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Liga de Defesa da República (1927)●A chamada Liga de Paris, constituída no exílio em 12 de Março de 1927, depois de derrotado o golpe do reviralho de Fevereiro de 1927. A comissão directiva é constituída por Afonso Costa, Álvaro de Castro, José Domingues dos Santos, Jaime Cortesão e António Sérgio.●Há uma dissidência do núcleo central do PRP que, mantendo formalmente actividades em Portugal, sob a liderança de António Maria da Silva, chega a um entendimento com a Ditadura, através de Passos e Sousa, em Abril de 1927, tendo em vista a realização de eleições. União Liberal Republicana (1928)●A comissão executiva ainda se reúne em 18 de Janeiro de 1928, mobilizando Cunha Leal, Bissaia Barreto e Rocha Saraiva, optando concorrer às anunciadas eleições.Centro de Estudos Democráticos (1930)●Grupo republicano, com Armando Marques Guedes, Vitorino Nemésio, Joaquim de Carvalho, Hernâni Cidade, Newton de Macedo e José Ribeiro dos Santos, ainda tenta fazer a ponte com o grupo do 28 de Maio. Hernâni Cidade, em carta de 1974, dirigida a Marcello Caetano, salienta ter estado sempre alheado sempre da política do presidente Salazar, porque a achava demasiadamente aderente à razão de Estado para poder ser humana...Liga Liberal (1930)●Esboça-se a criação de um movimento da oposição, liderado pelo Engenheiro Perpétuo Cruz (1930). Budas e antibudas (1930-1931) ●Criado em Paris o Grupo de Buda, com os oposicionistas Moura Pinto, Jaime Morais e Jaime Cortesão (1931). Este grupo, depois da Revolta da Madeira, está activo em Espanha no ano de 1931, com o apoio de Jaime Baptista e Utra Machado. Vivem em rivalidade com os chamados antibudas, de José Domingues dos Santos, António Ribeiro de Carvalho, José da Conceição Mascarenhas, Agatão Lança e Vasco da Gama Fernandes. União dos Combatentes Republicanos (1932)●Ilegalização do PRP em Dezembro de 1930, com o encerramento do respectivo órgão oficial, O Rebate. ●Grande reunião da oposição no exílio em finais de Novembro de 1931, em casa de Bernardino Machado, procurando-se a unificação de todos os grupos. Participam Afonso Costa, Jaime Cortesão, Jaime Morais, José Domingues dos Santos e Cunha Leal. ●Criada uma União dos Combatentes Republicanos em 1932, com um Comité Supremo Político, dirigido por Bernardino Machado, Afonso Costa, José Domingues dos Santos e Francisco da Cunha Leal. ●Não se concretiza em 1932 uma frente única da oposição, da iniciativa de Francisco da Cunha Leal e de Catanho de Meneses, elementos não integrados na Aliança Republicana e Socialista. ●Regressam a Portugal vários republicanos exilados em França, como Bernardino Machado e Jaime Cortesão (28 de Junho 1940). São quase todos presos e depois deportados para o Brasil. A Bernardino Machado é fixada a residência a norte do Douro, instalando-se em Paredes de Coura. Maçonaria (1935) ●Em Março de 1930 o governo da Ditadura ainda autoriza a abertura da sede do GOL. Em 31 de Janeiro de 1931, o Grémio Lusitano chega mesmo a abrir as portas. Contudo, depois da Revolta da Madeira, são fechadas e seladas as portas da sede da ordem (19 de Maio de 1931). ●Deputado José Cabral, então director-geral dos serviços prisionais, monárquico e antigo nacional-sindicalista, propõe a extinção das sociedades secretas (19 de Janeiro de 1935), sendo aprovada a lei em 21 de Maio. ●Em defesa pública da maçonaria, destaque para o artigo de Fernando Pessoa, no Diário de Lisboa (4 de Fevereiro de 1935). O então grão-mestre do GOL, Norton de Matos também protesta, nomeadamente junto do presidente da Assembleia Nacional, José Alberto dos Reis, antigo maçon (31 de Janeiro). ●Se o Grande Oriente Lusitano mantém clandestinamente