In memoriam do Almocreve das Petas:
José Augusto Seabra nasce em Vilarouco
(S. João da Pesqueira)em 1937. Forma-se em Direito na
Universidade de Lisboa. Convicto opositor ao Estado Novo (fez parte do
MUD Juvenil, conhece Humberto Delgado em
Argel), preso e condenado por motivos políticos, tira o doutoramento em Letras
na École des Hautes Études de Paris(1971) com uma tese
sobre Fernando Pessoa (Analyse structurale des
hétéronymes de Fernando Pesssoa: du poémodrame au poétodrame) e
sob orientação de Roland Barthes do qual traduziu vários
livros), tornando-se professor em Vincennes. Regressa
a Portugal a seguir ao 25 de Abril de 1974, para
leccionar na Faculdade de Letras do Porto. Poeta,
escritor, ensaísta, diplomata (embaixador junto da Unesco,
em Bucareste e Buenos Aires),
colaborador em jornais e revistas (jornal República,
jornal Povo Livre, revista Nova Renascença,
Persona, Bandarra,
Coordenada, Cadernos de Literatura,
Colóquio-Letras, Gazeta Literária,
Notícias do Bloqueio, Raiz e Utopia,
Sílex, Vértice) foi fundador
do Centro de Estudos Pessoanos (juntamente com
António José Saraiva e Maria Glória Padrão) e do
Centro de Estudos Semióticos e Literários, deputado à
Assembleia Constituinte, Assembleia da República e
Ministro da Educação do IX Governo Constitucional
(1983-1984: tendo sido substituído por Deus Pinheiro), integra
o Centro de Estudos Republicanos «Sampaio Bruno» e é
um dos fundadores da Associação de Lusofalantes na Europa
(ALFE). Morre a 27 de Maio de 2004.
"Pela noite o desejo luminoso respira
o hálito dos frutos, o rumor
dos dedos. Pela noite emudece
o silêncio das pálpebras. Os ombros
de maduros se inclinam. Pela noite
a morte desce membro a membro a alma" [JAS,
Nocturno]
"O civismo implica ... uma cultura, que poderemos
designar como cívica, sem que esta se sobreponha às outras formas de cultura,
antes delas seja condição e suporte. A aprendizagem da democracia exige com
efeito que a formação e a realização de cada homem se abra aos mais
diversificados domínios do conhecimento e da criatividade: desde a economia às
questões do conhecimento, desde a filosofia e a ciência às várias manifestações
estéticas, passando por uma ética de convivência assente no respeito dos
direitos do humanos, tudo isso deve enfermar a personalidade de uma
cidadão que se deseje culto e, portanto, politicamente
esclarecido" [JAS, in Cultura Política ou a Cidade
e os Labirintos]
Alguma Bibliografia:
[Poesia] - A Vida Toda, Porto, 1961 / Os Sinais e a Origem,
Portugália, 1967 / Tempo Táctil, Portugália, 1972 / Desmemória, Porto, Brasília,
1977 / O Anjo, Porto, 1980 / Gramática Grega, Porto, 1985 / Fragmentos do
Delírio, Ponta Delgada, 1990 / Poemas do nome de Deus, Macau, 1990 / Epígrafes,
Málaga, 1991 / Enlace (em colaboração com Norma Tasca), 1993 / Sombras de Nada,
1996 / Amar a Sul, 1997 / Conspiração da Neve, Bucareste, 1999 / Oximoros,
Porto, Granito, 2001 / Antologia Pessoal, Brasília, Thesaurus Editora, 2001 /
Tangos Mentais, 2002
[Ensaio & Outros] - Fernando Pessoa: le retour des dieux,
Paris, 1973 / Fernando Pessoa ou o Poetodrama, São-Paulo, 1974 / Portugal face à
Europa: um horizonte cultural, Porto, 1977 / Alexandre Herculano ou a Cicatriz
do Exílio, Porto, 1977 / Poiética de Barthes, Porto, 1980 / Um romântico no
Porto, Porto, 1982 / Mors- Amor (Paixão de Barthes), Porto, 1982 / O Heterotexto
Pessoano, Dinalivro, 1985 / A Pátria de Pessoa ou a Língua Mátria, Porto, 1985 /
Cultura e Política ou a Cidade e os Labirintos, Vega, 1986 / Discurso cultural
de D. António : um diálogo entre a fé e a cultura, Porto, 1990 / Manifesto dos
emigrados da Revolução Republicana Portuguesa de 31 de Janeiro de 1891, Porto,
1991 / Poligrafias Poéticas, Porto, 1994 / O Coração do Texto novos ensaios
pessoanos, Lisboa, 1996 / Edição crítica de Mensagem e Poemas Esotéricos de
Fernando Pessoa (1993) / Tradução de Poemas de Mallarmé Lidos por Fernando
Pessoa (1998) / Caminho Intimo para a Índia, 1999 / De Exílio em Exílio I -
Resistências e Errâncias (1953-1963), Folio Edições, 2004
"Tudo se cumpre exacto como o voo
das gaivotas rasando rente ao rio:
súbitas asas ousam, quase pousam
na água da memória. Assim o exílio" [JAS, Asas,
in Tempo Táctil]