Gonçalves, Vasco
 

Militar português, primeiro ministro dos II (desde 18 de Julho de 1974), III, IV, desde 26 de Março de 1975, e V governos provisórios, entre 1974 e 1975. Dito pelos comunistas o companheiro Vasco. Afastado das comissões de combate em África por razões de saúde, volta à metrópole, onde acumula a actividade militar com actividades de empresário da construção civil e de gestão de uma casa de câmbios da família. Antes das eleições para a Constituinte defende que vale mais votar em branco do que votar sem consciência. Começa como membro da Comissão Coordenadora do Programa do MFA. Considera que a Revolução deve ser obra de uma vanguarda revolucionária, onde inclui o MFA e as chamadas classes trabalhadoras, numa aliança com a pequena burguesia. Encabeça quatro dos seis governos provisórios, a partir de 18 de Julho de 1974, liderando governamentalmente o processo revolucionário português, mas estando animicamente ligado ao Partido Comunista Português. O grupo liderante do MFA tinha um bloco central repartido entre os pró-comunistas, representados por Vasco Gonçalves, e os pró-socialistas, ligados a Melo Antunes e ao que haveriam de constituir o Grupo dos Nove, com uma margem de spinolistas e outra de esquerdistas, que vão passando a gravitar em torno de Otelo Saraiva de Carvalho. Gonçalves acede ao poder, depois da queda do Governo Palma Carlos, quando todos os grupos temem o desvio spinolista. Beneficia também dos acontecimentos do 28 de Setembro de 1974 e de 11 de Março de 1975, que podiam conduzir a um regresso do spinolismo, mas, com o Verão Quente, não só entra em ruptura com os socialistas e o Grupo dos Nove, como é hostilizado pelos esquerdistas, acabando por cair. Neste sentido, uma das facetas do PREC pode qualificar-se como gonçalvismo, essa perspectiva portuguesa da legalidade revolucionária e da subversão a partir do aparelho do poder que Vasco Gonçalves protagonizou, com saneamentos, ocupações revolucionárias, intervenções e nacionalizações de empresas e uma certa verborreia antifascista de conotações militarescas à sul-americana, num caldo cultural marcado por certa autenticidade pessoal.

De 1975-08-08 até 1975-09-12 Primeiro  Ministro do V Governo Provisório

De 1975-03-26 até 1975-08-08 Primeiro  Ministro do IV Governo Provisório

De 1974-11-29 até 1974-12-04 Ministro da Educação e Cultura do III Governo Provisório

De 1974-09-30 até 1975-03-26 Primeiro  Ministro do III Governo Provisório

De 1974-07-17 até 1974-09-30 Primeiro  Ministro do II Governo Provisório

                   

Projecto CRiPE- Centro de Estudos em Relações Internacionais, Ciência Política e Estratégia. © José Adelino Maltez. Cópias autorizadas, desde que indicada a origem. Última revisão em: 22-04-2007