as actividades, o Grémio Luso-Escocês aceita submeter-se à determinação da lei Grande Oriente Lusitano (1937-1974) ●Morte de Afonso Costa, no exílio parisiense, no hotel onde residia, em 11 de Maio de 1937, pouco depois de ter sido indigitado para Grão-Mestre do Grande Oriente Lusitano. Oito dias depois morre também Maurício Costa, grão-mestre interino, sucedendo-lhe Filipe Ferreira, mas só até 12 de Junho. ●Nesta data, Luís Gonçalves Rebordão sucede-lhe como Grão-Mestre interino do GOL, auxiliado por José de Oliveira Ferreira Dinis, Ramon Novato la Feria, José da Costa Pina, Alfredo Mourão, José Roberto de Brito e José da Costa Veiga, a estrutura dirigente da Ordem durante o salazarismo. ●Vão manter a Liga Portuguesa dos Direitos do Homem, o Asilo de S. João e a Escola-Oficina nº 1, bem como a Associação dos Velhos Colonos, em Lourenço Marques. Mas em 1974 apenas restam quatro oficinas em pleno funcionamento. Instituto de Cultura Socialista (1930) ●Um Instituto de Cultura Socialista cria a revista Pensamento (1930). Aliança Republicana e Socialista (1931-1934) ●Fundada em 1931 e com alguma actividade até 1934, pretendendo assumir-se como uma espécie de resposta à institucionalização da União Nacional. Presidida por Norton de Matos, então Grão-Mestre da Maçonaria, conta com a participação de Tito de Morais e de Mendes Cabeçadas. Chega a solicitar uma audiência a Carmona, onde reivindica direitos de partido político. ●A aliança não mobiliza todos os reviralhistas, nomeadamente os grupos de Cunha Leal e os que, no exílio, giram em torno de Bernardino Machado, Afonso Costa e José Domingues dos Santos. MUNAF (1943)●O Movimento de Unidade Nacional Anti-Fascista, é uma organização clandestina presidida por Norton de Matos, surgida em Dezembro de 1943. ●Reúne o PRP, a SPIO, a União Socialista, o grupo da Seara Nova, a Maçonaria, anarco-sindicalistas oriundos da CGT, católicos oposicionistas, monárquicos e PCP. ●Em Janeiro de 1944 divulga o primeiro comunicado, dando a conhecer a sua composição. ●Na comissão executiva aparecem José Magalhães Godinho, Fernando Piteira Santos, Jacinto Simões, major Moreira de Campos, Alberto Rocha e Manuel Duarte. ●Defende-se a criação de um Governo Provisório de Unidade Nacional, com eleições livres para uma Assembleia Nacional Constituinte. ●Promete-se que o Conselho Nacional irá elaborar um Programa de Emergência. ●Em finais de 1944, o MUNAF cria o seu braço armado os GAC, Grupos Antifascistas de Combate. ●Decide também instituir-se um comité revolucionário secreto, com o general Norton de Matos, o almirante Mendes Cabeçadas, o coronel Tamagnini Barbosa e o tenente-coronel Lelo Portela. O reviralho passa para a fase da conspiração organizada União Democrática Portuguesa (1944)●Surge em 1944, com Mayer Garção, Carlos Sá Cardoso e Adão e Silva (1909-1993). Hão-de integrar a União Socialista (1945) Núcleo de Acção e Doutrinação Socialista (1942) ●Grupo de estudantes universitários surgido em Dezembro de 1942, visando a divulgação dos ideais do socialismo. Hão-de integrar-se, em 1944, na União Socialista. União Socialista (1944) ●Entre os fundadores: José Magalhães Godinho, Vitorino Magalhães Godinho, Afonso Costa Filho, Mário de Castro, Gustavo Soromenho, António Macedo (1906-1989), Mário Cal Brandão, Artur Santos Silva, Paulo Quintela, José Joaquim Teixeira Ribeiro e Fernandes Martins. Comissão Interfederal de Defesa dos Trabalhadores (1931) ●Em 31 de Maio de 1931 é criada a CIDT, por iniciativa da Câmara Sindical do Trabalho de Lisboa, com o que se pretendia restaurar a CGT, proibida desde 1927. Comissão Intersindical (1931) ●Contra este grupo anarco-sindicalista emerge em 2 de Setembro de 1931, um grupo ligado