cabral. Tendo por si a força, não lhe seria desairoso contemporizar. Em vez de acalmar as paixões, excitou-as...

1911

As represálias – O jornalista monárquico Carlos Malheiro Dias observa então: durante treze dias, o paladino arrastara atrás dele um séquito de quase dois mil homens, com regimentos, esquadrões e baterias, sobressaltara a República, mas expusera os aliados internos às represálias inflexíveis dos vencedores, levara o desespero a centenares de famílias, atulhara de prisioneiros as fortalezas e as cadeias e deixara a sua Pátria desventurada numa maior miséria...

1924

A questão do sebastianismo – Carlos Malheiro Dias publica Exortação à Mocidade, conferência que lhe foi possível proferir na Faculdade de Letras de Coimbra, apesar de convite do director, Eugénio de Castro, onde clama: quem tem razão não é o racionalista, mas o poeta visionário (referindo-se a António Nobre). D. Sebastião foi uma reincarnação do Portugal do século XV: o seu misticismo, a sua bravura, a sua pureza reincarnada, defendendo que Lisboa volte a ser a cabeça dum grande império, a metrópole dos Estados Unidos de Portugal. Na altura, o exilado monárquico, alinhava com António Sardinha e Afonso Lopes Vieira e foi objecto de contestação de António Sérgio que qualificava o rei desaparecido como um fanfarrão. A polémica estende-se a 1925 com réplica de Malheiro e tréplica de Sérgio.

 

                   

Projecto CRiPE- Centro de Estudos em Relações Internacionais, Ciência Política e Estratégia. © José Adelino Maltez. Cópias autorizadas, desde que indicada a origem. Última revisão em: 28-04-2007