Governo de António José de Ávila (1877-1878)

1877 A camarilha do Paço eleva Ávila ao poder, depois da queda de Fontes

1878 Novo governo de Fontes e começo das manigâncias

Governo nº 35 de Ávila (331 dias, desde 5 de Março). Os novos progressistas, que contam ser chamados, atacam o rei, falando em camarilha do Paço. Apoiam, contudo, o gabinete no parlamento, ao lado dos regeneradores. Aliás, na Câmara dos Deputados, o governo nem sequer tem oposição, dado que os regeneradores e os progressistas apenas entram em competição sobre quem mais está disposto a apoiar o governo. Só o deputado independente António Augusto Ferreira de Melo (1838-1891), visconde Moreira de Rei, rema contra a corrente da hipocrisia. Já na Câmara dos Pares, José Dias Ferreira assume uma atitude claramente oposicionista. O monarca lavrou então o decreto mandando o seu antigo ministério bochechar e encarregou o senhor marquês de Ávila e Bolama de reunir com os seus amigos o número de dentes necessários para formar uma gerência duradoura e firme (Ramalho Ortigão).

Presidente acumula o reino e os estrangeiros. José de Sande Magalhães Mexia Salema (1812-1873) na justiça. António Florêncio de Sousa Pinto na guerra. João Gualberto de Barros e Cunha (1826-1882) nas obras públicas. José de Melo Gouveia na marinha. Carlos Bento da Silva na fazenda. Em 10 de Setembro de 1877: Melo Gouveia passa a acumular a fazenda, substituindo aqui Carlos Bento da Silva

  Governo anterior

Governo posterior  

Governo de António José de Ávila

De 5 de Março de 1877 a 29 de Janeiro de 1878

331 dias

14º governo desde a Regeneração

1º governo do rotativismo

11º governo sob o reinado de D. Luís

 

·Presidente acumula o reino e os estrangeiros

· José de Sande Magalhães Mexia Salema na justiça

· António Florêncio de Sousa Pinto na guerra

· João Gualberto de Barros e Cunha nas obras públicas

· José de Melo Gouveia na marinha (acumulará a fazenda, desde 10 de Setembro)

· Carlos Bento da Silva na fazenda

· Fontes pediu a demissão por estar doente. Na mesma situação encontrava-se o seu número dois, António Serpa. Fontes indicou Ávila a D. Luís.

·O governo é constituído, na maioria, por avilista, à excepção dos então independentes Barros e Cunha e Melo Gouveia. Ávila era presidente da Câmara dos Pares.

·O novo governo foi recebido na Câmara dos Deputados sem oposição. Os regeneradores e os progressistas apenas competiam sobre quem mais estava disposto a apoiar o governo. Apenas se levantou o deputado independente visconde Moreira de Rei. Já na Câmara dos Pares, José Dias Ferreira assumiu uma atitude claramente oposicionista.

·Barros e Cunha tem, então, grande prestígio e logo toma medidas de austeridade, nomeadamente pela redução das gratificações.

·Na área ultramarina, os ingleses Cameron e Young lançaram uma campanha contra Portugal acusado de ser um país de negreiros. Como resposta, a Academia das Ciências encarregou Pinheiro Chagas de realizar uma série de conferências sobre os decobrimentos portugueses.

·Em 24 de Março, determinado o recenseamento geral da população. O primeiro será realizado em 31 de Dezembro de 1877

·Em 29 de Junho são amnistiados os Implicados na pavorosa

·Em 24 de Agosto de 1877 chega a Lisboa D. Pedro II do Brasil.

Em 10 de Setembro de 1877:

·Melo Gouveia passa a acumular a fazenda, substituindo aqui Carlos Bento da Silva

·O governo tentou contrair um empréstimo internacional de 6 500 000 libras, junto da casa Baring Brothers, em Londres. Mas a imprensa de Londres e Paris levanta suspeitas sobre Portugal, acusado de não pagar os juros ajustados. Daí que o governo apenas tenha conseguido um empréstimo de 3 milhões de libras. Carlos Bento da Silva é forçado a demitir-se.

·Morte de Alexandre Herculano em 13 de Setembro de 1877

·Em 21 de Outubro Fontes regressa a Lisboa, depois de uma longa viagem pela Europa.

·Inaugurada a ponte D. Maria Pia em 4 de Novembro de 1877. Começara a ser construída em 5 de Janeiro de 1875, pela casa Eiffel de Paris

·Viagens de exploração africana de Serpa Pinto, Capelo e Ivens (partiram para Luanda em 7 de Julho de 1977).

·Em 28 de Dezembro de 1877, os progressistas declaram apoiar incondicionalmente o governo, mas sem se responsabilizarem pelos respectivos actos.

·Em 26 de Janeiro de 1878 foi aprovada uma moção de censura ao governo, acusado de esbanjador e antiliberal, por iniciativa do chefe dos constituintes, Dias Ferreira. Os regeneradores votaram contra o governo, invocando a circunstância do ministro das obras públicas ter tomado uma posição contra os fontistas na chamada questão da Penitenciária. Entre os regeneradores que atacaram o governo, destacaram-se Lopo Vaz, contra a política financeira e Júlio Vilhena, contra a política de Barros e Cunha. Tomás Ribeiro também fez um vigoroso discurso oposicionista. Em defesa do governo, saiu o deputado progressista José Luciano.