Governo de Anselmo José Braamcamp (1879-1881)

1879 O primeiro governo progressista –Braamcamp: moralidade e liberdade

1880 A procura da Vida Nova – Do centenário de Camões à chegada dos telefones

1881 Portugal Contemporâneo, cinco anos de fontismo, epidemia positivista e imperialismo

Governo nº 37 de Anselmo Braamcamp (664 dias, desde 1 de Junho de 1879). O primeiro governo progressista, dando-se início ao chamado rotativismo puro, num jogo de partidos-sistema que se assumem como irmãos-inimigos. Promete-se moralidade e liberdade. Os avilistas, através de Barros e Cunha, dão apoio. Dias Ferreira, pelos constituintes, promete apenas benevolência. Os regeneradores entram em imediata oposição, através dos discursos de Lopo Vaz, Ernesto Rodolfo Hintze Ribeiro (1849-1907) e Júlio Vilhena.

Presidente acumula os estrangeiros. José Luciano de Castro Pereira Corte Real (1834-1914) no reino; Adriano de Abreu Cardoso Machado (1829-1891) na justiça; Henrique de Barros Gomes (1843-1898) na fazenda; Augusto Saraiva de Carvalho nas obras públicas; João Crisóstomo de Abreu e Sousa na guerra; 3º marquês de Sabugosa, António Maria da Silva César e Meneses (1825-1893) na marinha (até 17 de Junho)

A figura de Anselmo – Uma grave e entristecida figura, alquebrada, nostálgica, levemente céptica...um dos últimos da geração dos Passos, dos Cabrais, de Saldanha, de Sá da Bandeira, de Herculano, de Garrett, de José Estevão, do Sampaio da Revolução, e de Rodrigo da Fonseca (Oliveira Martins, sobre Anselmo Braamcamp).

  Governo anterior

Governo posterior  

Governo de Anselmo José Braamcamp

De 1 de Junho de 1879 a 25 de Março de 1881

664 dias

16º governo depois da Regeneração

1º governo progressista

3º governo do rotativismo

13º governo sob o reinado de D. Luís

Promove as eleições de 19 de Outubro de 1879

   

Presidência e estrangeiros

Presidente acumula os estrangeiros. Tratado de Lourenço marques aprovado em 8 de Março de 1880.

Reino

José Luciano de Castro Pereira Corte Real no reino. Apresenta proposta de lei de responsabilidade ministerial em 4 de Fevereiro de 1880.

Justiça

Adriano de Abreu Cardoso Machado na justiça;

Fazenda

Henrique de Barros Gomes na fazenda. Proposta de imposto sobre o real de água em Fevereiro de 1880.

Obras Públicas

Augusto Saraiva de Carvalho nas obras públicas. Cria uma comissão para estudar a crise agrícola do país em 10 de Julho de 1879

Guerra

João Crisóstomo de Abreu e Sousa na guerra

 

Em 29 de Novembro de 1880: José Joaquim de Castro. Suspende o decreto que permitia a reforma dos coronéis como generais de devisão.

Marinha e ultramar

3º marquês de Sabugosa, António Maria da Silva César e Meneses (1825-1893) na marinha (até 17 de Junho)

 

Em 17 de Junho de 1080: Braamcamp

 

Em 3 de Julho de 1880: visconde de S. Januário

Governo de Anselmo José Braamcamp

De 1 de Junho de 1879 a 25 de Março de 1881

664 dias

16º governo depois da Regeneração

1º governo progressista

3º governo do rotativismo

13º governo sob o reinado de D. Luís

Promove as eleições de 19 de Outubro de 1879

·Presidente acumula os estrangeiros.

· José Luciano de Castro Pereira Corte Real no reino;

·Adriano de Abreu Cardoso Machado na justiça;

· Henrique de Barros Gomes na fazenda;

· Augusto Saraiva de Carvalho nas obras públicas.

· João Crisóstomo de Abreu e Sousa na guerra

· marquês de Sabugosa, António Maria da Silva César e Meneses (1825-1893) na marinha (até 17 de Junho)

·Os ministros têm quase todos experiência governamental, à excepção de Adriano Machado e Barros Gomes.

·Governo promete moralidade e liberdade. Avilistas, através de Barros e Cunha, prometem apoio. Dias Ferreira, pelos constituintes, promete apenas benevolência. Os regeneradores entram em imediata oposição, através dos discursos de Lopo Vaz, Hintze Ribeiro e Júlio Vilhena. O deputado independente visconde Moreira de Rei indigna-se, criticando o flagelo dos princípios, pelo facto de ter caído um governo que tanto tinha a maioria na Câmara dos Deputados, como a confiança do monarca. Por isso suspende funções.

