Governo nº 26 Sá da Bandeira (141 dias, desde 17 de Abril). Um gabinete de antigos dissidentes do governo de Loulé. Ministros Ávila e Fontes apoiam a fusão de históricos e regeneradores.

●Presidente, o chamado honrado Marquês acumula a guerra e a marinha, mas segundo texto coevo era uma sombra heróica, perdida na confusão dos acontecimentos. Silva Sanches no reino e na justiça. António José de Ávila na fazenda e nos estrangeiros. Carlos Bento da Silva nas obras públicas (até 4 de Setembro de 1865).

●Desencadeia-se um novo ciclo político, com a cisão dos históricos e a emergência de novos pequenos partidos. Como então chega a escrever-se, o partido regenerador morreu. Segue-se a morte do partido histórico. Com efeito, a partir do próprio governo surge uma proposta de aliança com os regeneradores, advogada tanto pelo grupo de Loulé e Silva Sanches, como pelos seguidores de António José de Ávila, que começam a divergir dos restantes históricos, logo em Fevereiro de 1862.

Saldanha regressa a Lisboa, vindo de Roma, sendo esperado e saudado por uma multidão de cerca de seis mil pessoas, com vivório, foguetório e bandas de música (4 de Julho).

 

 

Eleição nº 19 da Câmara dos Deputados (8 de Julho de 1865). Vencem os adeptos da fusão (74%), em torno da Comissão Eleitoral Progressista, defensora dos melhoramentos materiais. Uma união de históricos e regeneradores, defendida pelos ministros Silva Sanches e Ávila, com a oposição do chefe do governo. Os opositores da fusão têm 47 deputados (26%).

Melhoramentos materiais – Fala-se num partido dos melhoramentos materiais. Era... o modo grave de o partido histórico se sumir. Sombra evocada de um passado extinto, guiada por um fidalgo sonâmbulo (Loulé), querido de um rei excêntrico e misantropo, devia ter-se dissipado quando o rei morreu (Oliveira Martins)

 

Governo nº 27 de Joaquim António de Aguiar, desde 4 de Setembro, 853 dias. O chamado ministério Aguiar-Fontes. Gabinete da fusão de regeneradores e históricos. A procura da maioria suficiente, exigida por Sá da Bandeira, vai levar ao poder um governo de históricos e reformadores, marcado pela ideia do partido dos melhoramentos materiais. Lidera o mesmo o regenerador Joaquim António de Aguiar, o antigo mata frades que, durante o setembrismo, assume a liderança da ala ordeira. No novo gabinete vão coabitar homens como Loulé, Fontes e Barjona de Freitas, numa experiência inédita em Portugal. O governo é precedido por um acordo prévio entre Loulé e Aguiar. No dia 5 de Setembro, já recebia formal apoio do deputado José Dias Ferreira que falou em conciliação e tolerância política. A chamada unha branca do partido histórico converte-se ao situacionismo.

●Presidente acumula o reino (até 9 de Maio de 1866). Augusto César Barjona de Freitas na justiça. Fontes Pereira de Melo na fazenda. Isidoro Francisco Guimarães, visconde da Praia Grande de Macau na marinha. Conde de Torres Novas, António César Vasconcelos Correia, na guerra (até 11 de Novembro de 1865). José Joaquim Gomes de Castro, conde de Castro nas obras públicas (até 9 de Maio de 1866) e nos estrangeiros.

●Em 26 de Setembro: Isidoro Francisco Guimarães, visconde da Praia Grande de Macau, na pasta da guerra, por morte do conde de Torres Novas (será interino até 11 de Novembro de 1865 e efectivo até 22 de Novembro de 1865).

●Em 22 de Novembro: Salvador de Oliveira Pinto da França na guerra (até 20 de Abril de 1866, data da sua morte).

Fundiu-se tudo  –  E como tudo estava safado, mole, roto, podre, fundiu-se tudo (Oliveira Martins). Outra garra, branca como o hálito da locomotiva, novo ídolo do tempo, chamava à conservação política no seio da revolução económica, a gente “séria” de todos os lados, fusionada, abraçada num liberalismo prático sem doutrinas, num catolicismo também prático sem exageros, numa religião de sala, perfumada, afrancesada, burguesmente aristocrática, numa moral fácil, numa vida cómoda, já que de todo não podia ser regalada (Oliveira Martins).

1866

Remodelação – Em 23 de Abril: Isidoro Francisco Guimarães, visconde da Praia Grande de Macau, na guerra, por morte de Pinto da França (até 9 de Maio de 1866)

Caiu um anjo  –  Ele que é santo homem lá das serras, o anjo do fragmento paradisíaco do Portugal velho caiu. Caiu o anjo, e ficou simplesmente o homem, homem como quase todos os outros, e com mais algumas vantagens que o comum dos homens. Os miguelistas chamaram-lhe liberal e acérrimo. Respondeu: estou português do século XIX  no rumo em que o farol da civilização alumiava com mais clara luz. Disse que escolhia o seu humilde posto nas fileiras dos governamentais, porque é figadal inimigo da desordem, e convencido estava de que a ordem só podia mantê-la o poder executivo, e não só mantê-la, senão defendê-la para consolidar as posições, obtidas contra os cobiçosos delas. Reflexionou sisudamente, e fez escola. Seguiram-se-lhe discípulos convictíssimos, que ainda agora pugnam por todos os governos, e por amor da ordem que está no poder executivo (Camilo Castelo Branco, no romance A Queda de um Anjo)

Fusão regeneradora – Passa-se para uma fusão inteiramente regeneradora (9 de Maio). Martens Ferrão substitui Aguiar no reino. José Maria Casal Ribeiro substitui José Joaquim Gomes de Castro, o conde de Castro, nos estrangeiros e obras públicas. Fontes Pereira de Melo passa a acumular a guerra. Em 6 de Junho de 1866: Andrade Corvo nas obras públicas (até 4 de Janeiro de 1868). Casal Ribeiro mantém-se nos estrangeiros. Em 14 de Dezembro de 1866: Andrade Corvo substitui Casal Ribeiro nos estrangeiros (até 19 de Agosto de 1867).

 

Projecto CRiPE- Centro de Estudos em Relações Internacionais, Ciência Política e Estratégia. © José Adelino Maltez. Cópias autorizadas, desde que indicada a origem. Última revisão em: 03-05-2007