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Na
justiça, o democrático Francisco Correia de Lemos (juiz).
Tinha sido o presidente da comissão parlamentar que redigiu a Constituição
de 1911.

Nas
finanças, o unionista António Vicente Ferreira. Coronel
de engenharia e professor do Instituto Superior Técnico. Voltará à pasta
das finanças com António Granjo,
entre Agosto e Outubro de 1921.
Será ministro das colónias, com Ginestal
Machado, entre 15 de Novembro e 18 de Dezembro de 1923. Acabará como
apoiante do salazarismo.
Volta à guerra
o democrático António Xavier Correia Barreto (coronel). Tinha
sido ministro da guerra do governo provisório, de 5 de Outubro de
1910 a 3 de Setembro de 1911. Voltará a ocupar a pasta da guerra
no governo de António
Maria da Silva, entre Fevereiro e Novembro de 1922. Será também
presidente do Senado.

Na
marinha, o evolucionista Francisco José Fernandes Costa (professor
do liceu). Voltará ao governo com a União Sagrada, como ministro
do fomento. Será depois ministro da marinha por alguns dias no governo
saído da revolução de 14 de Maio de 1915. Nomeado presidente do ministério
em 15 de Janeiro de 1915, nem sequer chega a tomar posse. Será finalmente
ministro do comércio nos dois governos liberais de 1921,
de 10 de Agosto a 12 de Outubro.
Nos
negócios estrangeiros, mantém-se o unionista Augusto César de
Almeida Vasconcelos Correia, que no governo anterior também assumira
as funções de presidente do ministério.
No
fomento, o evolucionista António Aurélio da Costa Ferreira (professor
de liceu), que tem como chefe de gabinete Alfredo Pimenta, ex-anarquista
e futuro monárquico, então professor no liceu Passos Manuel. Primeira
e única experiência governativa.
Nas
colónias, mantém-se, desde 29 de Janeiro, o democrático Joaquim
Basílio Cerveira e Sousa de Albuquerque e Castro (coronel de
engenharia). |
Junho
de 1912
Governo
de Vasconcelos demite-se em 4 de Junho: julgo indispensável resolver
a crise com a maior rapidez possível. Temos uma greve que ameaça
tornar-se geral.
Arriaga
consulta Camacho que propõe os nomes de Basílio Teles e de Duarte
leite. Almeida indica Alves da Veiga, Nunes da Ponte, Xavier Esteves,
Aresta Branco e Pimenta
de Castro. Independentes sugerem Aresta Branco.
Constituído
em 16 de Junho, o novo governo reúne três democráticos (justiça,
guerra e fomento), dois unionistas (interior e negócios estrangeiros)
e dois evolucionistas (marinha e colónias). Era apenas
o de Augusto de Vasconcelos … com uma maior representação almeidista
(dois ministros), e os jovens turcos restituídos à sua preeminência
no Ministério da Guerra.Segundo
Machado Santos, estreou-se com a repressão
da greve dos carros eléctricos e terminou com um ataque de neurastenia
do seu Presidente.
Mantém-se o modelo anterior com o reforço dos almeidistas.
Apresentação
parlamentar em 17 de Junho. Um programa mínimo, o primeiro
da república.
Logo
no dia 18 de Junho, o evolucionista António
Granjo defende a necessidade de uma amnistia. Resposta de Duarte
Leite: a amnistia é um estímulo de incitamento
contra a república.
Termina
a greve dos eléctricos em 24 de Junho. Durou 26 dias.
António
José de Almeida defendeu a necessidade de realização imediata de
eleições locais, mas a maioria das câmaras municipais disse que não,
invocando o facto do eleitorado ser adverso à república ou dominado
pelo clero. O ministro da guerra continuava a ser apoiado pelo jovens
turcos.
Lei
orçamental para 1912-1913 em 30 de Junho.
Lei
de 30 de Junho, redução dos direitos de importação da cevada, aveia
e fava.
274
prisões políticas durante o mês de Junho.
Julho
de 1912
Em
Julho, participação portuguesa nas Olimpíadas de Estocolmo. Morte
do maratonista Francisco Lázaro, por insolação.
Em
3 de Julho, a segunda incursão de Paiva Couceiro, agora ajudado pelo
legitimista D. João de Almeida (Lavradio). Os invasores estão melhor
armados e adoptam um claro programa de restauração monárquica.