·Em 9 de Junho chega a Lisboa Serpa Pinto. Iniciara a travessia de África com Capelo e Ivens em 7 de Julho de 1877. No Bié, em 12 de Novembro do mesmo ano, separa-se de Capelo e Ivens, que se dirgem para nordeste, e segue para sul, chegando a Pretória em 12 de Fevereiro de 1879.

·Em 12 de Junho começa a publicar-se o periódico António Maria de Rafael Bordalo Pinheiro, com a colaboração de Ramalho Ortigão e Guilherme de Azevedo.

·Em 18 de Junho é aprovado o tratado sobre a Índia, negociado pelo anterior governo, através de Andrade Corvo. Para o executar, como comissário na Índia, foi designado o constituinte António Augusto de Aguiar, que partiu em 6 de Setembro.

·Em 10 de Julho o governo cria uma comissão para estudar a crise agrícola do país

·Dissolução da Câmara dos Deputados em 29 de Agosto.

·Em 19 de Outubro de 1879, eleições

·Em 17 de Março de 1880, comício republicano no Teatro dos Recreios, com Manuel Arriaga, Elias Garcia e Magalhães Lima

·Reabrem as Cortes em 2 de Janeiro de 1880

·Ano do centenário de Camões, promovido por Teófilo Braga, com o apoio de Ramalho Ortigão. No dia 10 de Junho, houve um grande cortejo em Lisboa.

Continuação do governo de Anselmo José Braamcamp

De 1 de Junho de 1879 a 25 de Março de 1881

664 dias

Em 17 de Junho de 1880:

·Anselmo José Braamcamp na marinha, em lugar de Sabugosa (até 3 de Julho)

·Fornada de 26 pares (Janeiro de 1880).

·Em Fevereiro, o deputado regenerador Hintze Ribeiro ataca o governo, acusando-o de irregularidades eleitorais. Resposta de José Luciano. E Dias Ferreira aproveita a ocasião para acusar do mesmo procedimento tanto os governamentais como os regeneradores.

·Em 4 de Fevereiro de 1880, o ministro José Luciano apresenta uma proposta de lei sobre a responsabilidade ministerial. A proposta é aprovada na Câmara dos Deputados, mas nunca foi admitida na Câmara dos Pares. Era a sexta proposta frustrada sobre a matéria (3 de Janeiro 1823; 4 de Dezembro de 1826; 24 de Fevereiro de 1827; 6 de Fevereiro de 1828; 3 de Outubro de 1834; 1 de Abril de 1848).

·Governo apresenta proposta de imposto sobre o real de água. Ataques do conde de Valbom e de Fontes.

·Em 17 de Fevereiro de 1880, estreia-se como deputado António Cândido, propondo vida nova. Uma vida nova prometedora dos mais largos serviços à causa da liberdade.

·Em 7 de Junho encerra o parlamento.

·Em 1880, ano do tricentenário de Camões, funda-se O Século e a imprensa faz ataque feroz ao Tratado de Lourenço Marques, destacando-se os publicistas republicanos. As comemorações iniciam-se no dia 8 de Junho.

Em 3 de Julho de 1880:

· Visconde de S. Januário substitui Braamcamp  na pasta da marinha.

·Em 5 de Setembro de 1880, eleições suplementares para quinze vagas de deputados, com abstenção dos regeneradores. Os republicanos são derrotados em Lisboa e Elias Garcia, já sem o apoio de Fontes, recebe apenas 997 votos. Os outros candidatos republicanos têm votações inferiores: Magalhães Lima, 519 votos, e Antero de Quental, apenas 25…

Em 29 de Novembro de 1880:

·João Crisóstomo é substituído por José Joaquim de Castro na guerra. Suspenso o decreto que permitia a reforma dos coronéis como generais de divisão

·Fornada de 16 pares em 30 de Dezembro de 1880

·Em Janeiro de 1881, a oposição de regeneradores, avilistas e constituintes, decide discutir o discurso da Coroa. O governo passa na Câmara dos Pares apenas por três votos.

·Comício da oposição monárquica em 30 de Janeiro de 1881.

·Nesse ano de 1881, Oliveira Martins edita o Portugal Contemporâneo.

·O Tratado de Lourenço Marques é aprovado na Câmara dos Deputados por 74 votos a favor e 19 contra, em 8 de Março, quando ocorrem novos comícios de oposicionistas monárquicos e republicanos. Desaparecem as referências às concessões perpétuas. O Tratado fora negociado pelo governo regenerador, através de Andrade Corvo, em 30 de Maio de 1879.

·Em 13 de Março houve uma carga da Guarda Municipal contra comício republicano que decorria na Rua de S. Bento

·Mais uma fornada de sete pares em 1881

 

Projecto CRiPE- Centro de Estudos em Relações Internacionais, Ciência Política e Estratégia. © José Adelino Maltez. Cópias autorizadas, desde que indicada a origem. Última revisão em: 31-03-2009