Henriques, Artur Alberto de Campos (1853-1922)

 

 

 

Ministro da justiça de Hintze Ribeiro de 26 de Junho de 1900 a 20 de Outubro de 1904 e de 21 de Março a 19 de Maio de 1906.

 

Ministro da justiça do governo de Ferreira do Amaral, de 4 de Fevereiro a 25 de Dezembro de 1908.

 

Chefe do governo de 26 de Dezembro de 1998 a 11 de Abril de 1909, acumulando o reino. Líder da facção conservadora dos regeneradores. Considerado o cacique mor.

 

Tradição e Revolução, vol. I

 

O sobe e desce dos partidos – Os partidos subindo ao poder, ou descendo do poder, como sobem, ou descem os pratos de uma balança, onde verdadeiramente não havia já governos, mas  uma oligarquia ( João Chagas)

 

Governo nº 51 (26 de Dezembro 1908) Campos Henriques (108 dias). Apoio de dissidentes regeneradores (21 dos 63 deputados) e de lucianistas, gera a oposição de um bloco de vilhenistas e dissidentes progressistas. Apenas é concretizado depois de D. Manuel II tentar uma solução liderada por Veiga Beirão, Sebastião Teles e António de Azevedo. Esta aliança entre os regeneradores de Campos Henriques, apoiados pelo Notícias de Lisboa, e os progressistas de José Luciano, apoiados pelo Correio da Noite, levou à constituição de um bloco entre os regeneradores de Júlio de Vilhena, apoiados pelo Diário Popular, e os dissidentes progressistas de José de Alpoim, movimentação que leva, aliás, à queda do governo. O Presidente acumula o reino. D. João de Alarcão na justiça. António Cabral, a quem chamam as pernas de José Luciano, na marinha e ultramar. D. Luís de Castro (1868-1928), 2º conde de Nova Goa, nas obras públicas. Sebastião Teles mantém-se na guerra. Wenceslau de Lima nos estrangeiro

 

 

Divergências entre monárquicos – Logo após a tomada de posse do novo governo, Júlio de Vilhena, que contava ser chamado pelo rei, demite-se da chefia dos regeneradores, sucedendo-lhe Teixeira de Sousa, em 16 de Janeiro, o que logo provoca nova dissidência, liderada por Campos Henriques. Nesta senda, o vilhenista Caeiro da Mata, em pleno parlamento, acusa Campos Henriques (um governo de camarilha e de sacristia, presidido por um traidor) e Manuel Afonso Espregueira (chama-lhe burlão, por causa de um empréstimo para os Caminhos-de-ferro do Estado) (10 de Março). Segue-se o inevitável duelo entre Caeiro da Mata e o ministro da fazenda (17 de Março).

 

A monarquia dos padres – D. Manuel subiu ao trono e a monarquia foi dos padres ( João Chagas). Também Ferreira do Amaral, na própria Câmara dos Pares, há-de explicar a sua queda argumentando com a intervenção de elementos clericais na vida do Paço.

 

Anticlericalismo – Em 2 de Agosto, uma gigantesca manifestação anticlerical em Lisboa reúne cerca de cem mil pessoas, exigindo-se o cumprimento da lei sobre associações religiosas. Em Dezembro, outra, do mesmo teor, promovida pela Junta Liberal, de Miguel Bombarda, Egas Moniz e do almirante Carlos Cândido dos Reis (1852-1910).

 

O mal está no Paço – O mal de agora, como o mal de sempre, está no Paço. É à sua protecção indiscutível, à simpatia que ele dispensa a todos os elementos de opressão e de obscurantismo, que o clericalismo vai beber alentos, haurir audácia para as suas intoleráveis provocações (Alexandre Braga)

 

 

 

     

 

                   

Projecto CRiPE- Centro de Estudos em Relações Internacionais, Ciência Política e Estratégia. © José Adelino Maltez. Cópias autorizadas, desde que indicada a origem. Última revisão em: 23-04-2007