1852

O partido no poder, ainda formalmente progressista, passa a ser dominado pelos rodriguistas, onde começam a ser marcantes dos fontistas e donde derivará o nome de regeneração. Os antigos aliados de 1851, que se continuam a qualificar como partido progressista, alcunhando os situacionistas como partido do governo, são por estes alcunhados como radicais. Já a oposição cabralista prefere refugiar-se nas designações de cartistas e de conservadores.

Eleição nº 13 da Câmara dos Deputados (12 de Dezembro). Segundas eleições da Regeneração com nova vitória dos governamentais, ainda ditos progressistas, com os governamentais regeneradores aliados aos setembristas ordeiros. Nota-se, contudo, uma viragem para o centro-direita, dado que predominam os deputados governamentais, muitos ex-independentes que dispensam a colaboração dos rodriguistas com os radicais que ainda os apoiam.

●Há 35 deputados da oposição, dita de conservadores, marcados pelos cabralistas. Destacam-se António Correia Caldeira, António da Cunha Sotto Maior e António José de Ávila.

●A maior parte dos deputados são empregados do Estado e militares. Há 35 deputados da oposição para um total de 156 deputados (36 círculos eleitorais no continente, 4 nas ilhas e 7 no ultramar).

●Como diz o jornal A Revolução de Setembro, de 18 de Dezembro, a maioria da câmara passada era do partido progressista. A maioria da câmara de hoje é do partido do governo. Na câmara passada, a existência parlamentar do ministério dependia dos votos dos deputados progressistas. Hoje, qualquer que seja esse voto, o governo continuará decerto na gerência dos negócios públicos.

●Triunfa o programa de empregomania de Rodrigo que se frustrara em 1835. Perde o grupo de Leonel Tavares Cabral e do jornal O Patriota que chegam a apresentar uma lista num dos círculos de Lisboa, com Leonel, Alberto Carlos Cerqueira de Faria, Anselmo Braamcampo, Augusto Quintela Emauz e Passos José, não sendo eleito nenhum deles. Leonel demite-se da comissão central do partido em Dezembro.

Projecto CRiPE- Centro de Estudos em Relações Internacionais, Ciência Política e Estratégia. © José Adelino Maltez. Cópias autorizadas, desde que indicada a origem. Última revisão em: 03-05-2007