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 Para a direita ø

Regeneradores hintzáceos

 Domina a política de galopins e caciques. Hintze mobiliza Pimentel Pinto, Campos Henriques, António Teixeira de Sousa e Wenceslau de Lima. Dantas Baracho abandona os regeneradores.

Progressistas

Fazem acordo prévio com os regeneradores

Republicanos

Não há deputados eleitos.

Os militares

As forças militares transformam-se em sítio de recrutamento de fidelidades, contando-se os apoiantes da monarquia face às sucessivas adesões ao republicanismo. E os ministros da guerra são especialmente chamados a estabelecer planos de defesa do regime.

Pimentel Pinto, entre 26 de Junho de 1900 e entre 21 de Março e 19 de Maio de 1906 é o ministro regenerador da confiança de Hintze Ribeiro.

José Luciano conta com Sebastião Teles, entre 20 de Outubro de 1904 e 27 de Dezembro de 1905, que voltará a ocupar a pasta em mais três governos entre 4 de Fevereiro de 1908 e 14 de Maio de 1909 (de Ferreira do Amaral, Campos Henriques e dele próprio) Ministro progressista da guerra é também José Matias Nunes, primeiro, com José Luciano, de 27 de Dezembro de 1905 a 19 de Março de 1906, depois, com Veiga Beirão, entre 22 de Dezembro de 1909 e 26 de Junho de 1910.

João Franco tem a colaboração de Vasconcelos Porto (de 19 de Maio de 1906 a 4 de Fevereiro de 1908), enquanto António Teixeira de Sousa recorre a Raposo Botelho.

As forças militares fiéis à monarquia sofrem um rude golpe, quando na sequência do regicídio, o governo de Ferreira do Amaral afasta Vasconcelos Porto, ministro da guerra, e Aires de Ornelas, ministro da marinha.

Os governos que lhe seguem têm a ilusão de medir a fidelidade dos regimentos ao regime quando obrigam D. Manuel II a sucessivas visitas a regimentos. Outro erro básico dos governos posteriores a 1908 é a da substituição de Pimentel Pinto por Rafael Gorjão no comando militar de Lisboa.

É também ineficaz a perseguição movida a oficiais que se manifestam como republicanos, bem expressa no castigo que sofre o capitão Tomás Cabreira, por ter discursado num comício republicano.

As chefias militares, sofrendo de exagerada burocracia lidam com a revolução através de pormenorizados relatórios e de pesados planos, nem se quer se apercebendo das profundas infiltrações da Carbonária entre soldados e sargentos. Além disso, usam e abusam com sucessivas medidas de prevenção, num alarmismo que oculta o verdadeiro perigo.

Quando a revolução efectivamente rebenta, em Outubro de 1910, grande parte dos oficiais encontra-se na messe ou a dormir, sendo facilmente dominados por alguns soldados e por grupos de civis armados.

As insurreições

Seria uma ilusão dizermos que no período se regista apenas a amotinação naval de 8 e 13 de Abril de 1906, durante o governo de Hintze Ribeiro, dado que nessa década, os republicanos decidem profissionalizar a conspiração e apenas se aventuram na sublevação de Janeiro de 1908, que tem como consequência o regicídio, e no golpe de 5 de Outubro de 1910 que levou à queda do regime.

Significativa é também a greve académica, desencadeada a partir de Março de 1907, uma das principais sementeiras das elites que hão-de construir a república.

Com efeito, pode estabelecer-se algum paralelismo entre a queda da monarquia em 1910 e o 25 de Abril de 1974. Também aqui há a greve académica de Coimbra de 1969, bem como a acção conspirativa profissional dos comunistas, bastante semelhante ao modelo subversivo da Carbonária de Luz de Almeida e António Maria da Silva, aos mesmo tempo que o regime acaba por cair de podre. Até António Teixeira de Sousa sofre do mesmo mal de Marcelo Caetano, dado que aquele também chega a pôr tropas de prevenção para evitar um golpe das oposições monárquicas. Há, sobretudo, a mesma doença da literatura de justificação, dado que, a posteriori, os dois chefes de governo tentam libertar-se das acusações de traição que lhe foram movidas pelos antigos adversários.

