1909 A conspiração republicana e monárquicos discutindo o sexo dos anjos 

1910 Escândalos, conspirações e António Teixeira de Sousa

Governo nº 54 (22 de Dezembro 1909) Veiga Beirão (187 dias). Seis meses de governo progressista, novamente sob a batuta de José Luciano, dizendo querer recuperar o programa da Granja de 1876, mas logo derrapando com os escândalos do caso William Hinton e do Crédito Predial, habilmente aproveitados pelos republicanos.

Artur Montenegro na justiça. José Matias Nunes na guerra (numa das suas primeiras medidas há-de punir Dantas Baracho). João António de Azevedo Coutinho na marinha e ultramar. António Eduardo Augusto Vilaça nos estrangeiros (que há-de requisitar Baracho para o respectivo ministério). José António Moreira Júnior nas obras públicas. Francisco Felisberto Dias Costa, lente da Escola do Exército, na fazenda.

Vilhena demite-se – A constituição deste novo governo leva a que Júlio de Vilhena, em 23 de Dezembro de 1909, abandone a chefia dos regeneradores, onde lhe sucede, em 16 de Janeiro de 1910, Teixeira de Sousa. Contudo, o grupo fica, a partir de então, insanavelmente dividido, com uma importante facção a funcionar autonomamente, sob a chefia de Campos Henriques.

Já ninguém salva isto  –  Estamos sobre um vulcão. Prendi vários homens das associações secretas, podia prender mil. Já ninguém salva isto, a não ser uma forte ditadura militar. E eu vou-me embora, porque não quero incorrer nas iras populares. Ou vamos para a frente ou os senhores metam-se em casa à espera que os chacinem... (palavras do juiz de instrução António Emílio, o antigo maçon  Hoche, a Veiga Beirão, segundo Raul Brandão).

  Governo anterior

Governo posterior  

Governo de Veiga Beirão

De 22 de Dezembro de 1909 a 26 de Junho de 1910

32º governo depois da Regeneração

9º depois da desagregação partidária

5º governo do reinado de D. Manuel II

 

·Tenente coronel Francisco Felisberto Dias Costa no reino

·Artur Montenegro na justiça

·General José Matias Nunes na guerra

·Capitão de mar e guerra João António de Azevedo Coutinho na marinha e ultramar

·António Eduardo Vilaça nos estrangeiros

·José António Moreira Júnior nas obras públicas

·Todos os ministros são do partido progressista e todos com experiência governativa. Beirão diz ter o programa da Granja de 1876. Continua a batuta de José Luciano. Tem especial ligação aos ministros Vilaça e Montenegro, bem como ao líder parlamentar dos progressistas, António Cabral. O governo cai na véspera das eleições[1].

·Por não ter sido escolhido, Júlio de Vilhena abandonou a chefia dos regeneradores em 23 de Dezembro. António Teixeira de Sousa é eleito chefe dos regeneradores em 16 de Janeiro. Outra facção do mesmo partido, logo escolhe Campos Henriques.

·Ataque da imprensa nacionalista ao novo governo, sendo especialmente visado Eduardo Vilaça. Este requisitara para o ministério Dantas Baracho que havia sido castigado pelo anterior ministro da guerra, Elvas Cardeira, quando publicou no Mundo cartas referentes a um desafio para duelo que enviara ao ministro[2]

·Grandes cheias no Douro, em finais de Dezembro.

·Abertura das Cortes em 2 de Janeiro

·Em 14 de Fevereiro, decreto confirma a demissão dos irmãos Ançã

·Em Fevereiro, surge a revista Alma Nacional de António José de Almeida.

·Questão Hinton na CD. Afonso Costa lê cartas comprometedoras de pessoas ligadas ao paço (22 de Abril)[3].

·Congresso do Partido Republicano no Porto (29 e 30 de Abril de 1910).

·Escândalo da Companhia do Crédito Predial. Desfalque numa empresa presidida por José Luciano. O franquista Melo e Sousa, então governador do Banco de Portugal decide, com rigor, não apoiar a companhia (1 de Maio)[4]

·Morte de Eduardo VII em 6 de Maio. De 16 a 27 de Maio, D. Manuel II ausente do país para participar nos funerais do monarca britânico.

·D. Manuel II em 14 de Maio preside à sessão inaugural do Congresso Nacional, na Sociedade de Geografia de Lisboa. Organizado pela Liga Naval e tendo como objectivo o estudo dos problemas nacionais for a da acção mesquinha da política. Segundo o então presidente da Sociedade de Geografia de Lisboa, Consiglieri Pedroso, em Portugal não havia apenas interesses políticos, mas sim, ao lado destes, outros que igualmente deviam ser atendidos.

·Maçonaria organiza uma comissão de resistência para colaborar com a Carbonária. Fazem parte da comissão José de Castro, Miguel Bombarda, Machado Santos e Francisco Grandela, bem como dois representantes do directório do PRP, António José de Almeida e Cândido dos Reis (14 de Junho)


 

[1] Jesus Pabón, 101; Lopes De Oliveira, p. 378; António Teixeira de Sousa, Para a História da Revolução, I, p. 27; António Cabral, p. 381

[2] Teixeira De Sousa, Para a História da Revolução, I, p. 86.

[3] Lopes de Oliveira, p. 380; Jesus Pabón, p. 102. Para uma perspectiva pormenorizada, António Teixeira de Sousa, Para a História da Revolução, I, pp. 87 –97.

[4] Ver Teixeira De Sousa, Para a História da Revolução, I, pp. 98-105.

Projecto CRiPE- Centro de Estudos em Relações Internacionais, Ciência Política e Estratégia. © José Adelino Maltez. Cópias autorizadas, desde que indicada a origem. Última revisão em: 31-03-2009