Rodrigo da Fonseca (1787-1858)

Postos todos a comer à mesa depressa passariam de convivas satisfeitos a amigos dedicados (Rodrigo da Fonseca, em 1835)

Voto com o lado esquerdo, com o lado direito ou com o centro, conforme a consciência (Rodrigo da Fonseca em 1839)

Rodrigo da Fonseca Magalhães. Depois de frequentar durante dois anos o curso de teologia em Coimbra ingressou na carreira militar até 1817. Implicado na conspiração de Gomes Freire, vai para o Brasil em 1819, depois de viver clandestinamente em Lisboa durante dois anos. Casado com uma filha do general Luís Rego, vai para o Pernambuco, onde o sogro era governador de armas. Regressa em 1820 sendo funcionário do ministério dos negócios estrangeiros. Exílio em Londres a partir de 1828, liga-se a Silva Carvalho. Director-geral do ministério da justiça e administrador da imprensa Nacional.  Deputado pelo Minho, torna-se no líder parlamentar dos chamorros.

Ministro do reino no governo de Saldanha, de 15 de Julho a 18 de Novembro de 1835. A partir de então, o ministério fica a ser conhecido como o ministério do rei dos godos, por referência a Rodrigo, rei dos visigodos.

Autor do decreto sobre a reorganização administrativa de 18 de Julho de 1835. Faz então parte da liderança chamorra e trata de instaurar uma política de empregadagem e de distribuição de mercês. Diz na altura que postos todos a comer à mesma mesa depress passariam de convivas satisfeitos a amigos dedicados. Desencadeia uma política de criação de barões, como os de Moncorvo, Samodães, Bonfim, Sabrosa, Setúbal, Ruivós, Bóbeda, Leiria. Como então dizia Garrett, foge, cão, que te fazem barão. Para onde? Se me fazem visconde...

Ministro do reino no governo do conde de Bonfim, entre 26 de Novembro de 1839 e 9 de Junho de 1841. Tinha surgido em 1838 um grupo de deputados ordeiros, moderados ou centristas que pretendem conciliar o cartismo e o setembrismo, destacando-se António Luís de Seabra, Oliveira Marreca, Rodrigo da Fonseca e Almeida Garrett. Para Oliveira Martins, representam um terceiro liberalismo, defensor da ordem. Serão acusados de política eclética e pasteleira.

Depois de perder as eleições para grão-mestre, na sequência da morte de Manuel Gonçalves Miranda, em desfavor de António Bernardo da Costa Cabral, integra-se então na dissidência maçónica anti-cabralista do Supremo Conselho do Grau 33, liderada por Silva Carvalho. No mesmo governo passa a acumular a pasta dos negócios estrangeiros em 23 de Junho de 1840.

Ministro dos negócios estrangeiros no governo de Joaquim António de Aguiar, de 9 de Junho de 1841 a 7 de Fevereiro de 1842.

Ministro do reino desde 7 de Julho de 1851 (substitui Ferreira Pestana) no governo de Saldanha, até 3 de Setembro de 1853, quando assume a pasta Frederico Guilherme da Silva Pereira. Acumula a justiça até 4 de Março de 1852, substituindo Joaquim Filipe de Soure.

Em 19 de Agosto de 1852, volta a acumular a pasta da justiça, substituindo António Luís de Seabra. Mantém estas posições aé 6 de Junho de 1856. Juntamente com Fontes, faz parte do núcleo duro dos regeneradores. Recebe a alcunha  d’ a raposa.

 

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