A nova subversão

A grande novidade do período está na organização da Carbonária Portuguesa, liderada pelo bibliotecário municipal Artur Duarte Luz de Almeida, a partir de 1896, segundo o modelo italiano. Institui também a loja Montanha, em 1899. A primeira semente da Carbonária havia sido lançada, entre nós, pelo general napolitano Pepé, em 1822.

O grupo terá, aliás, mobilizado cerca de trinta mil primos, dois quais só cerca de 400 caem nas malhas da polícia, entre 1908 e 1910.

Com o governo de João Franco, a organização dá um salto mobilizador que lhe permite atingir cerca de 10 000 membros, com 8 000 em Lisboa e cerca de 2 000 na margem sul, ao mesmo tempo que admite a integração de anarquistas e promove a constituição de uma artilharia civil com várias oficinas dedicadas ao fabrico de bombas.

Em 1909, a organização apoiada pelo próprio grão-mestre do Grande Oriente Lusitano Unido, lança-se na catequetização de quartéis, nomeadamente pela difusão d’ A Cartilha do Cidadão. Diálogo entre o Médico Militar Ribeiro e o João Magala, da autoria de Luz de Almeida, tendo obtido apetecidos frutos de aliciamento.

Regeneradores liberais (Franquistas)

Ruptura formal entre Hintze e João Franco é de 1901. Há um deputado franquista eleito por Arganil. Fundado o Centro Regenerador-Liberal de Lisboa em 16 de Maio de 1903.

O bloco governamental em 1901 está dividido entre os hintzáceos e os francáceos, também ditos endireitas, tendo João Franco, Campos Henriques e José Novais apoiado os candidatos republicanos no Porto.

Na Câmara dos Deputados os franquistas quase andam de braço dado com Afonso Costa, numa altura em que são também eleitos alguns desalinhados como Mariano de Carvalho, Fuschini e Dias Ferreira.

Em 14 de Maio de 1901, João Franco, com 25 deputados regeneradores institui a dissidência dos regeneradores liberais. Franco, não tendo ido para o governo, chega a dizer: não me sabe o Poder dividido por dois. Proclama também: pois há-de o País ser eternamente ludíbrio de progressistas e regeneradores.

O homem, que personifica o protesto, não deixa de possuir, segundo as palavras de Bernardino Machado, um incontestável talento e grande poder de atracção. Segundo as observações de Raúl Brandão, como todos os impulsivos, tem, na sua grande força, a sua grande fraqueza e gastou uma energia desmedida para resolver ninharias. É então apoiado por figuras como Fernando Martins de Carvalho, republicano até 1901, António José Teixeira de Abreu (1865-1930), amigo pessoal de Afonso Costa, Reymão Nogueira, Paiva Couceiro, José Tavares, José Alberto dos Reis (1875-1955) e Alfredo da Silva (1871-1942). Segundo Raúl Brandão, a grande força de João Franco foi, na realidade de protesto... é um impulsivo: grande fraqueza e grande força. Procurava os obstáculos para os dominar e gastou uma energia desmedida a resolver ninharias.

Em 14 de Maio, no Correio da Noite, José Luciano avisa: há uma coisa que aos governos nunca deve esquecer, que a lição da história a cada instante repete: à revolução do alto pode muito bem suceder que responda a revolução de baixo.

É João Franco, na sua campanha para a fundação dos regeneradores liberais, que cunha a expressão rotativismo, utilizada em sentido pejorativo, para a qualificação de um acordo entre dois partidos, entendidos como clientelas de dois homens para ludibriarem o país, feita a partir da ditadura eleitoral de 1901.

Considera que apenas existe um parlamento falsificado, porque, em vez de um sistema representativo, vivemos num regime presidencial, dado que nenhum deputado representaria o corpo eleitoral, mas apenas o “placet” do presidente do conselho.

Num discurso pronunciado em 16 de Maio de 1903, por ocasião da inauguração do Centro Regenerador Liberal de Lisboa, defende a promulgação de uma lei eleitoral que garanta a possibilidade de representação de todas as vontades e interesses gerais ou locais, ainda que não tenham o beneplácito das clientelas partidárias; e a genuinidade e verdade dos actos e operações eleitorais. Isso se conseguirá com uma lei de pequenas circunscrições eleitorais, entregando as operações de recenseamento e acto eleitoral exclusivamente ao poder judicial e seus agentes

Em 12 de Fevereiro de 1901 dá-se a ruptura formal entre Hintze Ribeiro e João Franco. 25 deputados afectos a João Franco abandonam o partido regenerador em Maio de 1901. Forma-se o Centro Regenerador-Liberal em 16 de Maio de 1903. João Franco enfrenta Pinto dos Santos num duelo (1 de Junho).

