1920 A instabilidade crescente – Entre greves e atentados, forças vivas e governo da GNR

Governo nº 79 (20 de Novembro) Álvaro de Castro (10 dias). Governo sem a participação de liberais e democráticos. Com cinco reconstituintes, dois populares e três dissidentes democráticos da facção de Domingos Pereira. O governo das três dissidências falha de tal maneira que dura apenas 10 dias. Tem a oposição de liberais e de democráticos.

Presidente acumula com o interior e a guerra. Outros ministros: Artur Alberto Camacho Lopes Cardoso (reconstituinte), na justiça. Francisco Pinto da Cunha Leal (1888-1970), antigo centrista, antigo sidonista e então activista dos populares, nas finanças. Júlio Martins (popular), na marinha. Domingos Pereira (então democrático dissidente), nos estrangeiros. António Joaquim Ferreira da Fonseca (reconstituinte), no comércio. Jaime Júlio Velho Cabral Botelho de Sousa (então democrático dissidente), nas colónias. Júlio Dantas (reconstituinte), na instrução pública. Adriano Pimenta (então democrático dissidente), no trabalho. José Maria Álvares (1875-1940) (reconstituinte), na agricultura.

Liberais e democráticos aprovam uma moção de desconfiança.

Apoio das forças vivas – Reunião de cerca de 2 500 delegados do patronato na presença de Álvaro de Castro em 22 de Novembro. Defende-se a revisão da Constituição no sentido da participação das forças vivas, à semelhança da segunda câmara do sidonismo
 

  Governo anterior

Governo posterior  

Governo de Álvaro de Castro

De 20  a 30 de Novembro de 1920

23º governo republicano

9º governo pós-sidonista[1]

10 dias

·Presidente acumula com o interior e a guerra. Castro, como líder dos jovens turcos, tinha sido chefe de gabinete de Correia Barreto em 1910-1911. Como democrático, ministro da justiça de Afonso Costa (de 9 de Janeiro de 1913 a 9 de Fevereiro de 1914), ministro das finanças de Azevedo Coutinho (de 12 de Dezembro de 1914 a 24 de Janeiro de 1915) e ministro das colónias de Sá Cardoso (3 a 21 de Janeiro de 1920) Como reconstituinte será ministro da guerra de 30 de Novembro a 23 de Maio de 1921. Como accionista voltará a ser presidente do ministério de 18 de Dezembro de 1923 a 6 de Julho de 1924, acumulando as finanças e, desde 28 de Dezembro de 1923, o interior.

·Na justiça e cultos, Artur Alberto Camacho Lopes Cardoso (reconstituinte). Já havia sido titular de tal pasta entre 29 de Junho de 1919 e 15 de Janeiro de 1920, no governo de Sá Cardoso e entre 19 de Junho e 20 de Novembro de 1920 no governo de António Granjo. Manter-se-á nos governos imediatamente a seguir: de Liberato Pinto (30 de Novembro de 1920 a 2 de Março de 1921) e Bernardino Machado (2 de Março a 23 de Maio de 1921). Voltará a tais funções com Ginestal Machado (15 de Novembro a 18 de Dezembro de 1923).

·Nas finanças,  Francisco Pinto da Cunha Leal (popular). Começou a vida política como militante do partido centrista de Egas Moniz em 1917. Deputado do parlamento sidonista em 1918. Alinha na conspiração republicana contra o sidonismo em 1919. Fundador do grupo popular, com Júlio Martins, assumindo a direcção do jornal O Popular. Como membro dos populares será também ministro das finanças do governo de de Liberato Pinto, de 30 de Novembro de 1920 a 2 de Março de 1921. Chefe do governo de 16 de Dezembro de 1921 a 6 de Fevereiro de 1922, acumulando a pasta do interior. Ministro das finanças no governo nacionalista de Ginestal Machado, de 15 de Novembro a 17 de Dezembro de 1923. Fundador da União Liberal Republicana em 1926.

·Na marinha, Júlio Martins (popular);

·Nos negócios estrangeiros, Domingos Pereira (então democrático dissidente);

·No comércio, António Joaquim Ferreira da Fonseca (reconstituinte). Tinha sido ministro das finanças de Domingos Pereira, de 21 de Janeiro a 8 de Março de 1920. Será ministro do comércio com Liberato Pinto (de 30 de Novembro de 1920 a 2 de Março de 1921); do comércio com Bernardino Machado (de 2 de Março a 23 de Maio de 1921); do comércio com Álvaro de Castro (de 18 de Dezembro de 1923 a 23 de Fevereiro de 1924, quando passa a ministro de Portugal em Paris).

·Nas colónias, Jaime Júlio Velho Cabral Botelho de Sousa (então democrático dissidente);

·Na instrução pública, Júlio Dantas (reconstituinte). Será ministro dos negócios estrangeiros no governo de Cunha Leal, de 16 de Dezembro de 1921 a 6 de Fevereiro de 1922 e ministro dos negócios estrangeiros no governo nacionalista de Ginestal Machado, de 15 de Novembro a 18 de Dezembro de 1923.

·No trabalho, Adriano Pimenta (então democrático dissidente);

·Na agricultura, José Maria Álvares (reconstituinte)

·Experiência governamental, presidida pelo reconstituinte Álvaro de Castro, dura cerca de dez dias. Os liberais querem ficar na oposição, por terem sido anteriormente exonerados. O directório dos democráticos recusa ir para o governo, o que leva à cisão do grupo de Domingos Pereira, que aceitam, em rebeldia, lugares no gabinete. Dissidência formalizada em carta de 19 de Novembro, a que também adere o deputado Vasco Borges[2].

·Governo constituído a 20 de Novembro.

·Apresentação parlamentar em 22 de Novembro.

·Aprovada moção de desconfiança logo no dia 25. Na véspera, o ministro das finançlas revelara uma portaria secreta de António Maria da Silva, autorizando o Banco de Portugal a exceder o limite da circulação fiduciária[3].

·Lei nº 1074 estabelece novo limite para a circulação fiduciária em 550 000 contos[4].


 

[1] Fernando Tomás Rosa Gouveia, Orgânica Governamental…, p. 44 (28º ministério; 7º do mandato presidencial de António José de Almeida); Cunha Leal, II, pp. 251 ss.; Jesus Pabón, p. 470; Damião Peres, pp. 289 ss.; Oliveira Marques, p. 729.

[2] Damião Peres, p. 289.

[3] Damião Peres, p. 290.

[4] Marcello Caetano pp. 318-319 e Oliveira Marques pp. 503-505.

Projecto CRiPE- Centro de Estudos em Relações Internacionais, Ciência Política e Estratégia. © José Adelino Maltez. Cópias autorizadas, desde que indicada a origem. Última revisão em: 31-03-2009