÷ Da esquerda

 Para a direita ø

Frente Socialista Popular

●Surge em 9 de Janeiro de 1975. Herdeira do Movimento Socialista Popular de Manuel Serra, integrada como grupo autónomo do PS, até Dezembro de 1974.

Liga de Unidade e Acção Revolucionária

●Fundada em Paris em 19 de Junho de 1967, aparecendo aos olhos do público sob a liderança de Palma Inácio, bastante celebrizado depois de ter liderado o assalto ao banco de Portugal na Figueira da Foz. Entre os principais aderentes, Camilo Mortágua e Fernando Pereira Marques, futuro deputado do PS.

MDP

●Próximo do Partido Comunista, circula o Movimento Democrático Português, fundado a partir das Comissões Democráticas Eleitorais, institucionalizadas por ocasião da campanha eleitoral de Outubro de 1969.

Partido Comunista

●Entre as organizações que emergem na rua nos primeiros dias de Abril, estam, em primeiro lugar, os movimentos já existentes na clandestinidade ou na semi-legalidade. O principal é o Partido Comunista Português que havia sido fundado em 6 de Março de 1921 que, apesar do escasso número de militantes, apareceram como a única organização política minimamente estruturada, através de uma longa e dura experiência de clandestinidade, norteada por um disciplinado esquema doutrinário, por um efectivo centralismo democrático e bem apoiada, política e financeiramente, pelo bloco socialista soviético.

●Tinha uma eficaz implantação nos formadores da opinião pública que aparecem na comunicação social e na vida literária; domina os principais movimentos estudantis; tinha um forte aparelho sindical, bem disseminado no sector dos serviços, na cintura industrial de Lisboa e nos meios rurais do Alentejo e do Ribatejo. Esta, sobretudo, fortemente infiltrado no aparelho militar, controlando muitos dos oficiais do MFA.

●O PCP é o elemento fulcral do processo revolucionário. Se até ao 28 de Setembro é simples influenciador do mesmo, em paridade com outros protagonistas nascentes; se, desde então e até aos acontecimentos de 11 de Março, passa a ser a força política predominante, logo se tornou no controlador revolucionário, de forma directa ou indirecta.

●Aliás, o referido processo revolucionário tem etapas bem distintas, onde, paulatinamente, são eliminados os anticorpos passíveis de impedirem o controlo do poder pelos comunistas.

●Com o 28 de Setembro, liquidam-se as resistências tanto de um poder político-militar que lhe é adverso (Spínola e os spinolistas) como dos nascentes partidos de direita, então em fase de germinação, que acabam por ser pura e simplesmente extintos.

●Só depois de controlados os militares e desfeitos os partidos políticos inconvenientes, importa a eliminação do poder económico, o que se consolidou com o dia seguinte ao 11 de Março.

●Mesmo durante o PREC, o PCP continuou a ser uma organização complexa e erram todos os que o caricaturizaram como um fossilizado estalinismo, sempre disposto a partir os dentes à reacção e a conquistar o poder do Estado. Durante esse período o partido foi obrigado a dar alguns passos em frente na subversão do aparelho de Estado, apenas para poder controlar o processo de decisão da descolonização e assim servir a estratégia soviética. E que essa aceleração lhe veio estragar os planos de fundo de conquista prévia da sociedade civil, onde foi obrigado a dar alguns passos atrás. Isto é, o revolucionarismo golpista fez com que episodicamente os mestres Gramsci e Althusser fossem postos na gaveta e deu origem a algumas pesadas heranças que durante décadas não foram digeridas pelo aparelho cunhalista.

Extrema-esquerda

●Nas bandas da extrema-esquerda ou da esquerda revolucionária, há um explodir borbulhante de pequenos grupos.

●Uns eram mais adeptos da acção directa, como o Partido Revolucionário do Proletariado, com Isabel do Carmo e Carlos Antunes, ligado às chamadas Brigadas Revolucionárias, e a Liga de Unidade e Acção Revolucionária

●Outros procuram o maoísmo, como o Movimento Reorganizativo do Partido do Proletariado, criticando o social-fascismo do PCP, e o Partido Comunista de Portugal (Marxista-Leninista), invocando o monaquismo de Mao

●Não faltam sequer os trotskystas da Liga Comunista Internacionalista.

●Mais moderados parecem ser a Frente Popular de Libertação, até então sedeada em Argel, com Manuel Alegre, e o Movimento da Esquerda Socialista (MES), ligado a antigos dirigentes dos movimentos estudantis de esquerda, onde aparecem pessoas como Jorge Sampaio, Eduardo Ferro Rodrigues, Augusto Mateus e César Oliveira.

MES

●Ainda sem este nome, o Movimento da Esquerda Socialista configura-se em Julho de 1970, a partir da acção dos Comités Operários de Base, tendo abandonado o plenário da CDE em Julho de 1973.

●Em finais de 1971, o grupo tem reuniões no seminário de Valadares, dos padres combonianos, onde desempenha importante papel de ligação o padre Soares Martins, sobrinho do bispo da Beira, D. Sebastião Garcia Resende, e autor de vários trabalhos anticolonias, sob o pseudónimo de José Capela.

●Anunciado com o nome de MES, em 10 de Maio de 1974, tem como formais fundadores Jorge Sampaio, César Oliveira, José Manuel Galvão Teles, João Cravinho, Joaquim Mestre e Vítor Wengorovius, