1º Governo de José Luciano (1886-1890)

1886 Governo deJosé Luciano: quatro anos de velha raposa

1887 Morte de Fontes, Esquerda Dinástica e Vida Nova

1888 Da publicação de Os Maias à emergência dos Vencidos da Vida

1889 Morte de D. Luís e república no Brasil

1890 Do Ultimatum ao falado governo extra-partidário

Governo nº 39 José Luciano (desde 20 de Fevereiro de 1886, 1425 dias). 2º governo progressistas e 15º e último governo do reinado de D. Luís que dura cerca de quatro anos. O próprio Fontes indica José Luciano a D. Luís. Chega Às culminâncias do poder quem dava tudo o que se podia dar – e que não lhe pertencia – lugares, negócios e empregos. Talvez. Mas se não teve a grandeza de resistir aos homens, conteve os interesses fatais dentro de certos limites (Raul Brandão). Há uma maioria regeneradora nas Cortes. Tem como principais ministros Francisco António da Veiga Beirão (1841-1916), Emídio Júlio Navarro (1844-1905) e Barros Gomes. Chega a falar-se na hipótese de Oliveira Martins ascender ao governo como titular de um novo Ministério da Agricultura, ao que se opõe Navarro, o novo ministro da área económica, que cria, no MOPCI, uma direcção de agricultura, com agrónomos distritais, visando o chamado fomento rural, bem como os institutos industriais e comerciais. O ministro mais próximo de D. Luís é Barros Gomes, de quem o rei dizia, o meu dilecto ministro dos estrangeiros. Mariano e Emídio tinham sido violentos críticos da postura do rei que, no entanto, não põe obstáculo à respectiva nomeação, ao contrário do que fizera em 1879, relativamente a Mariano.

Os ministros constantes são o antigo reformista Francisco António da Veiga Beirão (1841-1916), considerado um homem da esquerda antiga, na justiça, e Henrique Barros Gomes, nos estrangeiros. Outros ministros: Henrique Macedo Pereira Coutinho (1843-1910), 1º Conde de Macedo, ma marinha e ultramar até 23 de Fevereiro de 1889, quando é substituído por Frederico Ressano Garcia (1836-1913); Emídio Júlio Navarro nas obras públicas, até 23 de Fevereiro de 1889, data em que é substituído por Eduardo José Coelho (1836-1913). Mariano Cirilo de Carvalho (1836-1905) na fazenda, até 9 de Novembro de 1889, quando é substituído por Augusto José da Cunha(1834-1919). Visconde de S. Januário na guerra, até 9 de Novembro de 1889, quando é substituído por José Joaquim de Castro.

A arte de fabricar maiorias – O governo tem sido uma arte de fabricar maiorias e que o povo quer governar, quer ser governado: nisto se resume tudo; e na nossa universal e deplorável decadência, o rei é o melhor penhor de uma tal ou qual estabilidade de coisas (Oliveira Martins).

Remodelações – Em 5 de Agosto: Henrique de Barros Gomes na marinha e ultramar interinamente, até 27 de Setembro.

Em 27 de Setembro: Henrique de Macedo retoma a pasta da marinha.

Em 6 de Outubro de 1886: José Luciano de Castro assume a justiça interinamente.

Em 19 de Outubro de 1886: Veiga Beirão retoma a justiça

  Governo anterior

Governo posterior  

Governo de José Luciano

De 20 de Fevereiro de 1886 a 14 de Janeiro de 1890

1425 dias

18º governo depois da Regeneração

5º governo do rotativismo

2º governo progressista

1º governo lucianista

15º e último governo sob D. Luís, 1º governo sob D. Carlos

Dura cerca de 4 anos

Promove as eleições de 6 de Março de 1887 e de 20 de Outubro de 1889

·Presidente acumula o reino.

Os ministros constantes são

· Francisco António da Veiga Beirão na justiça

·Henrique Barros Gomes nos estrangeiros.

Outros ministros:

·Henrique Macedo Pereira Coutinho, ma marinha e ultramar até 23 de Fevereiro de 1889, quando é substituído por Frederico Ressano Garcia;

·Emídio Júlio Navarro nas obras públicas, até 23 de Fevereiro de 1889, dat em que é substituído por Eduardo José Coelho

·Mariano Cirilo de Carvalho na fazenda, até 9 de Novembro de 1889, quando é substituído por Augusto José da Cunha.

·Visconde de S. Januário na guerra, até 9 de Novembro de 1889, quando é substituído por José Joaquim de Castro

·O próprio Fontes indicou José Luciano a D. Luís. Havia uma maioria regeneradora nas Côrtes.

·Chegou a ser aventada a hipótese da criação de um ministério da agricultura, para cuja titularidade seria chamado Oliveira Martins. Gorada a hipótese, face à recusa de Emídio Navarro, ministro das obras públicas, de cujos serviços sairia o novo ministério. Martins passa a opor-se a Navarro e Mariano, a partir do jornal A Província. Em 1877 era eleito deputado progressista. O ministro mais próximo de D. Luís era Barros Gomes, de quem o rei dizia, o meu dilecto ministro dos estrangeiros. Mariano e Emídio tinham sido violentos críticos do monarqca que, no entanto, não pôs obstáculo à respectiva nomeação, ao contrário do que fizera em 1879, relativamente a Mariano.

