D. Duarte Nuno (1907-1977)

Neto potuguês de D. Miguel I. Duque de Bragança, depois da morte de D. Manuel II. Licenciado em agronomia por Toulouse. Casa em 1942 com uma descendente do ramo brasileiro de D. Pedro IV, D. Maria Francisca.

No dia 21 de Julho de 1920, D. Miguel II renuncia ao trono, depois de negociações com os integralistas. No dia 31 confia a tutela de D. Duarte Nuno, seu terceiro filho, em quem abdica, a D. Maria Aldegundes de Bragança, sua tia. Em 2 de Setembro, a Junta Central do Integralismo Lusiano declara reconhecer como herdeiro do trono português D. Duarte Nuno, unindo-se assim ao partido legitimista.

No dia 17 de Abril de 1922, pelo Pacto de Paris, unificavam-se os monárquicos liberais e legitimistas, através de Aires de Ornelas e D. Lourenço Vaz de Almada. D. Duarte Nuno reconhece assim D. Manuel II. Os integralistas vão discordar frontalmente do pacto. Apoio de O Dia e de O Correio da Manhã.

Tradição e Revolução, vol. II:

 

1919

Entre 16 e 28 de Setembro de 1919, dois representantes integralistas, Luís de Almeida Braga e Pequito Rebelo, deslocam-se à Inglaterra, para conversações com D. Manuel II. O rei defende intransigentemente o constitucionalismo cartista e rejeita aquilo que havia de absolutismo na doutrina integralista, desaprovando os dois movimentos de restauração monárquica, do Porto e de Monsanto, bem como todas as violência, considerando que a restauração e a actividade política dos monárquicos só poderiam ser levadas a cabo dentro da legalidade. Recusa a imediata nomeação de um seu representante em Portugal, dada a morte de Aires de Ornelas, e não aceita sequer a indicação de um chefe secreto porque naquele desgraçado país tudo se sabe, sugerindo que os monárquicos conquistassem eleitoralmente as autarquias locais.

 

Novo encontro da delegação integralista e D. Manuel II marca a ruptura (28 de Setembro). Em 20 de Outubro, os integralistas anunciam no jornal A Monarquia que se desligam da obediência a D. Manuel II, conforme decisão tomada em 18 de Outubro. Em carta dirigida a Aires de Ornelas, D. Manuel II critica o procedimento dos integralistas (1 de Dezembro). D. Miguel II renuncia ao trono, em 21 de Julho de 1920, depois de negociações com os integralistas. No dia 31 abdica em favor do seu terceiro filho, D. Duarte Nuno, confiando a tutela à tia, D. Maria Aldegundes de Bragança.

 

Delegação integralista e legitimista reconhece como rei D. Duarte Nuno, então com doze anos (31 de Julho). Vai assumir-se como lugar-tenente D. Luís, conde de Almada. A Junta Central do Integralismo Lusiano declara reconhecer como herdeiro do trono português D. Duarte Nuno, unindo-se assim ao partido legitimista (2 de Setembro).

 

Manifesto de Baiona de D. Maria Aldegundes de Bragança, tutora de D. Duarte Nuno, intitulado, Proclamação de Princípios, onde se defende a monarquia tradicionalista (26 de Junho de 1921).

 

Partido legitimista anuncia acção conjunta com o Integralismo Lusitano, face ao Manifesto de Baiona (1 de Julho).

 

1932

●Entre integralistas e manuelinos – O lugar-tenente João de Azevedo Coutinho,  favorece a ascensão de D. Duarte Nuno. Como vai dizer Luís de Magalhães: quer a Ditadura fazer uma República que os republicanos não querem e quer, por isso, fazê-la com os monárquicos, que não querem a República (2 de Julho). Rocha Martins, o jornalista monárquico que não apoia a chamada de D. Duarte Nuno, considera então que se encontra entalado entre os integralistas e os antigos monárquicos constitucionais, dizendo que estes estão, quase todos, dependentes do emprego público, da banca, dos Governos. A nobreza mantém-se no seu pedestal; alguém negociava, mas embrulhava-se nos pergaminhos. Para o povo, um duque ou conde não tinham significado.

 

1938

Monárquicos – Luís de Almeida Braga, em carta dirigida ao Visconde do Torrão, Lugar-tenente de D. Duarte Nuno, faz críticas ao regime salazarista: receio que um dia acordemos todos no fundo de um poço (9 de Janeiro).

 

1950

Monárquicos na oposição – Manifesto dos sobreviventes do Integralismo Lusitano, Alberto de Monsaraz, Hipólito Raposo, José Pequito Rebelo e Luís de Almeida Braga, onde, reconhecendo-se algum esforço do Estado Novo no sentido da nacionalização do regime, se denuncia que à truculência jacobina da Anti-Nação sucede ou substitui-se a hipocrisia da Pseudo-Nação, referindo a viciação e perversão da doutrina (8 de Abril). Consagra-se uma clara oposição monárquica ao regime, desencadeada, aliás, logo no dia 2 de Junho de 1926, quando alguns oficiais do 28 de Maio queriam restaurar a Carta Constitucional e estabelecer uma Junta de Regência. O processo passa também pelo desterro de Paiva Couceiro e de Hipólito Raposo. Abolidas as leis da proscrição do ramo miguelista dos Braganças, estabelecidas em 19 de Dezembro de 1834. D. Duarte Nuno pode regressar a Portugal (21 de Abril).

1954

Confronto entre Salazar e D. Duarte Nuno sobre o destino dos bens da Casa de Bragança, no ano em que Franco chega a acordo com D. Juan de Bourbon sobre a educação do príncipe Juan Carlos, visando a restauração da monarquia em Madrid. No princípio do ano há também um conflito com Amílcar Passos e Sousa, lugar-tenente de D. Duarte, que vê a censura cortar mensagem que enviou às comemorações do terceiro aniversário de O Debate.

1977

Morte do Duque de Bragança, D. Duarte Nuno (24 de Dezembro). Funerais realizam-se para Vila Viçosa.

 

 

 

 

                   

Projecto CRiPE- Centro de Estudos em Relações Internacionais, Ciência Política e Estratégia. © José Adelino Maltez. Cópias autorizadas, desde que indicada a origem. Última revisão em: 22-04-2007