 

Católicos

Criado o Centro Nacional Académico em 1901, por impulso de Francisco José de Sousa Gomesö. Em 1903 surge em Lisboa a Associação da Democracia Cristã. Segue-se a fundação do Círculo Católico Operário da mesma cidade em 1904.

O movimento organizacional dos católicos inspira-se no modelo alemão do Zentrum, criado em 1871, em luta contra Bismarck. Nesse mesmo ano decorre no Porto o I Congresso dos Escritores e Oradores Católicos, no Porto, entre 27 e 30 de Dezembro.

Sete anos depois, quando Leão XIII ascende ao pontificado, eis que em 23 de Novembro de 1878, o padre José Vitorino Pinto de Carvalho lança em A Palavra um Projecto de Programa para a Organização do Partido Católico, marcado pelo liberalismo católico, em nome da religião, pátria, rei e liberdade, modelo que recebeu fortes ataques dos legitimistas.

Em 1881 realiza-se em Lisboa o I Congresso Católico, no convento das Bernardas, onde se destaca a acção de Mendes Lajes, então presidente da Associação Protectora dos Operários de Lisboa, estimulando-se a apresentação de candidaturas eleitorais do grupo pelo Porto.

Em Junho de 1882, o II Congresso Católico já funda a União Católica Portuguesa e a Associação Católica de Lisboa que conta com o apoio dos miguelistas, incluindo-se até Zeferino Pinto Coelho na direcção.

Torna-se, então, importante a acção de propaganda do Padre Sena de Freitas que organiza núcleos em Faro, Portimão e Funchal. O periódico Progresso Católico de Guimarães passa até a qualificar-se como órgão da união católica.

Em 1884 surgem candidaturas de católicos no Porto e em Braga, mais uma vez com oposição dos miguelistas. É então que o conde de Samodães propôe a constituição de um partido conservador a nível político, mantendo-se a União Católica sem carácter partidário.

Cinco anos depois, o Congresso Católico do Porto.

Em Abril de 1891, o Congresso Católico em Braga, onde é lançado o Correio da Noite.

No ano seguinte já Leão XIII preconiza o compromisso dos católicos com a república, na carta Au Milieu des Sollicitudes, de 16 de Fevereiro de 1892.

Em Outubro de 1892 vários membros do clero de Braga manifestam-se publicamente no sentido do empenho público dos católicos e D. António Barroso, futuro bispo do Porto, chega mesmo a candidatar-se a deputado por Barcelos, em nome do Centro da União do Clero Bracarense.

Em 1893 funda-se o Correio Nacional aberto às teses leoninas, a que aderem Quirino de Jesus (1865-1935), Jerónimo Pimentel. Jacinto Cândido, Casal Ribeiro e Barros Gomes.

Segue-se em 1894 a criação do Centro Católico que concorre às eleições de 1895 no Porto e em Viana do Castelo.

Surge, entretanto, uma polémica entre os franciscanos, defensores da democracia cristã, representados pelo periódico A Voz de Santo António, editada pelo seminário de Montariol em Braga, que defendem a não partidarização do movimento social católico, e os jesuítas, representados pelo Novo Mensageiro do Coração de Jesus.

Em 1898 funda-se o Círculo Católico dos Operários do Porto e em 1901, o Centro Nacional Académico, em Coimbra

Partido Nacionalista

Em 3 de Julho de 1903, congresso do Partido Nacionalista em Viana do Castelo, onde se vota o programa. Na comissão central do novo agrupamento, próximo dos jesuítas, o conde de Samodães, o conde de Bertiandos e Jacinto Cândido da Silva. Leão XIII havia falecido em 20 de Junho.

 

 

Projecto CRiPE- Centro de Estudos em Relações Internacionais, Ciência Política e Estratégia. © José Adelino Maltez. Cópias autorizadas, desde que indicada a origem. Última revisão em: 03-05-2007