Governo nº 124 de José Manuel Durão Barroso, de coligação entre o PSD e o PP, de Paulo Portas. XV Governo Constitucional. A chamada Convergência Democrática para um governo de legislatura que eleva o líder do PP a ministro da defesa e a militante popular Celeste Cardona a ministra da Justiça, com outro dependente do directório portista a assumir a pasta do emprego e da segurança social, o encartado católico, Bagão Félix. Os restantes ministros são do espaço laranja, com destaque para Manuela Ferreira Leite, nas finanças, os coordenadores políticos Luís Marques Mendes, Nuno Morais Sarmento e José Luís Arnaut, acompanhados, entre outros por Isaltino de Morais, nas cidades, ordenamento e território, António Martins da Cruz, nos estrangeiros, Luís Valente de Oliveira, nas obras públicas, transportes e comunicações, António Figueiredo Lopes, na administração interna, Carlos Tavares, na economia, Armando Sevinate Pinto, na agricultura, David Justino, na educação, Pedro Lynce, na ciência e universidades, Pedro Roseta, na cultura, e Luís Filipe Pereira, na saúde. Contrariando os desejos de José Saramago, Portugal volta a ser governado pela chamada direita, por essa soma de militantes do PSD e do PP que são sufragados pelo voto popular e parecem ter consigo a maioria da opinião pública. Mas tal direita governamental não ascende ao poder apoiada por um infra-estrutural movimento da opinião pública, ou mobilizada por consequentes criadores culturais de direita, dado que estes continuam silenciados pela geração do Maio de 68 que quase monopoliza os aparelhos ideológicos, desde a comunicação social à linha da frente dos agentes culturais e dos professores e programas do ensino básico e secundário. Assim, apesar de aprovado o programa do novo executivo e perante o compreensível desvario do PS, do PCP e dos bloquistas, os adversários do poder estabelecido começam a falar no mais evidente calcanhar de Aquiles da situação, a circunstância do mesmo assentar em indisfarçáveis lobbies empresariais, numa altura em que não existem mecanismos de controlo dos próprios registos de interesses. Pode ser que ao programa do governo falte uma prioridade das prioridades ou uma ideia de Portugal, mas enquanto a oposição estiver reduzida aos antigos ministros de Guterres, aos salvadores do último estalinismo do mundo ou aos líderes dos bloquismo, basta que Barroso lance umas bocas de RGA, como a da tanga, para que, durante semanas, se comentarize esse argumento. Quem subiu ao poder contra tudo e contra todos, seguirá sempre o velho conselho do vale mais um pássaro na mão que dois a voar!

 

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Projecto CRiPE- Centro de Estudos em Relações Internacionais, Ciência Política e Estratégia. © José Adelino Maltez. Cópias autorizadas, desde que indicada a origem. Última revisão em: 31-03-2009