1900 Entre lucianistas e hintzáceos, o estertor do rotativismo

1901 Dissidência franquista, ignóbil porcaria e questão anticlerical

1902 Suicídio de Mouzinho de Albuquerque e motins estudantis

1903 Revolta do grelo, aparecem os nacionalistas, greves e protestos de viticultores

1904 Do fracasso hintzáceo às mil e uma maravilhas dos lucianistas

Governo nº 45 de Hintze Ribeiro (1578 dias, desde 26 de Junho). O segundo governo de Hintze e o oitavo dos regeneradores. Anselmo José Franco Assis de Andrade (1844-1928), na fazenda, começa por ser a estrela do gabinete, anunciando um programa de liberdade, medidas de fomento, reformas fazendárias, mas logo sai em 30 de Novembro de 1900. João Franco fica de fora, mas o então franquista António António Teixeira de Sousa (1862-1917), médico transmontano, vai para a pasta da marinha.

Presidente acumula o reino. Os ministros constantes até 1903 são: Campos Henriques na justiça; Pimentel Pinto na guerra; António António Teixeira de Sousa, na marinha e ultramar e, depois de 1903, na fazenda; Anselmo de Andrade na fazenda; Capitão José Gonçalves Pereira dos Santos (n. 1855), nas obras públicas; João Marcelino Arroio nos estrangeiros. Em 30 de Novembro de 1900: o lente da Politécnica Fernando Matoso dos Santos (1850- 1921) substitui Anselmo de Andrade na fazenda; Manuel Francisco Vargas substitui o capitão José Gonçalves Pereira dos Santos, nas obras públicas.

Inicia-se então o período da desagregação partidária, com sucessivas dissidências nos grupos rotativos. Em 14 de Maio de 1901, 25 deputados da maioria, liderados por João Franco constituem o grupo dos regeneradores liberais. Grande comício republicano contra as congregações (9 de Setembro). Dissolução da Câmara dos Deputados (27 de Outubro).

  Governo anterior

Governo posterior  

Governo de Hintze Ribeiro

De 26 de Junho de 1900 a  20 de Outubro de 1904.

1578 dias

24º Governo depois da Regeneração

1º depois da desagregação partidária

8º governo regenerador

2º governo de Hintze

7º governo do reinado de D. Carlos

Promove as eleições de 25 de Novembro de 1900; de 6 de Outubro de 1901; e de 26 de Junho de 1904.

As Cortes estiveram encerradas de 28 de Junho de 1900 a 2 de Janeiro de 1901; de 28 de Maio de 1901 a 2 de Janeiro de 1902; de 13 de Maio de 1902 a 2 de Janeiro de 1903; de 24 de Junho de 1903 a 2 de Janeiro de 1904; de 20 de Abril de 1904 a 29 de Setembro de 1904

·Presidente acumula o reino.

Os ministros constantes até 1903 são:

·Campos Henriques na justiça;

·Pimentel Pinto na guerra

·António António Teixeira de Sousa, na marinha e ultramar e, depois de 1903, na fazenda.

·Anselmo de Andrade na fazenda

·Capitão José Gonçalves Pereira dos Santos, nas obras públicas

·João Marcelino Arroio nos estrangeiros

Julho de 1900

·Governo anuncia tradicional programa regenerador: liberdade, medidas de fomento, reformas fazendárias

·Suspensas as promoções no exército, logo em 7 de Julho. Suspenso o código administrativo de José Luciano, em 21 de Julho. Suspensas as promoções no exército, em 7 de Julho.

·No dia 30 de Junho, assassinado em Monza o rei Humberto de Itália, irmão de D. Maria Pia. Atentado contra o xá da Pérsia em Paris no dia 3 de Agosto.

·Morte de Barjona de Freitas, em 23 de Julho de 1900.

Agosto de 1900

·Eça de Queirós em Paris (16 de Agosto), no ano em que se publicava A Cidade e as Serras. Morrem também de Luciano Cordeiro (24 de Dezembro de 1900); Serpa Pinto (28 de Dezembro); Joaquim Tomás de Lobo d’Ávila, em 1 de Fevereiro de 1901,  Tomás Ribeiro, em 6 de Fevereiro de 1901, António Enes em 6 de Agosto de 1901. Começa a publicar-se O Mundo (1900).