ao PCP, a Comissão Intersindical. Liga Portuguesa contra a Guerra e o Fascismo (1934) ●Criada em Agosto de 1934 pelos comunistas, sob a direcção de Bento de Jesus Caraça, na sequência da fundação de uma liga internacional com o mesmo nome criada em 1932 pela Internacional Comunista. ●Assume um carácter frentista, um programa de democracia popular e, a partir de 1935, tenta a criação em Portugal de uma Frente Popular. Frente Popular Portuguesa (1936) ●Aplicação do modelo preconizado por Dimitrov e assumido pelos comunistas portugueses. Apenas se concretiza em Agosto de 1936, graças ao dinamismo de Bento de Jesus Caraça ●O respectivo programa, de 1937, tem, como palavras de ordem, pão, paz, liberdade e cultura,.defendendo-se uma democracia popular e umaa economia cooperativa. ●Ainda considera as províncias ultramarinas, como parte integrante e inviolável da nação portuguesa. Um dos aderentes republicanos é José Domingues dos Santos. Partido Comunista (1921) ●Em 29 e 30 de Maio de 1926 decorre o II Congresso, precisamente no edifício da Rua António Maria Cardoso em Lisboa, onde ainda em 1974 funciona a sede da PIDE/DGS e que então é o Sindicato dos Caixeiros. ●Em 1928, Bento Gonçalves, do Sindicato do Arsenal da Marinha, entra para o partido e depois de uma visita à URSS, transforma-o numa organização revolucionária, segundo um sistema de células, apoiado por um barbeiro, antigo militante do PC do Brasil, Júlio César Leitão. ●Em 21 de Abril de 1929 já se assume como secretário-geral e desencadeia a luta clandestina. ●Em 15 de Fevereiro de 1931 surge o primeiro número do Avante!. ●Em 29 de Fevereiro de 1932 planeia jornada de luta contra a criação do imposto de desemprego, com brigadas de choque e lançamento de bombas, mas a acção falha face à acção da polícia. ●Em 1934 já Álvaro Cunhal é secretário das Juventudes Comunistas. ●Bento Gonçalves é preso em Novembro de 1935 quando regressa da URSS. ●Pavel, líder das Juventudes Comunistas, instala-se na URSS, como representante do PCP junto da Internacional Comunista (Março de 1934). Os comunistas organizam um Dia Mundial contra a Guerra e o fascismo, com uma manifestação onde é apedrejada a embaixada italiana, protestando contra a invasão da Abissínia. Um dos organizadores da manifestação, sob as ordens de Bento Gonçalves, é Francisco Ferreira, depois chamado Chico da CUF (1 de Agosto de 1935). ●Vaga de detenções de vários oposicionistas, principalmente membros do partido comunista. Entre detidos, Prisões do secretário-geral do PCP, Bento Gonçalves, José de Sousa e Júlio Fogaça. ●Nesse ano há duas delegações de comunistas que se deslocam à URSS: Bento Gonçalvesm Pavel e Manuel Roque Júnior, para o VII Congresso da Internacional Comunista. E Álvaro Cunhal, Florindo de Oliveira, Francisco Miguel, José Gregório, José de Sousa e Domingues dos Santos, para o VI Congresso da Internacional da Juventude Comunista. Em Novembro de 1935 são presos Bento Gonçalves, José de Sousa e Júlio Fogaça, os elementos que formam o secretariado do PCP. ●Em 25 de Julho, Bento Gonçalves havia participado no VII Congresso da Internacional Comunista. ●Nesse ano e também preso o dirigente comunista Manuel dos Santos, depois de er morto um polícia quando realiza um comício em Alcântara, Lisboa. ●Reorganização de Abril de 1936, com um comité central dominado por Álvaro Cunhal, com Alberto Araújo, Manuel Rodrigues da Silva e Pires Jorge. ●Álvaro Cunhal é preso de 20 de Julho de 1937 a 17 de Junho de 1938. ●Em Abril de 1936 é constituído um comité central do PCP, ao qual pertencem Alberto Araújo, Manuel Rodrigues da Silva, Álvaro Cunhal e Pires Jorge. ●Em Outubro de 1936, com Bento Gonçalves no Tarrafal, recompõe-se o