Governo nº 97 de Gomes da Costa (22 dias, desde 17 de Junho de 1926). Só no dia 19 sai o Diário do Governo com a constituição do novo ministério presidido por Gomes da Costa, datado do dia 17.

A presidência cabe a Gomes da Costa, mas sem dois dos membros da tuna de Coimbra, Salazar e Remédios. Sai também Mendes Cabeçadas. No interior, António Claro. Nas finanças, Filomeno da Câmara Melo Cabral (1873-1934). Nas colónias, Gama Ochoa. Na instrução, Artur Ricardo Jorge. Na justiça, Manuel Rodrigues. Nos estrangeiros, Carmona.

Em 6 de Julho: saída de Claro, Carmona e Ochoa, logo substituídos por Gomes da Costa, Martinho Nobre de Melo e João de Almeida (1863-1953). Os ministros não atingidos pela recomposição, à excepção de Filomeno da Câmara, declaram-se solidários com os restantes e já no dia 8, Gomes da Costa fica prisioneiro no próprio palácio de Belém, sendo posteriormente transferido para Caxias e Cascais, até que no dia 11 é desterrado para Angra do Heroísmo.

A revolução à procura de autor – Pouco mais de um mês depois da revolta, o 28 de Maio, encontra uma linha de força sintetizada em Carmona, deixando de ser mais um interregno autoritário, ao mesmo tempo que nem sequer se assume como um novo sidonismo. Depois de derrubado Cabeçadas, ainda preso nas teias das fidelidades republicanas e maçónicas, no activo, segue-se a queda de Gomes da Costa, demasiadamente impulsivo para seguir qualquer linha de coerência programática. Surge, em seguida, um tempo de pausa para que assentem os movimentos de apoio dessa amálgama, desde os monárquicos aos republicanos conservadores da União Liberal Republicana de Cunha Leal; desde certa maçonaria aos sidonistas; desde os que pensam na experiência de Primo de Rivera aos que sonham com o fascismo mussoliniano. Porque tudo ainda é mesmo possível: desde um regresso mais ou menos musculado à ordem republicana até à própria instauração de um novo regime. Por enquanto, apenas uma ditadura militar periclitante e muitos candidatos a magos das tecnocracias ministeriais.

  Governo anterior

Governo posterior  

 

Projecto CRiPE- Centro de Estudos em Relações Internacionais, Ciência Política e Estratégia. © José Adelino Maltez. Cópias autorizadas, desde que indicada a origem. Última revisão em: 31-03-2009