Setembro de 1900

·Em 9 de Setembro grande comício republicano contra as congregações religiosas. Governo encerra dois jornais republicanos. Pouco antes, em Paris, o conde Reilhac, de forma sensacionalista, anunciava depoimentos de antigas educandas  do convento das Trinas.

Outubro de 1900

·Dissolução da Câmara dos Deputados em 27 de Outubro.

Novembro de 1900

·Grande banquete republicano no Porto, o dia 4 de Novembro.

·Eleições em 25 de Novembro. Vitória monárquica em Lisboa e no Porto. Henrique de Burnay vence o republicano João Chagas em Setúbal.

Em 30 de Novembro de 1900:

·Fernando Matoso dos Santos substitui Anselmo de Andrade na fazenda;

·Manuel Francisco Vargas substitui o capitão José Gonçalves Pereira dos Santos, nas obras públicas.

Novembro de 1900

·Anselmo de Andrade demite-se por não ver aprovado um seu projecto de constituição de um banco do Estado.

Dezembro de 1900

·Em Dezembro, fornada de 18 pares pró-governamentais…

Fevereiro de 1901

·Morte da rainha Vitória. D. Carlos vai aos funerais a Londres e regressa a Lisboa a 13 de Fevereiro de 1901. D. Miguel II esteve em Lisboa, Coimbra e Porto clandestinamente, em 13 de Janeiro de 1901. O governo e o maonarca, apesar de terem conhecimento do facto, decidem ignorar oficialmente tal permanência.

·Em 12 de Fevereiro de 1901 deu-se a ruptura formal entre Hintze Ribeiro e João Franco.

·Retoma-se a questão religiosa. Em Fevereiro de 1901 aparece o periódico Imparcial de Abel de Andrade e Carneiro de Moura.  Em 25 de Fevereiro é o incidente Calmon, com manifestações anticlericais em Lisboa (uma senhora de 32 anos, filha do cônsul do Brasil no Porto queria entrar para um concento, com oposição da família…).

Março de 1901

·No dia 12 de Março, o governo emite um decreto sobre ordens religiosas, mantendo a tradição anticongreganista dos regeneradores.

·Do mesmo teor um diploma de 20 de Abril, onde eram encerradas várias casas mantidas por institutos religiosos.

·No dia 28 de Março era apreendido no Porto, o periódico católico A Palavra.

Abril de 1901

·Criado em Coimbra o Centro Nacional Académico em 11 de Abril de 1901.

·No dia 14 de Abril, D. Carlos era saudado na praça de touros do Campo Pequeno, aos gritos de viva o rei liberal.

·Por decreto de 18 de Abril de 1901 apenas são admitidas as casas religiosas que se dediquem á instrução ou beneficência ou à propaganda da fé e civilização no Ultramar.

·No dia 25 de Abril constituía-se uma Comissão Liberal, isto é, anticlerical, presidida por José Dias Ferreira.

·Os republicanos respondem a 30 de Abril com uma Junta Liberal presidida por Miguel Bombarda.

Maio de 1901

·25 deputados afectos a João Franco abandonam o partido regenerador em Maio de 1901.

·Forma-se o Centro Regenerador-Liberal em 16 de Maio de 1903.

Congresso do Partido Republicano em Coimbra (Janeiro de 1902). Congresso do Partido Nacionalista em Viana do Castelo (3 de Julho de 1903).

Junho de 1901

·João Franco enfrenta Pinto dos Santos num duelo (1 de Junho).

Em 1 de Junho de 1901:

·Matoso dos Santos substitui João Marcelino Arroio nos estrangeiros.

·No mesmo dia em que João Arroio era substituído, dissolvia-se a Câmara dos Deputados. Depois do grupo de João Franco, Hintze perdia o apoio de Arroio.

Agosto de 1901

·Em 12 de Agosto, decreto sobre a autonomia da Madeira.

·Em 13 de Agosto surge nova lei eleitoral. As eleições decorrem em 6 de Outubro.

