Leal, Francisco Pinto da Cunha (1888-1970)

Começa a vida política como militante do partido centrista de Egas Moniz em 1917. Deputado do parlamento sidonista em 1918, chegando a exercer, durante esse período, o cargo de director-geral dos
transportes terrestres. Reconhece, contudo que
a congregação
sidonista do republicanismo moderado com o religiosismo católico veio a
soçobrar, já depois da sua morte, por força do irredentismo monarquizante.
Alinha na conspiração republicana contra Tamagnini Barbosa em 1919.
Declaram, então,
querer acabar com a influência monárquica no poder, depurar o exército,
defender em todos os campos e inalteravelmente a República.
Fundador do grupo popular, com Júlio Martins, assumindo a direcção do jornal O Popular.
Segundo Cunha
Leal, que dirigirá imediatamente o jornal do grupo, nunca ultrapassámos o
âmbito duma força ocasional e precária, nem sequer nos abalançámos a
improvisar por esse País fora, um esboço de organização partidária.
Como membro dos populares é ministro das finanças dos governos de Álvaro de Castro e Liberato Pinto, de 20 de
Novembro de 1920 a 22 de Janeiro de 1921.
A guerra permitiu, com o auxílio da fraude,
reunir nas mãos da Moagem capitais disponíveis enormes. A pouco e pouco, as
moagens começam a alargar o seu campo de operações. Eles são senhores, entre
outras coisas, do seguinte: moagens, panificação, indústria da bolacha e
fabrico de massas, energia hidráulica, minas de carvão, metalurgia,
indústria de fiação, etc. O seu poder torna-se estranho, compram jornais
políticos e não políticos e manobram, assim, à vontade, a consciência
pública ( Cunha Leal
em discurso parlamentar de 9 de Janeiro de 1920, atacando as Moagens que o
hão-de convidar depois para seu agente, como director de
O Século)
Na
sequência do outubrismo, torna-se chefe do governo
de 16 de Dezembro de 1921 a 6 de Fevereiro de 1922, acumulando a pasta do interior.
Discursa, então,
nos funerais de António Granjo: a fera que todos nós e eu açulamos, que
anda à solta, matando porque é preciso matar. Todos nós temos culpa! é esta
maldita política (24 de Outubro).
Dirige O Século em 1922-1923.
Ministro das finanças no governo nacionalista de Ginestal Machado, de 15 de Novembro a 18 de Dezembro de 1923.
Reitor
da Universidade de Coimbra em 1924-1925 (demitido, por ter apoiado o 18 de Abril de 1925).
Aceita
a sinecura de vice-governador do Banco Nacional Ultramarino, a partir de 1925.
Fundador da União Liberal Republicana em 1926.
União Liberal Republicana
●Cisão dos nacionalistas nascida em Março de 1926, com a liderança de Francisco da Cunha Leal.
●O grupo é integrado por Vasconcelos e Sá, Mendes Cabeçadas, Vicente Ferreira, Bissaia Barreto, Carlos Pereira, Artur Brandão e João Henriques Pinheiro.
●Vários sidonistas vão aderir ao novo agrupamento, como Teófilo Duarte, Eurico Cameira, Jorge Botelho Moniz (1898-1961) e António Bernardino Ferreira.
●Outro dos imediatos aderentes é Alberto da Cunha Rocha Saraiva.
●Mesmo António José de Almeida terá incitado os antigos evolucionistas a aderirem a Cunha Leal.
Em
28 de Maio de 1926, Cunha Leal também está na cidade dos arcebispos,
almoçando com apoiantes. Discursa no Bom Jesus, criticando o
partido democrático, outrora obediente à ameaça do chicote de nove rabos
do Dr. Afonso Costa, mas que agora nem sequer tem um chefe. é um
instituto tresmalhado. Não perdoa também ao que resta do partido
nacionalista: nem toda a mole ambição do sr. Ginestal Machado, nem todas
as intrigas do sr. Pedro Pita, nem todo o maquiavelismo do sr. Tamagnini
Barbosa são susceptíveis de inspirar confiança à nação…é um organismo
parasitário.
