Godinho, Vitorino Magalhães (n. 1918) 
 

Historiador português. Activista da oposição democrática. Licenciado pela Faculdade de Letras de Lisboa em 1940, casa onde é assistente até 1944. Liga-se ao MUD e ao MUNAF. Vai para França em 1947, onde é investigador do CNRS. Doutor pela Sorbonne em 1959.

Em 1960 torna-se professor catedrático do ISCSPU, cargo de que foi demitido em 1962, por razões políticas.

Professor catedrático em Clermont-Ferrand de 1971 a 1974.

Ministro da Educação do III e IVGovernos Provisórios. Professor Catedrático da Universidade Nova de Lisboa de 1974 a 1988, é o animador da Revista de História Económica e Social, de 1978 a 1989. Director da Biblioteca Nacional em 1984.

Salienta, sobre a nossa monarquia medieval: "feudal, não é na verdade esta monarquia visto não se ter edificado sobre o laço da vassalagem e feudo, mesmo se constatarmos algumas infiltrações; não o é sequer em primeiro grau, como teríamos de concluir se a definissemos sem mais um senhorio de senhorios, pois uma das suas características diferenciais é precisamente a largueza do âmbito das relações direrctas entre o rei e boa parte do reino e dos súbditos. Tem vincado cunho patrimonial e não diferencia público e privado nas suas relações  com terras e gentes do Reino".  Observa também que, a partir de certa altura começa a clarificar‑se a existência de uma "inalienabilidade de certas pertenças fundamentais" e o rei exerce já o regnare e não apenas o dominare, o senhoriar. O rei, além de diferente no ter, por ser o maior dos proprietários, passa também a ser diferente no ser.

Tradição e Revolução, vol. II

1942

Núcleo de Acção e Doutrinação Socialista Surge em Lisboa, visando a divulgação dos ideais do socialismo (Dezembro). Trata-se de um grupo de estudantes universitários que, em 1944, há-de integrar-se na União Socialista. Entre os fundadores de 1942, José Magalhães Godinho, Vitorino Magalhães Godinho, Afonso Costa Filho, Mário de Castro, Gustavo Soromenho, António Macedo, Mário Cal Brandão, Artur Santos Silva, Paulo Quintela, José Joaquim Teixeira Ribeiro e Fernandes Martins. De assinalar que parte desse grupo é filho de anteriores dirigentes da esquerda republicana.

União Socialista (1944)

●Entre os fundadores: José Magalhães Godinho, Vitorino Magalhães Godinho, Afonso Costa Filho, Mário de Castro, Gustavo Soromenho, António Macedo (1906-1989), Mário Cal Brandão, Artur Santos Silva, Paulo Quintela, José Joaquim Teixeira Ribeiro e Fernandes Martins.

 

1962

Vitorino Magalhães Godinho é então demitido de professor do ISCSPU pelo governo. O ministro e director da escola, que o convidara para regressar a Portugal, não subscreve formalmente tal acto se saneamento, obedecendo plenamente à hipócrita legalidade, dado que deixa a subscrição de tal violência para um dos seus ajudantes. É demitido em 16 de Agosto, porque, em 13 de Maio, pondo em prática o seu feito de homem 1ivre, escreve uma carta ao director da escola em que verberava a maneira como o Ministério tem conduzido a questão estudantil. O Ministério do Ultramar conclui pela indisciplina, irreverente e grave conduta, que revela, de facto, impossibilidade de adaptação às exigências da função que exerce. Apesar de defendido, entre outros, por Jorge Dias e Silva Cunha, acaba demitido e o Supremo Tribunal Administrativo, entre cujos juízes se inclui um futuro provedor de justiça, dá razão ao governo. O supremo responsável ministerial pelo processo, menos de meio século volvido, há-de vir a ser empossado como membro do conselho científico da paz de uma fundação do instituidor do Partido Socialista, sem qualquer espécie de má consciência.

 

1975

Mesquinhez, ódios e vinganças – Artigo de Vitorino Magalhães Godinho na Vida Mundial, critica a hipótese do MFA, ao institucionalizar-se, transformar-se em órgão de soberania ou de governo. Fala num clima de mesquinhez, tinto de ódios, de vinganças miudinhas... neste momento não existem em Portugal bases a sério, seja em que sector for; existem maiorias impreparadas e perplexas, manejadas por grupúsculos cujo cérebro está atafulhado de “slogans” decorados e não acostumados a pensar por si próprios (30 de Janeiro).

 

 

 

·Prix et Monnaies au Portugal

Paris, 1955.

·Os Descobrimentos e a Economia Mundial

Lisboa, 1962. A primeira edição em língua francesa data de 1958.

·Ensaios, em três volumes.

Lisboa, 1968, 1969 e 1971.

·O Socialismo e o Futuro da Península

Lisboa, Livros Horizonte, 1969.

·«Finanças Públicas e Estrutura do Estado»

In Serrão, Joel, ed., Dicionário de História de Portugal

·A Estrutura da Antiga Sociedade Portuguesa

Lisboa, 1971.

·«O Naufrágio da Memória Nacional»

In Bethencourt, Francisco, Curto, Diogo Ramada, eds., A Memória da NaçãoLisboa, Livraria Sá da Costa, 199

                   

© José Adelino Maltez. Cópias autorizadas, desde que indicada a origem. Última revisão em: 22-04-2007