1909 A conspiração republicana e monárquicos discutindo o sexo dos anjos

Governo nº 53 (14 de Maio) Wenceslau de Lima (223 dias). Governo dito da Politécnica do Porto, chefiado por aquele a quem Júlio de Vilhena chama depreciativamente o valido do rei. De marca extrapartidária, não tem, na respectiva constituição, a influência de José Luciano.

Presidente (regenerador dissidente) acumula o reino. Francisco José de Medeiros, magistrado, ex-progressista que chegou a acompanhar a dissidência de Alpoim, na justiça. O oficial de engenharia Francisco de Paula de Azeredo (n. 1859), filho do conde de Samodães, lente da politécnica do Porto e amigo pessoal de Wenceslau, na fazenda. General Elvas Cardeira na guerra. Comandante Manuel Terra Pereira Viana, lente da politécnica do Porto e amigo pessoal de Wenceslau, na marinha e ultramar. Coronel Carlos Roma do Bocage nos (1850-1918) nos estrangeirosCoronel Alfredo Barjona de Freitas, ex-governador de Cabo Verde, nas obras públicas. Em 28 de Outubro de 1909: Artur Pinto Miranda Montenegro na justiça

  Governo anterior

Governo posterior  

Governo de Wenceslau de Lima

De 14 de Maio a 22 de Dezembro de 1909

31º governo depois da Regeneração

8º depois da desagregação partidária

4º governo do reinado de D. Manuel II

 

·Presidente (regenerador dissidente) acumula o reino

·Francisco José de Medeiros, magistrado, na justiça

·Francisco de Paula Azeredo, filho do conde de Samodães, lente da politécnica do Porto e amigo pessoal de Wenceslau, na fazenda

·General Elvas Cardeira na guerra

·Comandante Manuel Terra Pereira Viana, lente da politécnica do Porto e amigo pessoal de Wenceslau, na marinha e ultramar

·Coronel Carlos Roma do Bocage nos estrangeiros

·Coronel Alfredo Barjona de Freitas, ex-governador de Cabo Verde, nas obras públicas

·O governo é dominado por figuras não partidárias. Tem apoio expresso de José de Alpoim, António Teixeira de Sousa e Pimentel Pinto[1]. Dito o governo da Politécnica do Porto. O primeiro governo que, depois do regicídio, não é organizado por José Luciano, a partir da Rua dos Navegantes. Vilhena e Luciano chamavam a Wenceslau o valido, em virtude da relação de confiança que mantinha com D. Manuel II. Segundo Vilhena: tinha o valido realizado as suas ambições… Restava fazê-lo chefe do partido regenerador.

·Em 3 e 4 de Julho, D. Manuel II visita o Norte.

·Decreto incentivando a elaboração de monografias sobre freguesias rurais (21 de Julho)

·Congresso Nacional Operário em Julho. No mesmo mês Consiglieri Pedroso vence as eleições para a presidência da Sociedade de Geografia, derrotando a lista monárquica de Carlos Roma du Bocage.

·Partido Republicano organiza uma Comissão Militar para organizar a revolução[2]

·Em 2 de Agosto de 1909, organiza-se uma manifestação anticlerical em Lisboa que terá reunido cerca de 100 000 pessoas.

·Em carta dirigida a D. Manuel II, José Luciano observa que o partido republicano avança a passos rápidos, e prepara-se para uma aventura revolucionária … Se não me engano, a revolução ameaça-nos de perto.

Em 28 de Outubro de 1909:

·Artur Pinto Miranda Montenegro na justiça

·Conflito entre o ministro da justiça, Medeiros,  e o bispo de Beja, D. Sebastião de Vasconcelos. Medeiros havia reintegrado como professores do seminário de Beja, reaberto em 1908, depois de encerrado em 1906, os irmãos Ançã, sacerdotes que o bispo não aceitava (9 de Outubro)[3]. Com a saída de Medeiros, ex-progressista e ex-dissidente progressista, António Teixeira de Sousa deixa de apoiar o governo.

·Decreto sobre as condições de segurança no trabalho, com ameaça de lock out dos patrões (28 de Outubro).

·D. Manuel II visita Madrid e Londres, entre 7 de Novembro e 4 de Dezembro.

·Decreto manda fazer inquérito sobre a situação social e económica das classes trabalhadoras (26 de Novembro)

·Republicanos vencem as eleições para 122 juntas de paróquia (29 de Novembro)

·Manifestação da Junta Liberal, chefiada por Miguel Bombarda, António Aurélio da Costa Ferreira, Egas Moniz e Cândido dos Reis, junta cerca de uma centena de milhar de pessoas (Dezembro de 1909).


 

[1] Teixeira De Sousa, Para a História da Revolução, I, pp. 20-21.

[2] Vasco Pulido Valente, p. 97.

[3] Jesus Pabón, p. 97

Projecto CRiPE- Centro de Estudos em Relações Internacionais, Ciência Política e Estratégia. © José Adelino Maltez. Cópias autorizadas, desde que indicada a origem. Última revisão em: 31-03-2009