Em
1927, no jornal O Século é divulgada uma carta que Cunha Leal dirige
a Carmona, onde se critica o processo do grande empréstimo e se considera
que a ida de Sinel de Cordes a Genebra equivale a pedir à Sociedade das
Nações que, com o peso da sua autoridade, dispensasse o governo português de
cumprir as leis do País e que sancionasse a Ditadura como forma
normal de governo deste País (20 de Dezembro). Sinel de Cordes responde
a Cunha Leal, numa entrevista ao Diário de Notícias (21 de Dezembro).
Cunhal Leal volta a atacar Sinel de Cordes no Diário de Notícias (22
de Dezembro). Carlos Malheiro Dias em O Século apoia Sinel de Cordes
(27 de Dezembro).
Em
1928 enfrenta o tenente Pinto Correia num duelo em Queluz. Os dois apenas
disparam para o ar (13 de Janeiro). Reunião da comissão executiva da União
Liberal Republicana, presidida por Francisco da Cunha Leal, escolhe para a
direcção do partido Fernando Bissaia Barreto (1886-1974) e Alberto da Cunha
Rocha Saraiva. Delibera concorrer às anunciadas eleições (18 de Janeiro).
Em 1930, como presidente do Banco de Angola, critica os efeitos nesse território da política
financeira de Salazar. Foi demitido. Será preso em Julho desse ano, acusado de promover um golpe de Estado. Deportado para os Açores, evade-se e vai para o exílio, em Espanha.
Cunha
Leal, então director do Banco de Angola, profere uma conferência na Associação
Comercial de Lisboa onde critica violentamente Salazar, por causa de Angola
dizendo que a colónia poderia deixar de ser portuguesa (4 de Janeiro). Nota
oficiosa de Salazar sobre a crise de Angola refuta Cunha Leal (6 de Janeiro).
Novo ataque de Cunha Leal a Salazar é publicado na imprensa (8 de Janeiro).
Discussão do assunto no Conselho de Ministros, com a maioria a manifestar-se
contra Salazar que apenas é apoiado pelo ministro da justiça Lopes da Fonseca.
Carmona aceita a demissão de Ivens Ferraz, apoiando a manutenção de Salazar (11
de Janeiro). Cunha Leal, preso, passa do Aljube para Ponta Delgada e, daqui,
para o Funchal, em Outubro. Evade-se em Novembro, passando para Londres e,
depois, para Espanha, só regressando a Lisboa, amnistiado, em Dezembro de 1932
(Maio). São também presos em Maio João Soares, Moura Pinto, Tavares de Carvalho,
Carneiro Franco e Raúl Madeira.
Nesse
ano ainda considera que o Acto Colonial, depois de bem esprimido, não é nada.
Regressa em 1932.
Surge uma
proposta não concretizada, da iniciativa de Francisco da Cunha Leal e de
Catanho de Meneses, elementos não integrados na Aliança Republicana e
Socialista.
Conspira com Rolão Preto em 1934.
Passa a dirigir A Noite, em 1934-1935. Volta a ser preso em
1935.
Em
1945 considera que Salazar não quer nem sabe trabalhar senão quando nas
ruas reina um pávido silêncio e ninguém discute os frutos do seu labor
Em
1947, sem a alçada do MUD, apresenta-se como candidato por Angola. É apoiado
por Lello Portela de O Sol e por Guilherme Filipe (18 de Outubro).
Candidato pela oposição em Castelo Branco, em Novembro de 1949 e em 1953.
Fundador
do Directório Democrato-Social em 1951.
Em
1957 assume-se como abstencionista e critica o veneno corrosivo da
insinuação bolchevista, apelando à democracia pluralista, que seria
capaz de melhor conter o comunismo que o Estado Novo (Outubro de 1957).
Em 1961 assume-se como defensor da autodeterminação com brancos e pretos.
Entre a sua bibliografia, As Minhas Memórias, Lisboa, Edição do Autor, 1966, bem como os escritos de circunstância Calígula em
Angola, 1924; Norton de Matos, Subsídios para a História do Crédito em Angola, 1930; Os Meus Cadernos, 3 vols., 1932; Diatura, Democracia ou Comunismo, 1931; A Guerra, Dia a Dia, 1939, 4 vols.
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© José Adelino Maltez. Cópias autorizadas, desde que indicada a origem. Última revisão em:
22-04-2007 ![]()