1908 Do regicídio à impossível acalmação

Governo nº 50 (4 de Fevereiro) Ferreira do Amaral (326 dias) Até 25 de Dezembro de 1908. 28º governo depois da Regeneração, 5º depois da desagregação partidária, 1º governo do reinado de D. Manuel II. Promove as eleições de 5 de Abril de 1908. Outros qualificam o gabinete como o ministério da mistificação. Já o presidente do conselho é acusado de fútil, nomeadamente por fazer parte do Clube dos Makavencos, uma seita jantante que se reunia nos baixos do teatro da rua dos Condes.

Os dois ministros regeneradores são Campos Henriques (justiça) e Wenceslau de Lima (estrangeiros). Manuel Afonso Espregueira (fazenda) e o general Sebastião Teles (guerra) são progressistas. João de Sousa Calvet de Magalhães (obras públicas) e o almirante Augusto de Castilho (marinha e ultramar) aparecem como amaralistas.

Vitória do lucianismo – Conforme observou Júlio de Vilhena, José Luciano ganhou a partida. Propusera que se organizasse um ministério, em que entrassem membros dos partidos regenerador e progressista, em partes iguais, sob a presidência dum homem estranho aos grémios partidários.

Reunião do Conselho de Estado (18 de Dezembro). A concentração dos partidos monárquicos foi uma mentira. O que houve foi a concentração do medo e o medo realmente não tem partido...O Amaral presidiu com relativa facilidade ao regime de simulacro de que estou falando, não por ser alguém, mas precisamente por não ser -ninguém.

  Governo anterior

Governo posterior  

Governo de Ferreira do Amaral

De 4 de Fevereiro a 25 de Dezembro de 1908

Promove as eleições de 5 de Abril de 1908

28º governo depois da Regeneração

5º depois da desagregação partidária

1º governo do reinado de D. Manuel II

 

· Campos Henriques (reg.) na justiça.

· Manuel Afonso Espregueira (prog.) na fazenda

·General Sebastião Teles (prog.) na guerra

·João de Sousa Calvet de Magalhães (amaralista) nas obras públicas

·Almirante Augusto de Castilho (amaralista) na marinha e ultramar

· Wenceslau de Lima (regenerador) nos estrangeiros

·O governo nasceu da reunião do Conselho de Estado de 2 de Fevereiro de 1908, onde participaram José Luciano, Júlio de Vilhena, João Franco, António de Azevedo (reg.), Pimentel Pinto (reg.), Melo e Sousa (franquista) e José de Novais (franquista). Conforme observou Júlio de Vilhena, José Luciano ganhou a partida[1]. Ferreira do Amaral foi proposto por José Luciano, sendo indicado a este pelo conde de Penha Garcia.

·Governo dito da acalmação. Logo em 5 de Fevereiro são revogados alguns dos diplomas franquistas, como a lei de imprensa e o decerto de 31 de Janeiro. No dia 6 reaparecem os jornais suspensos: Diário Popular, Liberal, O Dia, O País, Correio da Noite. São libertados António José de Almeida, Afonso Costa, Egas Moniz, João Chagas e França Borges. Em 12 de Fevereiro, amnistia para os marinheiros implicados nas revoltas de 8 e 13 de Abril de 1906. Dissolução da Câmara dos Deputados no dia 29.

·Funerais de D. Carlos e D. Luís Filipe em 8 de Fevereiro e aclamação de D. Manuel II em 6 de Maio. Em 27 de Maio vem a Lisboa uma delegação da Universidade de Coimbra, saudar o novo rei, acompanhada pelo reitor, Alexandre Cabral, e pelo secretário da Universidade, Manuel da Silva Gaio.

·O novo rei visita o Porto em 8 de Novembro e Coimbra no dia 20 do mesmo mês. Regressa a Lisboa no dia 4 de Dezembro, mas atravessa a cidade em carruagem fechada que circulou a alta velocidade, por conselho de Ferreira do Amaral.

·Eleições em 5 de Abril de 1908. As Cortes abrem no dia 29 desse mês.

·Congresso do Livre Pensamento em Lisboa em Abril de 1908.

·Na Câmara dos Deputados em 3 de Junho, António José de Almeida considera que a bomba de dinamite em revolução, e em certos casos, pode ser tão legítima, pelo menos, como as granadas de artilharia, que não são mais do que bombas legais, explosivos ao serviço da ordem

·Republicanos vencem as eleições municipais de Lisboa em 1 de Novembro de 1908. Toda a veração do PRP.

·Em 7 de Dezembro de 1908, Júlio de Vilhena, em carta dirigida a D. Manuel II, retira apoio a Ferreira do Amaral e assume-se como candidato à chefia do governo. A essa pretensão opõem-se, para além de José Luciano, o regenerador Campos Henriques, considerando que tal via era deitar o poder ao regato[2]


 

[1] Júlio de Vilhena, Antes da República , II, p. 41.

[2] Júlio de Vilhena, II, p. 133.

 

Projecto CRiPE- Centro de Estudos em Relações Internacionais, Ciência Política e Estratégia. © José Adelino Maltez. Cópias autorizadas, desde que indicada a origem. Última revisão em: 31-03-2009