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  Eleições de 1910

46ª eleição geral

37ª eleição da 3ª vigência da Carta

34ª eleição da Regeneração

 

28 de Agosto de 1910

Vitória dos governamentais de António Teixeira de Sousa nas últimas eleições da monarquia

695 471 recenseados

Dissolução da CD em 28 de Junho

Governamentais

89 deputados governamentais, do chamado bloco liberal. Governo venceu em quase todo o país, à excepção de Lisboa, Setúbal, Viseu e Porto, onde apenas obteve minorias, e de Aveiro, Castelo Branco e Arganil, onde não obteve nem maiorias nem minorias.

Bloco oposicionista

50 deputados do bloco oposicionista (progressistas, franquistas, henriquistas, nacionalistas, católicos e miguelistas). Em Beja foram eleitos dois progressistas fora das negociações do bloco conservador.

Republicanos

14 deputados

15 417 votos em Lisboa

Afonso Costa, Alexandre Braga, Alfredo magalhães, António José de Almeida, A. Luís Gomes, Cândido dos Reis, João Menezes, Miguel Bombarda, Teófilo Braga e Bernardino Machado por Lisboa. No círculo oriental, o candidato republicano mais votado obteve 10 990 votos, o governamental, 7445 e o do bloco 2 901. No círculo ocidental, o republicano mais votado obteve 10 379, o governamental  7664 e o do bloco, 5 367.

Brito Camacho por Beja.  António Aurélio da Costa Ferreira, Estevão de vasconcelos e Feio Terenas por Setúbal.

Bloco liberal, apoiante de Teixeira de Sousa

30 deputados regeneradores apoiantes de António Teixeira de Sousa.

8 regeneradores dissidentes

Bloco conservador, das oposições monárquicas

20 deputados regeneradores apoiantes de Campos Henriques.

23 deputados progressistas

5 franquistas

3 nacionalistas

·Governo de António Teixeira de Sousa, de 26 de Junho de 1910 a 5 de Outubro de 1910 Oposição ao governo de um bloco de progressistas, franquistas, henriquistas, nacionalistas, católicos e miguelistas.

Dissolvida a CD em 28 de Junho.

António Teixeira de Sousa eleito chefe dos regeneradores em 23 de Dezembro de 1909.

As últimas eleições do constitucionalismo monárquica, pouco mais de três meses antes da instauração da República. Duplicam os deputado republicanos, que passam para 14. Os apoiantes do governo apenas conseguem cerca de 90 deputados. Os regeneradores dividem-se entre os apoiantes de Campos Henriques (20 deputados) e os de António Teixeira de Sousa (30 deputados). Os próprios franquistas fragmentam-se. Surge um grupo de Lisboa, com Melo e Sousa e Malheiro Reymão, e os que seguem Vasconcelos Porto, em torno do Correio da Manhã.

Bloco conservador

No Verão de 1910 falou-se num grupo de direita e num grupo de esquerda, ambos supra-partidários. Na direita, então dita bloco conservador, alinharam os progressistas de José Luciano, em torno do Correio da Noite, os regeneradores de Campos Henriques, os franquistas de Vasconcelos Porto, com o Correio da Manhã, e os nacionalistas de Jacinto Cândido, em torno de Liberdade, apoiado em Castelo Branco por Tavares Proença, bem como dos jornais Palavra, dirigido por Francisco Gonçalves Cortez, e de Portugal, dirigido pelos jesuítas do padre Matos.

Bloco liberal

No grupo de esquerda ou bloco liberal, estiveram os dissidentes progressistas de José de Alpoim, ditos os buicidentes, os franquistas de Melo e Sousa e Malheiro Reimão, e os católicos de cariz franciscano, contrários ao partido nacionalista, influenciado pelos jesuítas, com Quirino de Jesus e Abúndio da Silva, defensores da democracia cristã.

Divisão entre os republicanos

Mesmo entre os republicanos, há uma esquerda, com Afonso Costa, que lê o jornal O Mundo, e uma direita, com Brito Camacho, que tanto lê A Lucta, como O Povo de Aveiro, de Francisco Homem Christo.

Grupos em vez de partidos

Confirmava-se assim aquilo que referia Fernando Pessoa sobre a monarquia constitucional que nunca teve partidos separados por ideologias diferentes, mas apenas grupos sem noção diferente das coisas e, portanto, como em todo o caso onde a inteligência não impera, governados apenas pelos instintos e pela politiquice de caciques[1].

Ficção

Como observa Raul Brandão, o que resta de pé não passa de ficção. Quem manda, quem governa, mesmo na oposição, são os republicanos … Sucedem-se os governos, mas a força é outra, que se sente por trás do cenário[2].

A ilusão da ditadura plebiscitária

Em 20 de Setembro de 1910 Paiva Couceiro deu uma entrevista a Joaquim Leitão do jornal O Porto onde considerou o país ingovernável, propondo a seguinte solução: Talvez uma ditadura plebiscitária ... à qual se incumbisse a execução de um prefixo programa de governo e de providências, de acalmação e policiamento interno, voltando-se ao cabo do prazo limitado do seu exercício ao viver corrente da normalidade constitucional já moldada noutras formas

A Revolução

Em 22 de Setembro António Ferrão na Alma Nacional assinalava: a Revolução com maiúscula se pode, ou antes, se deve considerar como a resultante de várias revoluções com minúsculas: a dos espíritos, a dos caracteres, a dos costumes, a económica, a financeira, a administrativa, a militar - no bom sentido  ... enfima mais brilhante, a mais teatral, e por isso aquela em que a maioria pensa, sonha - a revolução das ruas



[1] Fernando Pessoa, Sobre a República, p. 117. O mesmo autor salienta que a revolução começa em Junho e acaba em 5 de Outubro, porque, para António Teixeira de Sousa ser chamado ao poder era preciso que a revolução estivesse pronta (p. 118).

[2] Memórias, 1º vol., 2ª ed., p. 264

 


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28 de Agosto de 1910

Vitória dos governamentais de Teixeira de Sousa nas últimas eleições da monarquia

695 471 recenseados

Dissolução da CD em 28 de Junho

Governamentais

89 deputados governamentais, do chamado bloco liberal. Governo venceu em quase todo o país, à excepção de Lisboa, Setúbal, Viseu e Porto, onde apenas obteve minorias, e de Aveiro, Castelo Branco e Arganil, onde não obteve nem maiorias nem minorias.

Bloco oposicionista

50 deputados do bloco oposicionista (progressistas, franquistas, henriquistas, nacionalistas, católicos e miguelistas). Em Beja foram eleitos dois progressistas fora das negociações do bloco conservador.

Republicanos: 14 deputados

15 417 votos em Lisboa

Afonso Costa, Alexandre Braga, Alfredo Magalhães, António José de Almeida, A. Luís Gomes, Cândido dos Reis, João Menezes, Miguel Bombarda, Teófilo Braga e Bernardino Machado por Lisboa. No círculo oriental, o candidato republicano mais votado obteve 10 990 votos, o governamental, 7445 e o do bloco 2 901. No círculo ocidental, o republicano mais votado obteve 10 379, o governamental 7664 e o do bloco, 5 367.

Brito Camacho por Beja. António Aurélio da Costa Ferreira, Estevão de vasconcelos e Feio Terenas por Setúbal.

Bloco liberal, apoiante de António Teixeira de Sousa

30 deputados regeneradores apoiantes de António Teixeira de Sousa.

8 regeneradores dissidentes

Bloco conservador, das oposições monárquicas :

20 deputados regeneradores apoiantes de Campos Henriques.

23 deputados progressistas

5 franquistas

3 nacionalistas