Outubro de 1901

·Em 18 de Outubro de 1901 saía do partido regenerador o general Dantas Baracho, a que se seguirão, em 1903, Luís Augusto Rebelo da Silva e Pinto dos Santos, enquanto Mariano de Carvalho apoiava o governo.

Dezembro de 1901

·Inaugurado o Congresso Colonial Nacional em 2 de Dezembro de 1901.

·Reforma militar e do ensino primário (Dezembro de 1901).

·Dias Ferreira realiza conferência anti-congreganista no dia 5 de dezembro.

·Em 31 de Dezembro houve tumultos em Torres Vedras por causa da crise vinícola.

·Há 43 associações religiosas que se conformam com as determinações do decreto de 18 de Abril.

Janeiro de 1902

·Governo é atacado na Câmara dos Pares por Costa Lobo (qualifica o governo como absolutista em 3 de Janeiro), Dantas Baracho e pelo conde de Bretiandos (este último sobre a crise vinícola).

·Suicídio de Joaquim Mouzinho de Albuquerque (8 de Janeiro de 1902)

·Jacinto Cândido apresenta na Câmara dos Pares o novo Partido Nacionalista.

·Progressistas atacam governo do parlamento falando em nomeações ilegais de funcionários, os chamados comissários régios. Hintze replica, indicando idênticas nomeações feitas pelos progressistas no anterior governo. Fuschini clama contra a administração estrangeira. Grandes boatos sobre a corrupção.

Março de 1902

·Motins estudantis no Porto, Coimbra e Lisboa (Março a Abril de 1902).

·Campanha do jornal O Século contra a Companhia de Tabacos.

·Pereira Carrilho consegue negociar em Paris um acordo dos credores estrangeiros quanto à dívida externa portuguesa, em 25 de Março de 1902. Na altura, D. Luís Filipe assiste em Londres à coroação de Eduardo VII.

Agosto de 1902

·Em Agosto a imprensa ataca o governo por causa da questão das moagens.

·D. Carlos faz sucessivas viagens a Paris e Londres, apenas regressando a Portugal em 16 de Dezembro.

·Eleições municipais em 2 de Novembro. Vitória dos regeneradores no Porto.

Em 23 de Fevereiro de 1903:

·Teixeira de Sousa passa da marinha para a fazenda, substituindo aqui Matoso dos Santos;

·Manuel Rafael Gorjão assume a pasta da marinha;

·Para os estrangeiros entra Wenceslau de Sousa Pereira de Lima,  substituindo Matoso dos Santos;

·Alfredo Vieira Peixoto Vilas Boas, 1º conde de Paçô Vieira, governador de Ponta Delgada,  substitui Vargas nas obras públicas.

·Pinto dos Santos e Luís Augusto Rebelo da Silva filiam-se no partido progressista. Em 7 de Março, João Arroio rompe com Hintze Ribeiro. Chanceleiros considera que o governo está a agir contra a Carta.

·Greve geral em Coimbra, dita revolta do grelo (Março de 1903). Oliveira Matos e Dias Ferreira interpelam o governo sobre a matéria.

·Eduardo VII visita Lisboa em 2 de Abril.

·Manifestação de protesto de cerca de 3 000 viticultores em Lisboa, promovida pela Real Associação Central da Agricultura Portuguesa (18 Maio de 1903).

·Em 3 de Julho de 1903, congresso do Partido Nacionalista em Viana do Castelo, onde se vota o programa. Na comissão central do novo agrupamento, o conde de Samodães, o conde de Bretiandos e Jacinto Cândido da Silva. Leão XIII havia falecido em 20 de Junho.

·Esquadra norte-americana visita Lisboa em 28 de Julho.

·Greves operárias no Porto em Julho de 1903.

·Decreto sobre o regime açucareiro da Madeira em 28 de Setembro.

·Eleições municipais em Lisboa, no dia 1 de Novembro.

·Greve dos metalúrgicos em Dezembro de 1903. Renova-se em Fevereiro de 1904.

·O governo cai depois de uma discussão parlamentar sobre os contratos dos tabacos e dos fósforos.

 

Projecto CRiPE- Centro de Estudos em Relações Internacionais, Ciência Política e Estratégia. © José Adelino Maltez. Cópias autorizadas, desde que indicada a origem. Última revisão em: 31-03-2009