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  Eleições de 1840

Eleições de 1840 (22 de Março)

As terceiras eleições do setembrismo, as segundas e últimas na vigência da Constituição de 1838. 

Foram precedidas pelo decreto de 27 de Fevereiro de 1840, atribuindo poderes constituintes aos deputados. 

Vitória dos novos governamentais ordeiros, contra os chamados radicais

Estava no poder o Governo de Bonfim desde 26 de Novembro de 1839, com Costa Cabral na justiça e Rodrigo da Fonseca no reino, o chamado ministério da transição ou ordeiro.

8ª eleição geral

3ª eleição do setembrismo

2ª eleição na vigência da Constituição de 1838[1]

Parlamento dissolvido em 25 de Fevereiro. Invoca-se um conflito entre os deputados e o preidente das cortes, Guilherme Henrique Pereira de Carvalho, depois bispo de Leiria.

Decreto de 25 de Fevereiro de 1840 manda proceder às eleições

Legislatura de 25 de Maio de 1840 a 10 de Fevereiro de 1842.

22 de Março de 1840

Vitória dos ordeiros situacionistas, sob o governo do conde de Bonfim, efectivamente comandado por Rodrigo da Fonseca que usa muito da chamada galopinagem. Na véspera das eleições surge até uma ampla amnistia para os miguelistas, que a oposição logo qualificou como pacto de sangue. Rodrigo virá a dizer que os deputados são como as casas: compradas depois de feitas ficam mais baratas.

Vitória dos novos governamentais ordeiros, contra os chamados radicais.

Por decreto de 27 de Fevereiro de 1840 atribui-se poderes constituintes ao parlamento que viesse a ser eleito[2].

· Governo de Bonfim desde 26 de Novembro de 1839, com Costa Cabral na justiça e Rodrigo da Fonseca no reino. Era o chamado ministério da transição ou ordeiro.

· Governo de Joaquim António de Aguiar desde Junho de 1841, mantendo-se Costa Cabral.

·Apesar da esmagadora vitória dos governamentais ordeiros contra os radicais, os apoiantes da situação fragmentam-se, surgindo uma coligação para a restauração da Carta, com Seabra e Magalhães contra o ecletismo do Governo ordeiro que não dava suficiente ordem, como assinala Oliveira Martins[3]. Enquanto isto, o setembrismo, expulso da Câmara pela genuidade dos processos de representação nacional, apelara para a revoltai[4]. A nova maioria dividia-se, como salienta o mesmo autor, entre os que seguiam Rodrigo da Fonseca e a sua ordem e os que queriam uma ordem melhor, isto é, a restauração da Carta, pondo em Costa cabral as suas esperanças[5].

Surge então o chamado grupo dos cartistas renegados ou do arsenal cartista com Joaquim António de Magalhãe, António Luís de Seabra, Joaquim Augusto de Aguiar, José Maria Xavier de Araújo e António de Oliveira Marreca, que contaram com a colaboração de Manuel Gonçalves Miranda e Manuel Joaquim Cardoso Castelo Branco. Segundo Lacerda, um corrilho quase oposicionista. Daqui resulta o conflito entre o Conde de Vila Real e António Luís de Seabra que leva à demissão daquele como ministro dos estrangeiros. A oposição setembrista, aproveitando a circunstância, passa a aliar-se a estes cartistas renegados, também ditos da minoria cartista.

·Em 5 de Abril de 1841 morria Manuel Gonçalves Miranda, Grão Mestre do Grande Oriente Lusitano.

Cartistas vencem as eleições municipais no Porto (2 de Janeiro de 1842)

Pronunciamento de Costa Cabral no Porto (27 de Janeiro de 1842)


 

[1] Colen, X, p. 451.

[2] Lacerda, p. 81

[3] Portugal Contemporâneo, II, p. 120.

[4] Idem, p. 121.

[5] Idem, p. 125.