secretariado do comité central, passando a ser constituído por José Gregório, Manuel Guedes, Pires Jorge e Álvaro Cunhal. O Avante começa a ser publicado semanalmente e terá atingido uma tiragem de 10 000 exemplares, logo em 1937. ●Pavel e Álvaro Cunhal regressam a Portugal, vindos da URSS, através de Marselha, por via marítima. Ambos passam a integrar o secretariado do PCP, tornando-se Pavel o principal dirigente da organização (Janeiro de 1937). Pavel é preso no apartamento que servia de sede ao partido. A polícia considera-o, então, o mais hábil e perigoso condutor de massas revolucionárias, depois de Bento Gonçalves e José de Sousa (10 de Janeiro de 1938). ●A Organização Revolucionária da Armada organiza a revolta do Afonso de Albuquerque e do Dão. Vaga de prisões e internamentos no Tarrafal. ●Pavel e António Gomes Pereira, do PCP, conseguem evadir-se da prisão do Aljube, em 23 de Maio de 1938, contando com a colaboração do enfermeiro da unidade. Pavel vai para Paris e em Abril de 1939 instala-se no México, onde assume nova identidade, nunca mais regressando à actividade política. Já professor universitário, chaga a visitar Portugal em 1976 e 1988. ●A Internacional Comunista, em 5 de Setembro de 1938, através de Dimitrov, decide suspender as relações com o PCP. A ordem é comunicada a Pavel que, entretanto, se encontra exilado em Paris. O partido tinha visto serem presos os principais quadros dirigentes e os que estão detidos eram acusados de colaboração com a PVDE. Desconfiava-se mesmo da própria fuga de Pavel do Aljube, em 23 de Maio, talvez uma encenação da própria polícia política. Pavel vai para Paris e em Abril de 1939 instala-se no México, onde assume nova identidade, auln Rodriguez, nunca mais regressando à actividade política. Já professor universitário, chega a visitar Portugal em 1976 e 1988. ●Em 1939 a Internacional Comunista corta as relações com o PCP e durante dois anos até é suspensa a publicação do Avante. ●Reorganização de 1940-1941, com reaparecimento do Avante!. Nessa altura, um grupo constituído por Vasco de Carvalho, Velez Grilo, expulso em 1935, e Cansado Gonçalves, expulso em 1935, mas readmitido em 1937 e novamente expulso em 1939, assume-se como a verdadeira direcção do partido. ●Álvaro Cunhal volta a ser preso de 30 de Maio a 16 de Novembro de 1940. ●Libertados vários dirigentes comunistas, como Álvaro Cunhal, Militão Ribeiro e Júlio Fogaça que começam a reorganizar o PCP (Novembro de 1940). ●Inicia-se, em Coimbra, o movimento neo-realista em torno da colecção de poesia O Novo Cancioneiro (Dezembro de 1940). ●Em 1941 dá-se a reorganização do PCP, sob o impulso de Álvaro Cunhal e o partido retoma ligações à Internacional Comunista (Janeiro). Depois da Internacional Comunista ter cortado as relações com o PCP em 1939 e de ter sido suspensa a publicação do Avante, o partido é reorganizado, pela acção do secretariado constituído por José Gregório, Militão Ribeiro e Álvaro Cunhal. Cria-se um corpo de revolucionários profissionais, os funcionários, e adopta-se o modelo conspirativo leninista. ●Contra este modelo, há uma dissidência participada por Velez Grilo, Cansado Gonçalves e Vasco Carvalho que se reclamam então como a verdadeira direcção do partido. ●Em Agosto de 1941 reaparece o jornal comunista Avante! ●Ofensiva da polícia política no Outono de 1942, com prisão de vários membros do Comité Central. Greves de 1942, 1943 e 1944. ●Outro desvio de direita é protagonizado pela Organização Comunista dos Presos do Tarrafal (OCPT), dirigida por Júlio Fogaça, Pedro Soares e João Rodrigues, defendendo uma chamada política de transição. ●III Congresso do partido em 1943. Cunhal, membro do comité central e do secretariado
