Freitas, José Vicente de  (1869-1952)

 

Natural da Calheta. Oficial do exército. Alfres em 1891 e tenente-coronel em 1917. Figura cimeira da Ditadura Nacional, começa como ministro do interior e, depois, assume a presidência do ministério, quando Carmona é eleito presidente da República. É nesse gabinete que entra Salazar como ministro das finanças. Faz parte do grupo republicano apoiante do 28 de Maio, lado a lado com António Osório, Tamagnini Barbosa, Pestana Lopes e Ferreira Martins, todos maçons.

 

Em 13 de Janeiro de 1933, quando era presidente da câmara de Lisboa, dirige uma exposição a Carmona, publicada em O Século, onde considera expressamente que dentro do 28 de Maio, além de uma corrente nacionalista, há outra francamente republicana que sem, de maneira nenhuma defender o regresso à desordem política criada pela Constituição de 1911, é francamente liberal e democrática. Neste sentido, critica a perspectiva que defendia a transformação da União Nacional em partido: se um dia ela viesse de facto a ser uma organização política permitida em Portugal, os seus aderentes constituíriam uma casta privilegiada que pretenderia confundir-se com o Estado. Termina, proclamando: se os Estados têm realmente que ser fortes, o pensamento não pode deixar de ser livre.  Salazar é implacável e demite-o de presidente da câmara, em 12 de Fevereiro, coloca em seu lugar Daniel de Sousa e emite uma nota oficiosa em 15 de Fevereiro onde o acusa de em 21 de Maio de 1932 ter aderido à União Nacional em sessão pública. Tenta organizar uma Liga Republicana entre os oficiais apoiantes do 28 de Maio.

Portal do Ministério das Finanças

                   

Projecto CRiPE- Centro de Estudos em Relações Internacionais, Ciência Política e Estratégia. © José Adelino Maltez. Cópias autorizadas, desde que indicada a origem. Última revisão em: 22-04-2007