·Apresentação parlamentar do novo governo em 22 de Fevereiro. Oposição regeneradora, apesar de frontal, não apresenta nenhuma moção de desconfiança. O governo rejeita governar com o orçamento anterior. Latino Coelho, na Câmara dos pares assume-se como republicano.

 ·No ano de 1886, ano da greve de Chicago pelo horário das 8 horas (1 de Maio), destacam-se as reformas das estruturas estaduais de apoio à agricultura levadas a cabo por Emídio Navarro, da criação de uma Direcção-geral de Agricultura e de agrónomos distritiais (28 de Julho) à instituição das circunscrições regionais agrícolas e do Conselho Superior de Agricultura (9 de Dezembro). O mesmo ministro em 30 de Dezembro estabeleceu uma reforma dos institutos industriais e comerciais de Lisboa e do Porto.

·No ano de 1887 morre Fontes Pereira de Melo (23 de Janeiro), sucedendo-lhe António Serpa na chefia dos regeneradores (a eleição foi anunciada em 1 de Agosto). Morre também António Augusto de Aguiar. Surge o projecto de lei de fomento rural de Oliveira Martins (27 de Abril), enquanto o deputado Ferreira de Almeida esbofeteia o ministro da marinha em plena Câmara dos Deputados (7 de Maio).

Em 5 de Agosto de 1886:

·Henrique de Barros Gomes na marinha e ultramar interinamente, até 27 de Setembro

 

Em 27 de Setembro de 1886:

·Henrique de Macedo retoma a pasta da marinha

 

Em 6 de Outubro de 1886:

·José Luciano de Castro assume a justiça interinamente

 

Em 19 de Outubro de 1886:

·Veiga Beirão retoma a justiça

·Eleições em 6 de Março de 1887.

Continuação do governo de José Luciano

Desde 20 de Fevereiro de 1886 a 14 de Janeiro de 1890

1425 dias

Em 9 de Maio de 1887:

·Barros Gomes substitui Henrique Macedo na marinha

·António Arroio chama a José Luciano presidente carnavalesco em 18 de Abril

·Ferreira de Almeida em 7 de Maio esbofeteia em plena Câmara dos Deputados o ministro Henrique Macedo que responde a murro. Ministro é demitido. Deputado condenado a 4 meses de prisão. Deputado era tenente da armada.

·Em 7 de Maio, nova cena de pugilato no parlamento entre José de Azevedo Castelo Branco e Bivar de Sousa.

·Em 20 de Junho, numa reunião de regeneradores, em casa de Barbosa du Bocage eleito António Serpa para suceder a Fontes pereira de Melo. Oposição de Barjona de Freitas. António Augusto de Aguiar não votou. Jaime Moniz propôs o adiamento. Tomás Ribeiro, Andrade Corvo, Barros e Sá e  Melo Gouveia não comapreceram à reunião.

·Em 31 de Julho, Barjona de Freitas anuncia a criação de um novo partido, a Esquerda Dinástica. No dia 1 de Agosto discursa na Câmara dos Deputados sobre a matéria. António Serpa é apoiado na Câmara dos Deputados por Lopo Vaz e na Câmara dos pares por Hintze Ribeiro.

Em 15 de Setembro de 1887:

·Henrique Macedo retoma a pasta da marinha

 

Em 13 de Julho de 1888:

·Barros Gomes na marinha

 

Em 15 de Novembro de 1888:

·José Joaquim Gomes de Castro na guerra, em lugar do visconde de S. Januário

·No dia 1 de Fevereiro de 1889, as Cortes são adiadas por 60 dias até 5 de Abril de 1889.

Em 23 de Fevereiro de 1889:

·Eduardo José Coelho nas obras públicas, em lugar de Emídio Navarro

·Frederico Ressano Garcia na marinha e ultramar, em lugar de Barros Gomes

·Barros Gomes na fazenda, em lugar de Mariano Cirilo de Carvalho

 ·No ano de 1888 é editado o Código Comercial de Veiga Beirão e surge o grupo dos Vencidos da Vida, enquanto Eça de Queirós publica Os Maias. Em 27 de Fevereiro o deputado Ferreira de Almeida propôs a alienação de Moçambique, Guiné, Cabinda, Macau e Timor.

Em 9 de Novembro de 1889:

·Augusto José da Cunha na fazenda, em lugar de Barros Gomes

·Marino João Franzini na guerra em lugar de José Joaquim Gomes de Castro

 

 

Projecto CRiPE- Centro de Estudos em Relações Internacionais, Ciência Política e Estratégia. © José Adelino Maltez. Cópias autorizadas, desde que indicada a origem. Última revisão em: 31-03-2009