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Confederação Académica da União Nacional/ União Nacional Republicana (1927) ●O primeiro esboço de movimento cívico de apoio à Ditadura Nacional, nascido como reacção ao golpe do reviralho de Fevereiro de 1927. A Confederação nasce de uma iniciativa de José Vicente de Freitas, inspirado pela União Patriótica de Primo de Rivera. No final do ano, José Vicente de Freitas, aponta para a institucionalização de uma União Nacional Republicana, a ser liderada por Manuel Rodrigues. Vicente de Freitas, nos começos de 1928, ainda se desloca a várias regiões do país, tendo em vista a institucionalização do movimento. Milícia Lusitana (1927) ●Movimento também surgido em Fevereiro de 1927, no sentido do apoio à Ditadura Nacional. Liga Nacional 28 de Maio (1930) ●Organização de apoio ao regime, formalmente criada em 13 Dezembro de 1930, sob a liderança de David Neto, dominada por ex-sidonistas que se haviam destacado como operacionais do 28 de Maio. Na sessão fundadora, ocorrida na Sociedade de Geografia de Lisboa, há um discurso de Martinho Nobre de Melo, antigo ministro de Sidónio Pais e Gomes da Costa e fundador da Cruzada Nuno Álvares, em 1918. Já se falava na organização em 1927 União Nacional ●Em 30 de Julho de 1930 é criada a União Nacional, por decreto do Conselho de Ministros, presidido por Domingos Oliveira. As bases orgânicas são aprovadas em 18 de Julho de 1931, por despacho do ministro Lopes Mateus. ●Em 3 de Janeiro de 1932, Bissaia Barreto, militante da União Liberal Republicana, decide aderir à União Nacional, enquanto Cunha Leal tenta criar uma Frente Única da Oposição. ●Os estatutos serão finalmente aprovados em 20 de Agosto de 1932, após o que tomam posse os corpos directivos (23 de Novembro). ●Em 12 de Novembro, é designada a comissão central e a junta consultiva da organização, onde o estado-maior do regime se confundia com o próprio partido único. ●Na presidência da comissão central, Oliveira Salazar. Acompanham-no, o vivaz Manuel Rodrigues, o maçon e antigo membro da União Liberal, Bissaia Barreto; o duro Lopes Mateus; o delfim Armindo Monteiro. ●Na junta consultiva, os militares Passos e Sousa e Linhares de Lima; o ideólogo João Amaral; os catedráticos de direito José Gabriel Pinto Coelho e José Alberto dos Reis; o jovem colaborador de Salazar, Marcello Caetano. ●Como presidente da comissão executiva, Carneiro Pacheco (1934-1936). Outros republicanos colaborantes são os ex-ministros democráticos Vasco Borges e Francisco Velhinho Correia; o ex-ministro unionista Vicente Ferreira; e o ex-ministro sidonista Alfredo Magalhães. ●Em 23 de Novembro, na sala do Conselho de Estado, tomam posse os corpos directivos. Salazar é explícito: temos uma doutrina, somos uma força... fora da União Nacional não reconhecemos partidos. Dentro dela, não admitimos grupos. ●Critica indirectamente os nacionais-sindicalistas, apela aos monárquicos e aos católicos. Mas considera que a União Nacional não é uma união de interesses, não é uma associação de influências, não é uma representação de forças eleitorais. ●De 26 a 28 de Maio de 1934 decorre o I Congresso da União Nacional na Sociedade de Geografia. Salazar: a economia liberal que nos deu o supercapitalismo, a concorrência desenfreada, a amoralidade económica, o trabalho mercadoria, o desemprego de milhões de homens, morreu já. Receio apenas que, em violenta reacção contra os seus excessos, vamos cair noutros que não seriam socialmente melhores. ●No encerramento do Congresso, em 28 de Maio, Lopes Mateus proclama: quem não é por Salazar é contra Salazar. Mais poeticamente, António Correia de Oliveira recita: auln Nostra: O Sereno Escultor/da Imagem