Franco, João (1855-1929)

Vão idos os tempos dos jogos florais das questões políticas, dos obstruccionismos, de todas essas farragens velhas e antigas que durante muito tempo fizeram, desgraçadamente, a ilusão dos membros do parlamento português

(João Franco em 29 de Setembro de 1906)

 

João Ferreira Franco Pinto Castelo Branco. Começa como deputado regenerador pela Beira Baixa, com o apoio do cacique Manso Preto.

Ministro da fazenda de António Serpa, de 14 de Janeiro a 14 de Outubro de 1890.

Ministro das obras públicas, comércio e indústria no governo de João Crisóstomo, de 25 de Maio de 1891 a 17 de Janeiro de 1892 .

Ministro do reino no governo de Hintze Ribeiro, de 23 de Fevereiro de 1893 a 7 de Fevereiro de 1897.

Constitui o grupo dos regeneradores liberais em 14 de Maio de 1901.

Presidente do conselho de 19 de Maio de 1906 a 4 de Fevereiro de 1908.

Em 1920 foram editadas as Cartas d’El-Rei D. Carlos I a João Franco Pinto Castelo Branco, seu último presidente do conselho, Tip. do Anuário Comercial, 1920.

In Tradição e Revolução:

●Aliados aos lucianistas na concentração liberal que sustenta o governo de João Franco desde 19 de Maio de 1906 . São conhecidos como os talassas em finais de 1907. Têm o apoio dos jornais Diário Ilustrado e Jornal da Noite.

●Dentro dos quadros liberais, João Franco anuncia querer governar à inglesa, mas depois de perder o apoio dos progressistas, é obrigado a governar à turca. De qualquer maneira, por trás do presidente do conselho está o intervencionismo directo do monarca na governação. Só que o rei D. Carlos até não inova, dado ter sido bem menos intervencionista que o regente D. Pedro IV, depois de 1834, ou que D. Maria II, com as actuações governamentais de Saldanha, nomeadamente depois de 1851.

●Acaba, no entanto, por prevalecer a contra-imagem do ditador João Franco quando poucos lhe poderiam atirar pedradas. Os adversários, aliás, menos que uma luta contra o autoritarismo, talvez temessem a hipótese de uma ditadura genesíaca, capaz de confirmar um caminho novo para o regime. E obrigam D. Carlos e João Franco aos tortuosos atalhos de uma simples ditadura tímida, intercalar, administrativa, apenas à maneira da ditadura clássica romana.

●Por isso, João Franco perde o norte. Deixa de poder atender a uma estratégia e perde-se em muitos tacticismos desesperados. Mas é até ao fim um convicto liberal defensor das instituições representativas. Até porque a vida nova que procura lançar tinha sido proposta anteriormente tanto pela direita como pela esquerda. Talvez tenha cometido o erro de caçar no terreno dos republicanos possuindo vagas ideias gerais sobre a matéria, ele que é simples produto de uma geração pós-fontista que, sem acreditar em nada de construtivo, se fica pelo vago pragmatismo.

●De qualquer maneira, o voluntarismo franquista, sobretudo aquele feitio pessoal propenso ao dramatismo do tudo ou do seu nada, não tem formação política capaz de o elevar ao desafio das circunstâncias. As exigências da política são bem maiores que as possibilidades do chefe do governo. é preciso um pouco mais. Porque, da derrota desta táctica, resulta, não apenas a queda da pessoa e dos respectivos apoiantes, mas, sobretudo, a trágica queda da própria monarquia. Porque os republicanos, filhos da mesma geração pouco mais são em termos políticos do que o mesmo João Franco, isto é, actores secundários.

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Projecto CRiPE- Centro de Estudos em Relações Internacionais, Ciência Política e Estratégia. © José Adelino Maltez. Cópias autorizadas, desde que indicada a origem. Última revisão em: 20-04-2007