Em
6 de Julho, sublevações monárquicas em Leiria e no Minho. Prosseguem
os ataques de Paiva Couceiro a Chaves e surgem as guerrilhas monárquicas
do Padre Domingos em Cabeceiras de Basto. Cerca de 274 presos políticos
em Junho que, no mês seguinte aumentam para 612.
Suspensa
a publicação de O Dia em Julho
Sublevações
monárquicas em Azóia, Leiria e Batalha. Novas prisões. Há 700 monárquicos
em armas no Norte. Tentativa de assalto a Valença do Minho. Ataque
a Vila Frade (6 de Julho)
Julgamento
dos crimes políticos voltam a ser feitos em tribunais militares (8
de Julho)
Ataque
de Paiva Couceiro a Chaves (8 de Julho). Derrotado no dia 9, quando é preso
D. João de Almeida, Lavradio.
Novas
regras sobre a apreensão de jornais subversivos em 12 de Julho.
Descoberta
conjura monárquica em Évora (13 de Julho)
Criados
três tribunais militares em Braga, Coimbra e Lisboa, para julgamento
dos conspiradores monárquicos (16 de Julho)
Lei
sobre a mendicidade e a repressão da vadiagem, de 20 de Julho.
Em
27 de Julho o tribunal marcial de Chaves condena D. João de Almeida
a 6 anos de penitenciária e a 10 de degredo.
612
prisões políticas durante o mês de Julho.
Agosto
de 1912
Começa
o julgamento dos conspiradores de Cabeceiras de Basto, em 6 de Agosto
, até Novembro. Condenados 173 réus e julgados 122 à revelia.
Em
8 de Agosto de 1912, Norton de Matos funda no Huambo a cidade de
Nova Lisboa.
Em
25 e 26 de Agosto, I Congresso dos Trabalhadores Rurias.
Setembro
de 1912
Reorganização
dos serviços agrícolas em 17 de Setembro. Esta reforma de Costa Ferreira
não chega a entrar em vigor.
Carlos
Rates, em representação da embrionária CGT, desloca-se ao Alentejo
em missão de propaganda e inquérito à vida associativa. Em entrevista
ao jornal A Fronteira de Elvas, em 29 de Setembro, salienta
que os ruaris desconhecem a questão social; que foram enganados
pelos republicanos, os quais fizeram apenas uma revolução política sem
fazerem uma revolução social…em vez da posse da terra prometida,
responderam-lhes com balas e pranchadas; e que o
caciquismo permanece como dantes, apenas mudou de nome.
Novembro
de 1912
Discurso
de Afonso
Costa em Santarém. Apela à unidade do partido republicano
e clama pelo restabelecimento das nossas finanças (10 de Novembro)
Dezembro
de 1912
Sai
o primeiro número de Trabalhador Rural, órgão da Federação
Nacional dos Trabalhadores Rurais.
No
dia 2 de Dezembro, uma coligação de unionistas e evolucionistas elege
Macedo Pinto, evolucionista, como presidente da Câmara dos Deputados. Braamcamp Freire
reeleito presidente do Senado.
No
dia 8 de Dezembro, o evolucionista António
Granjo propunha a extinção dos tribunais marciais que julgavam
os conspiradores monárquicos.
Manuel
Arriaga escreve a Duarte Leite propondo indulto aos bispos
e modificação no regime dos presos políticos. O chefe do governo
recusa as sugestões.
Em
8 de Dezembro dava-se a reabertura solene do CADC, com discursos
de Oliveira Salazar e
Alberto Dinis da Fonseca.
Lei
de 21 de Dezembro estabelece redução de direitos aduaneiros para
produtos alimentares.
Janeiro
de 1913
Em
6 de Janeiro, o governo decidiu pedir a demissão depois da formal
cisão do Partido Republicano, considerando Duarte Leite, perante
a Câmara dos Deputados, que o governo devia ter base partidária e
assentar numa maioria parlamentar.
O governo formara-se porque nenhum grupo tinha maioria parlamentar
e como já não subsistem as razões que influem
para formar esse Ministério de concentração, supõe que a sua missão
está cumprida.
Arriaga
convida António José de
Almeida para formar governo. Tem apoio dos camchistas, mas não
dos independentes que recusam a respectiva proposta de amnistia e
acaba por desistir.
Jornal A
Capital fala na política como a grande porca que alimenta
muitos bacorozinhos (8 de Janeiro) |