Guimarães, Vitorino (1876-1957)

Vitorino Máximo de Carvalho Guimarães. Oficial de administração militar. Começa como franquista, mas logo em 1908 surge como um dos líderes da revolta contra a monarquia. Membro da Jovem Turquia e do partido democrático.

Professor na Escola Militar, no Instituto Superior de Comércio e na entidade que lhe sucedeu, o Instituto Superior de Ciências Económicas e Financeiras.

Assumiu-se politicamente como centrista dos democráticos, entre a ala dos bonzos e dos canhotos. Autor da reforma tributária de 1923.

Deputado às constituintes. Chefe dos serviços administrativos da 2ª divisão do CEP.

Ministro das finanças do governo de José de Castro (de 19 de Junho a 29 de Novembro de 1915).

No congresso dos democráticos de 1920, Vitorino Guimarães opõe-se à linha oficialista que elege Afonso Costa, o qual, contudo, nunca assumirá essas funções. Em 3 de Fevereiro, Ramada Curto considera os democráticos como essa grande cooperativa de produção e consumo. Barros Queirós, convidado para formar governo em Fevereiro, reconhece a pulverização dos partidos.

Ministro das finanças do governo de Cunha Leal ( de 16 de Dezembro de 1921 a 6 de Fevereiro de 1922).

Ministro das finanças do governo de António Maria da Silva (de 14 de Setembro a 13 de Agosto de 1923).  

●Os democráticos ão dominados pela ala bonza de António Maria da Silva, com a oposição de canhotos, liderados por José Domingues dos Santos, e com um grupo centrista, representado por Vitorino Guimarães. Conseguem 74 deputados  e 37 senadores em 1922, quando já integram os dissidentes de Domingos Pereira.

Congresso do partido democrático (23 de Abril de 1923): contra a linha oficial, as candidaturas de Vitorino Guimarães e José Domingues dos Santos.

Chega a propor-se a criação de uma religião laica visando substituir o catolicismo.

●Congresso do partido democrático sem críticas ao governo (25 a 27 de Abril de 1924). Contra a linha oficial, Vitorino Guimarães. O governo passa sem críticas e convida Afonso Costa para embaixador em Londres, mas este cargo acabará por ser ocupado por Norton de Matos, depois da recusa daquele. Norton de Matos abandonara o cargo de alto-comissário em Angola, alegando razões de saúde.

Reunião no Louriçal com Afonso Costa (26 de Agosto de 1924). Almoço de líderes democráticos em casa de Ramos Preto. Pressionam no sentido da formação de um novo governo. Participam Afonso Costa, António Maria da Silva, Domingos Pereira, José Domingues dos Santos e Álvaro de Castro.

Presidente do ministério de 15 de Fevereiro a 1 de Julho de 1925.

Governo nº 92 (Fevereiro) de Vitorino Máximo de Carvalho Guimarães (136 dias, quatro meses e meio, desde 15 de Fevereiro). Vitorino Guimarães (1876-1957), oficial da administração militar, professor no Instituto do Comércio e activista dos jovens turcos, lidera a ala centrista dos democráticos. Os vitorinos que nos governam, como então se diz.  Um cacharolete de democráticos, alvaristas e independentes, segundo a expressão de Cunha Leal. Até porque o novo presidente do ministério não alinha com bonzos nem com canhotos. Ainda é um gabinete concentracionista dirigido por um centrista dentro do partido democrático. Na votação do governo, os dezoito deputados nacionalistas abandonam a sala, tendo o governo passado, por 63-3 (18 de Fevereiro). O gabinete é constituído por sete democráticos, dois alvaristas e um independente. Alguns oposicionistas chegam a falar numa ditadura da incompetência (título do jornal A Época, de 28 de Maio).
●Presidente ocupa a pasta das finanças. No interior, Vitorino Henriques Godinho. Na justiça, Adolfo Augusto de Oliveira Coutinho. Na guerra, o general Ernesto Maria Vieira da Rocha, até 21 de Abril de 1925. Em 23 de Abril de 1925, António Nogueira Mimoso Guerra na guerra. Na marinha, Fernando Augusto Pereira da Silva. Nos negócios estrangeiros, Joaquim Pedro Martins, enquanto membro da Acção Republicana. No comércio, coronel Ferreira de Simas. Nas colónias, António de Paiva Gomes (não chega a tomar posse). Em 16 de Fevereiro de 1925, Henrique Monteiro Correia da Silva (Paço d’Arcos). Na instrução pública, o alvarista Rodolfo Xavier da Silva. No trabalho, Ângelo de Sá Couto da Cunha Sampaio Maia. Na agricultura, Francisco Coelho do Amaral Reis.

A sua principal obra é Contabilidade Pública. Sua Origem e Evolução em Portugal, publicada na Revista da Contabilidade Pública, entre 1941 e 1943.

Portal do Ministério das Finanças

                   

Projecto CRiPE- Centro de Estudos em Relações Internacionais, Ciência Política e Estratégia. © José Adelino Maltez. Cópias autorizadas, desde que indicada a origem. Última revisão em: 22-04-2007