Nova sobre a Velha Traça... ●Outros presidentes da comissão executiva são Nobre Guedes (1836-1838) e Albino dos Reis (1938-1945). ●Em Maio de 1944 chega o II Congresso da União Nacional. Discurso de Salazar A Preparação Nacional para o Pós Guerra. ●Seguem-se novos membros da comissão executiva: Mendes do Amaral (1945-1947) e Marcello Caetano (1947-1949). ●Em 4 de Março de 1947 Marcello Caetano toma posse como presidente da Comissão Executiva da União Nacional. Na altura, o regime está dividido entre os partidários da facção militar liderada por Santos Costa e os partidários da facção civil onde se destaca Marcello Caetano. Teotónio Pereira é embaixador no Brasil. Um dos pretextos gira em torno de Santos Costa que parece apostar na solução monárquica para o regime; outros acusam no de ter sido germanófilo durante a guerra ●De 22 a 24 de Novembro de 1951 surge o III Congresso da União Nacional em Coimbra. Marcello Caetano assume-se contra a restauração da monarquia, defendida por Soares da Fonseca. ●No discurso inaugural Salazar considera que a monarquia não pode ser, por si só, a garantia da estabilidade de um regime determinado senão quando é o lógico coroamento das demais instituições do Estado e se apresenta como uma solução tão natural e apta, que não é discutida na consciência geral. Comando de um só ●Em 23, Marcello Caetano assinala: o comando político apoiado no snetimento e na vontade da nação, cujos anseios profundos e legítimas aspirações interpreta, exprime e realiza, esse é que é a forma que o novo tipo de Estado solicita para poder corresponder à extensão e profundidade das tarefas que os homens dele esperam... A História está a gerar novos regimes de Governo por um só, diferentes das monarquias antigas cuja estrutura social obedeceu a condições de vida muito diferentes das actuais. ●No dia 24 Miranda Barbosa defende que a restauração monárquica seria o complemento da situação política. Da mesma opinião é o deputado Avelino de Sousa Campos. ●Marcello defende que Salazar deveria ascender à Presidência da República que permitiria que ele mesmo presidisse à sua substituição na chefia do Governo, e assim habituasse o País a ver na presidência do Conselho um homem vulgar, ainda que experiente, sabedor e devotado ao bem público. Diz que faz essa proposta desde 1947, contra a opinião de Salazar. ●Em 6 de Dezembro de 1958, nova Comissão executiva da União Nacional presidida por Castro Fernandes com Costa Brochado, António Pinto Mesquita e Henrique Tenreiro. ●Segue-se nova comissão presidida por Veiga de Macedo, onde apenas continua Costa Brochado. ●Volta, depois, Castro Fernandes, mas já sem Costa Brochado, lançado para a direcção do Centro de Estudos Políticos. ●Destaca-se nesse período a acção de Henrique Tenreiro, o principal organizador das manifestações de apoio ao regime que também controla o Diário da Manhã, o órgão de imprensa da organização. ●O movimento mudará de nome em Fevereiro de 1970, já sob a presidência de Marcello Caetano, passando a designar-se Acção Nacional Popular. ●Segundo relatos de Costa Brochado, a União Nacional praticamente não tinha filiações. Nem ele nem Castro Fernandes, por exemplo, nunca foram formais filiados na organização. ●Chega a observar que ela nunca consegue impor a doutrina que Salazar lhe impôs, como seu presidente. Pior ainda: ela nunca quis impor o Regime, porque os seus mentores e dirigentes eram sempre monárquicos restauracionistas, defensores do que chamávamos marcelismo, ou, então, simples testas-de-ferro da tal flor do mal do capitalismo, a que auln se referia... Acção Escolar de Vanguarda (1934)●Surge em 1934 o jornal Revolução Nacional, dirigido por Manuel Múrias, de acordo com