÷ Da esquerda

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Oposição

Na oposição estão fundamentalmente dois grupos. Um, dominado pela Maçonaria do Norte, gravitando em torno de Passos Manuel, vai começar a designar-se pelo grupo dos radicais.

Outro, dominado pela Maçonaria do Sul, dinamizado por Leonel Tavares Cabral (1790-1853), que vai começar a chamar-se como o grupo dos irracionais, contando com a adesão de José Bernardo da Rocha Loureiro.

As reuniões da oposição decorrem nas casas de Francisco António de Campos e de José Ferreira Pinto Basto.

A dinâmica do processo leva a sucessivas mudanças de campo. Saldanha que é o líder da oposição passa-se para a situação e trata de liderar um governo em aliança com os chamorros e os conservadores, pelo que surgiu uma dita oposição pura, ou oposição mercantil, onde se destacou Francisco António de Campos, que sustenta o governo de José Jorge Loureiro, com Luís Mouzinho de Albuquerque, Manuel António de Carvalho, Anselmo José Braamcamp, António César Vasconcelos Correia Vasconcelos Correia, (1797-1865), 1º visconde (desde 1855) e 1º conde (desde 1862) de Torres Novas.

Na Câmara dos Pares (restam 13 dos pares de 1826, dado que os outros haviam apoiado o miguelismo), eram da oposição os condes da Taipa e de Vila Real, Fronteira, Loulé, Lumiares e o visconde da Fonte Arcada. Trigoso estava tão longe do ministério como da oposição. Mas fora da Câmara, tudo se passava sob a influência maçónica.

Maçonaria do Norte

Afecta a Passos Manuel. Com Manuel António Coelho da Rocha, António Fernandes Coelho e Joaquim Pedro Celestino Soares.

Maçonaria do Sul

Liderada Saldanha, antes deste se aliar a chamorros e conservadores. Constituída uma barraca da carbonária em Angra do Heroísmo, que dura até Julho de 1833. Dominada por saldanhistas, inclui entre os seus membros António Jervis de Atouguia e Francisco Soares Caldeira.

Segue-se idêntica organização no Porto, com Jervis de Atouguia, António César Vasconcelos Correia, João Carlos de Saldanha, José Lúcio de Travassos Valdez e, talvez, Júlio Gomes da Silva Sanches.

Em 19 de Junho de 1835, Maçonaria do Sul adopta uma nova constituição, elegendo como grão-mestre Saldanha, acompanhado por José Liberato Freire de Carvalho, Francisco António de Campos e pelo conde de Lumiares.

Saldanha tinha dito em Agosto do ano anterior que se desligara de sociedades secretas, mas a relações com a maçonaria apenas seriam cortadas em 1837, depois da revolta dos marechais.

Carbonária

Em Janeiro de 1834 é criada uma barraca carbonária em Lisboa com Francisco Soares Caldeira, Júlio Gomes da Silva Sanches e Ricardo José Rodrigues França

Chamorros

Os principais apoiantes do situacionismo são os chamados chamorros, ou o partido dos amigos de D. Pedro, a quem os adversários chamam devoristas, ditadores e até partido dos brasileiros, dominado pelas principais figuras do Grande Oriente Lusitano.

As reuniões da maioria decorrem no segundo andar da Relação Eclesiástica onde se estabeleceu uma loja maçónica presidida por Silva Carvalho.

Nas primeiras eleições, identificados politicamente 43 apoiantes do partido ministerial contra 32 da oposição. Por identificar, 44 deputados, o grupo central dos indecisos. Há 143 cadeiras previstas, mas apenas 119 ocupadas.

Conservadores palmelistas

Vivem em aliança com o grupo dos palmelistas ou aristocratas, também dito conservadores.

Miguelistas

D. Miguel no exílio emite logo em 20 de Junho, a partir de Génova, um vigoroso protesto, dando por nula a capitulação de 26 de Maio, como qualifica a convenção de Évora-Monte.

O miguelistas do interior são pura e simplesmente objecto de caça, sendo inúmeros os assassinatos e os roubos: o vencedor punha-lhe o joelho no ventre e o punhal sobre a garganta. Caçavam-se como se caçam lobos, e cada ofensa anterior, cada crime, era punido com uma morte sem processo, os vencedores, supondo-se árbitros de uma soberania absoluta, retribuíam a cem por cento o que antes tinham recebido...De facto, não terminara a guerra: continuava sob a forma de caçada (Oliveira Martins).

Projecto CRiPE- Centro de Estudos em Relações Internacionais, Ciência Política e Estratégia. © José Adelino Maltez. Cópias autorizadas, desde que indicada a origem. Última revisão em: 03-05-2007