Governo de José Dias Ferreira (1892-1893)

1892 A
desilusão governamental de Oliveira Martins e a manha de Zé Dias
1893 A
esperança da nova geração regeneradora no governo: entre Hintze e
Franco
Governo
nº 42 (desde 17 de Janeiro de 1892) de José Dias
Ferreira (404 dias). Chegam a ser sondados Joaquim Tomás Lobo de Ávila
e Lopo Vaz. Continua a procurar-se uma espécie de acalmação partidária.
Na sua primeira fase, é chamado o gabinete da Vida Nova, de acordo
com o lema de Oliveira Martins, o rei reina, o rei governa, e governar é mandar,
em nome do intervencionismo da coroa. Apesar de nenhum deles ter partido,
o gabinete tem o apoio parlamentar dos regeneradores.
Presidente
acumula sempre a pasta do reino e até 3 de Março de 1892 a da instrução pública.
Depois de 27 de Maio de 1892 passa também a gerir a pasta da fazenda. Os
ministros constantes são: Jorge Cândido Cordeiro Pinheiro Furtado na guerra.
Francisco Joaquim Ferreira do Amaral (1844-1924),
antigo governador de Angola e da Índia, na marinha e ultramar. Este último,
a partir de 23 de Dezembro de 1892 acumula os estrangeiros.
Outros
ministros: Oliveira Martins na fazenda. D. António Aires Gouveia, bispo de
Betsaida, na justiça. António de Sousa Silva Costa Lobo (1840-1913) nos estrangeiros.
Visconde de Chanceleiros, Sebastião José de Carvalho nas obras públicas.
Morte de Lopo de Vaz (20 de Março)
Mais
do mesmo – As mudanças governamentais ocorrem em 3 de Março
num ambiente que o republicano Alves da Veiga descreve magistralmente: no
campo monárquico, a situação é sempre a mesma. Não melhora, nem piora,
porque também não pode piorar... Oliveira Martins explica a crise por
faltarem duas fontes de tradicional sustento do país: o empréstimo e o
ouro do Brasil. O deputado progressista Eduardo Abreu diz que a revolução
avizinha-se e é fatal. Não falta sequer um grande naufrágio na Póvoa
do Varzim, com cerca de 120 mortos.
Martins
fora da cloaca ministerial – Falha, com efeito, a tentativa
de Oliveira Martins que procura assumir-se como o novo mago financeiro,
depois de, na anterior fase governamental, se ter queimado Mariano de Carvalho.
Acaba por vencer o charlatanismo dos tarimbeiros. Dias Ferreira
não aceitara a demissão de Pereira Carrilho (1835-1903), então director-geral
da contabilidade pública, proposta pelo ministro da fazenda, que logo declara
ter emergido da cloaca ministerial. Dias Ferreira terá dito: vou
despedir o ministro da fazenda, porque não quero que no meu governo outro
ministro, que não seja eu –presidente – se dê ao incómodo de pensar. As
divergências são mais fundas, dado que Martins chegou a ser falado para
chefe de governo, recusando, contudo, tal tentativa por não aceitar como
ministros o conde de Valbom e Lopo Vaz. A proposta terá nascido do próprio
Paço, por influência do conde de Arnoso, Bernardo Pindela, secretário de
D. Carlos, com o apoio do conde de Ficalho, do conde de Sabugosa e da própria
rainha. Martins, segundo testemunho de José Maria de Alpoim imaginou
que manejava facilmente o velho rábula – e escolheu-o para tabuleta. Enganou-se (Raul
Brandão).
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Governo de José Dias Ferreira |
De 17 de Janeiro de 1892 a 23 de Fevereiro de 1893. 404 dias |
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21º governo depois da Regeneração 8º governo do rotativismo 4º governo do reinado de D. Carlos |
Promove as eleições de 23 de Outubro de 1892 (os governamentais não obtêm maioria) |
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·Presidente acumulou sempre a pasta do reino. Até 3 de Março de 1892 acumulou a instrução pública. Depois de 27 de Maio de 1892 passou a acumular a fazenda. Os ministros constantes são: ·Jorge Cândido Cordeiro Pinheiro Furtado na guerra · Francisco Joaquim Ferreira do Amaral na marinha e ultramar. Este último, a partir de 23 de Dezembro de 1892 passou a acumular os estrangeiros. Outros ministros: · Oliveira Martins na fazenda · D. António Aires Gouveia, bispo de Betsaida, na justiça · António de Sousa Silva Costa Lobo nos estrangeiros · Visconde de Chanceleiros, Sebastião José de Carvalho nas obras públicas |
·O governo, considerado de acalmação partidária, foi marcado pela participação de Oliveira Martins. ·O republicano Alves da Veiga, em carta dirigida a João Chagas, em Janeiro de 1893, dizia então que no campo monárquico, a situação é sempre a mesma. Não melhora, nem piora, porque também não pode piorar. O Dias Ferreira saiu-me um charlatão ignóbil… a monarquia está liquidada[1]. |
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Em 3 de Março de 1892 ·Volta a ser extinto o ministério da instrução pública, pasta acumulada pelo presidente; os assuntos da mesma voltam ao ministério do reino. |
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Em 27 de Maio de 1892: ·O presidente passa a acumular a fazenda, onde substitui Oliveira Martins; ·António Teles Pereira de Vasconcelos substitui D. António Aires Gouveia, bispo de Betsaida, na justiça; ·Aires Gouveia passa para os estrangeiros, sucedendo a António de Sousa Silva Costa Lobo; ·Pedro Vítor da Costa Sequeira substitui o visconde de Chanceleiros, Sebastião José de Carvalho nas obras públicas. |
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Em 23 de Dezembro de 1892: ·Francisco Joaquim Ferreira do Amaral passa a acumular a marinha e os estrangeiros, substituindo aqui D. António Aires Gouveia. |