Salazar. ●Rolão Preto e os que restam do nacional-sindicalismo entram em quase clandestinidade (1 de Março 1934). ●Organização dirigida pelo estudante Ernesto de Oliveira e Silva e por António Eça de Queiroz. Defesa da Ordem Nova e de um Estado Totalitário. No dia da fundação, há uma sessão no Teatro São Carlos de apresentação do movimento, promovida por João Ameal e Manuel Múrias. Preside Carmona. Centro Católico Português●Em Dezembro de 1931 há uma reunião de militantes do CCP, convocados por Lino Neto, a que comparece Mário de Figueiredo, mas não Oliveira Salazar, optando-se pelo não enffrentamento da União Nacional.Democratas-Cristãos (1932)●Circulam em torno do semanário é Nova, de 1932. Liderados pelo Padre Alves Correia. Católicos que não se integram na União Nacional ●Grupos de católicos que decidem não diluir-se na União Nacional, onde se destacam a Era Nova e o Grupo de Estudos Sociais do Porto, liderados pelo padre aul correia.●O primeiro começa a editar um semanário em 30 de Janeiro de 1932 e o segundo, dissidência do círculo católico de operários, dá a conhecer-se em 1929, quando editou um número único do jornal O Grito do Povo comemorando a Rerum Novarum●Em Dezembro de 1934, uma série de militantes do Centro Católico Português aparecem como deputados salazaristas, como Diogo Pacheco de Amorim, Pinheiro Torres, José Maria Braga da Cruz, Joaquim Diniz da Fonseca, Juvenal de Araújo, Mário de Figueiredo, António Sousa Gomes e o cónego Correia Pinto. António Lino Neto abandona a presidência do Centro Católico (Fevereiro de 1934). ●Salazar considera então o Centro como inconveniente e dispensável, porque é intromissão da política na religião levando a uma confusão indesejável da Igreja com um partido. ●Entram também como deputados os republicanos Vasco Borges e Camarate de Campos, bem como Henrique Galvão, Araújo Correia, o cónego Correia Pinto, Domitila de Carvalho, Maria Guardiola, Luís da Cunha Gonçalves, Alberto Pinheiro Torres, Ulisses Cortês, Mário de Figueiredo e Pedro Teotónio Pereira. Acção Católica Portuguesa (1933) ●Pio XI institucionaliza a Acção Católica Portuguesa, levando à dissolução na prática do Centro Católico, considerado a partir de então como mero órgão de defesa da Igreja no campo legal, embora distinto e separado da Acção Católica, conforme a nota oficiosa do episcopado de 16 de Novembro de 1933. ●Em Dezembro de 1937 começam as emissões da Rádio Renascença, a segunda estação radiofónica católica do mundo, depois da Rádio Vaticano. ●Em 1938, conflito entre Carneiro Pacheco e o Cardeal Cerejeira. O Ministro pretende integrar o Corpo Nacional de Escutas na Mocidade Portuguesa. ●O conflito só é superado em 1940, com a entrada de Marcello Caetano para Comissário Nacional da Mocidade Portuguesa. ●Organiza as Semanas Sociais Católicas em 1940, 1943. O Trabalhador, 1934-1948 ●Quinzenário dirigido pelo Padre Abel Varzim, nascido no dia 1 de Maio. Surge como quinzenário do operariado católico. ●Inspirado pelo Padre Abel Varzim o seu principal editorialista, a primeira série é editada até 20 de Dezembro de 1946. ●A segunda surge em 17 de Janeiro de 1948, até 3 de Julho desse mesmo ano quando é encerrado, sob a acusação de usar um estilo marxista. ●Em 1941 ainda defende o empenhamento dos católicos no corporativismo. Monárquicos ●Em Abril de 1930, a Junta Escolar do Integralismo Lusitano de Lisboa edita a revista Política, tendo como colaboradores Dutra Faria, Pinto de Lemos, Amaral Pyrrait e António Tinoco. ●A morte de D. Manuel II, no exílio inglês, em 1932, coincide com a ascensão de Salazar à chefia do governo e no primeiro conselho de ministros do mais longo gabinete da história portuguesa, o novo chefe decide promover