Primeiro Governo de Fontes (1871-1877)

  1871 Da proibição das Conferências do Casino aos 2001 dias de governo fontista

  1872 Fraternidade Operária, primeiras greves, democratas-cristãos e golpe do marquês de Angeja

  1873 República em Espanha, Antero nos Açores e dois bancos por mês

  1874 A ilusão do fontismo e o regresso dos Bourbons a Espanha

  1875 Fundação do Partido Socialista e da Sociedade de Geografia – Invenção do Zé Povinho

  1876 Fundação do Partido Republicano e da Caixa Geral de Depósitos, antes do Pacto da Granja

  1877 A camarilha do Paço eleva Ávila ao poder, depois da queda de Fontes

Governo nº 34 de Fontes (2 001 dias, desde 13 de Setembro de 1871). Governo regenerador, com o apoio de avilistas e constituintes. Oposição de históricos e reformistas. Gabinete monopartidário com o apoio parlamentar de avilistas e constituintes. Oposição de históricos e reformistas. Depois da fragmentação partidária, chegam cinco anos e meio de estabilidade política, no mais longo gabinete desde a Regeneração.

Mais do que fontículo. Fontes, que mistura algo do estilo de Costa Cabral, com a matreirice de Rodrigo da Fonseca, deixa de ser considerado o fontículo, como até então o alcunhavam. Se surgem sucessivas fornadas de pares, também é antecipada a abolição total da escravatura em 2 de Fevereiro de 1876, por iniciativa do par Sá da Bandeira.

O presidente acumula sempre a pasta da guerra. Até 11 de Outubro de 1872 agrega a fazenda. Em 6 de Setembro de 1875 passa a juntar a marinha. Rodrigues Sampaio no reino. João Andrade Corvo (1824-1890) nos estrangeiros (acumulará a marinha desde 19 de Novembro de 1872). Augusto César Barjona de Freitas (1834-1900) na justiça. António Cardoso Avelino (1822-1889), magistrado, impulsionador dos caminhos-de-ferro da Beira Alta, nas obras públicas (até 9 de Novembro de 1876). Jaime Constantino de Freitas Moniz (1837-1917), professor do Curso Superior de Letras, na marinha (até 19 de Novembro de 1872).

Liberal e conservador – Fontes consegue, pelo equilíbrio e pelo pragmatismo, captar uma ampla base social e política de apoio, com breves referências doutrinárias. Dizia-se liberal e conservador, mas desdenhava a restauração, apesar de herdar alguma coisa do estilo de Costa Cabral e de praticar muita da matreirice de Rodrigo da Fonseca. Se consegue mobilizar avilistas e constituintes, provoca também que os reformistas e os históricos se congreguem numa oposição dita progressista que assume a bandeira da memória liberal, gerada pelo setembrismo e pela patuleia. E permite que muitas ideias novas se grupusculizem, desde os novos católicos do grupo A Palavra, aos socialistas e republicanos. O vulcão das novas ideias políticas europeias, perante a estabilidade governativa portuguesa consegue aqui entrar pelo puro prazer das ideias pensadas, gerando-se movimentos que nascem dos princípios e das abstracções e que têm tempo de adequação às circunstâncias.

  Governo anterior

Governo posterior  

Governo de Fontes

Desde 13 de Setembro de 1871 a 5 de Março de 1877

Cerca de cinco anos e meio. 2001 dias.

13º governo da Regeneração

3º governo regenerador

1º governo fontista

10º governo sob o reinado de D. Luís

Promove as eleições de 12 de Julho de 1874. Considerado o mais estável de todos os governos da regeneração.

·O presidente acumulou sempre a pasta da guerra. Até 11 de Outubro de 1872 acumulou a fazenda. Em 6 de Setembro de 1875 passou a acumular a marinha.

 

· Rodrigues Sampaio no reino

· João Andrade Corvo nos estrangeiros (acumulará a marinha desde 19 de Novembro de 1872).

· Barjonade Freitas na justiça

· António Cardoso Avelino, magistrado, impulsionador dos caminhos de ferro da Beira Alta, nas obras públicas (até 9 de Novembro de 1876)

· Jaime Constantino de Freitas Moniz, professor do Curso Superior de Letras, na marinha (até 19 de Novembro de 1872)

·Governo monopartidário regenerador com o apoio parlamentar de avilistas e constituintes. Oposição de históricos e reformistas. Fontes assume a plenitude do fontismo, misturando algo do estilo de Costa Cabral, com a matreirice de Rodrigo da Fonseca. Deixa de ser considerado o fontículo, como até então o alcunhavam. Surgem sucessivas fornadas de pares. Antecipada a abolição total da escravatura em 2 de Fevereiro de 1876, por iniciativa do par Sá da Bandeira.

Em 11 de Outubro de 1872:

· António Serpa, lente da Politécnica, substitui Fontes na fazenda.

·Cria-se a Caixa Geral de Depósitos. Depressão de 1873 é vencida em 1874. Instituída a Sociedade de Geografia de Lisboa (1876).

Em 19 de Novembro de 1872:

·Jaime Constantino de Freitas Moniz, professor do Curso Superior de Letras, então doente, é substituído por Andrade Corvo na marinha.

·Funda-se em 10 de Janeiro de 1875 o Partido Socialista Português. Em Espanha surge a República Federativa e Antero defende uma federação republicana-democrática. Surge A Teoria do Socialismo (1872) e Portugal e o Socialismo (1873) de Oliveira Martins. Criado um Centro Eleitoral Republicano Democrático (1876).

Em 9 de Novembro de 1876:

·António Cardoso Avelino substitui Barjona de Freitas na justiça;

·Para a pasta das obras públicas, de Avelino, é nomeado Lourenço António de Carvalho.

·Fusão de históricos e reformistas pelo Pacto da Granja (7 de Setembro de 1876). Morte dos grandes vultos da regeneração, como Joaquim António de Aguiar (1874), Duque de Loulé (1875), Sá da Bandeira e Saldanha (1876) e Alexandre Herculano (1877).

 

 

13-Set-71

02-Ago-72

06-Set-75

09-Nov-76

Presidência

Fontes

Fontes

Fontes

Fontes

Reino

Rodrigues Sampaio

Rodrigues Sampaio

Rodrigues Sampaio

Rodrigues Sampaio

Estrangeiros

Andrade Corvo

Andrade Corvo

Andrade Corvo

Andrade Corvo

Guerra

Fontes

Fontes

Fontes

Fontes

Marinha

Freitas Moniz

Freitas Moniz

Fontes

Fontes

Fazenda

Fontes

António Serpa

António Serpa

António Serpa

Justiça

Barjona de Freitas

Barjona de Freitas

Barjona de Freitas

Cardoso Avelino

Obras Públicas

Cardoso Avelino

Cardoso Avelino

Cardoso Avelino

Lourenço António de Carvalho

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Projecto CRiPE- Centro de Estudos em Relações Internacionais, Ciência Política e Estratégia. © José Adelino Maltez. Cópias autorizadas, desde que indicada a origem. Última revisão em: 31-03-2009