funerais nacionais ao falecido. Assim enterra a monarquia em Portugal, dado que D. Manuel II poderia ser o seu principal opositor, principalmente se estivesse vivo no dia seguinte ao fim da II Guerra Mundial, onde toda a oposição democrática, com o eventual apoio dos Aliados, poderia desencadear uma restauração tanto da monarquia como da democracia. ●Protestam contra a criação da Fundação da Casa de Bragança, com José Vaz Pinto, Domingos Pinto Coelho, Luís de Almeida Braga e Simeão Pinto Mesquita a protestarem, contra a aliança que Salazar fez com Fernando Martins de Carvalho e Fernandes de Oliveira, representantes de D. Amélia de Bragança (Fevereiro de 1934). ●Em 1935, o monárquico Afonso Lopes Vieira lança em Éclogas de Agora, uma violenta diatribe contra o método geométrico, cercitivo e glaciar do salazarismo, considerado contrário ao parentesco dos portugueses. ●Em 22 de Outubro de 1937, carta de Paiva Couceiro a Salazar: cantam-se loas às glórias governativas e ninguém pode dizer o contrário. O Portugal legítimo do "senão, não" foi substituído por um Portugal artificial, espécie de títere, de que o Governo puxa os cordelinhos. Vela a Polícia e o lápis da censura. Incapacitados uns por esse regime de proibições, entretidos outros com a digestão que não lhes deixa atender ao que se passa, e jaz a Pátria portuguesa em estado de catalepsia colectiva. Está em perigo a integridade nacional. É isto que venho lembrar. ●Salazar publica nota oficiosa sobre Paiva Couceiro que, em Dezembro, é deportado para Espanha. ●É apreendido, à saída da tipografia, o livro de José Hipólito Raposo (1885-1953), Amar e Servir. História e Doutrina, editado no Porto pela Livraria Civilização. No prefácio, denuncia-se o regime de constrangimento que oprime a vida do espírito em Portugal, bem como a dissolução moral que diariamente vamos assistindo. Condenam-se os totalitarismos como o nazi e denuncia-se o arbítrio pessoal do salazarismo (Fevereiro de 1940). Sidonistas ●Fernando Pessoa em 1935 clama por uma Monarquia Nova a ser intermediada por uma República presidencialista que deveria ser uma República aristocrática, capaz de conciliar a oligarquia dos melhores com o Nacionalismo liberal, promovendo uma Teoria da República Aristocrática. Movimento Nacional Sindicalista ●Chefiado por Francisco Rolão Preto. Surge em 1932 e atinge o seu auge em 1933, sendo proibido em Agosto de 1934, antes de tentar um golpe de Estado em Setembro de 1935. Conhecido como o movimento das camisas azuis, constituindo a forma mais similar ao fascismo, ocorrida entre nós. ●Moncada, um aderente, reconhece que o movimento não passou de um epifenómeno de superfície como o da fosforescência de certas vagas no mar, marcado pelos ventos soprados da Itália e da Alemanha, com uma grande confusão de ideias e de sentimentos ●Em 15 de Fevereiro de 1932, surge o jornal Revolução, intitulado diário académico nacionalista da tarde que, a partir de 14 de Março, passa a ter Rolão Preto como director, transformando-se, a partir de Maio, no órgão do nacional-sindicalismo. ●Dominam-no jovens estudantes, quase todos provindos do integralismo e quase todos de direito. Entre os colaboradores, Amaral Pyrrait, António Lepierre Tinoco, Dutra Faria, António Pedro, Júlio de Castro Fernandes, Fernanda de Castro, Manuel Múrias, Garcia Domingues, João de Almeida, Barradas de Oliveira, Almada Negreiros, Augusto Ferreira Gomes, João Ameal, Teófilo Duarte, Eduardo Frias. Publicam vários textos e poemas de Fernando Pessoa. |
Projecto
CRiPE- Centro de Estudos em Relações Internacionais, Ciência Política e Estratégia.
© José Adelino
Maltez. Cópias autorizadas, desde que indicada a origem. Última revisão em:
03-05-2007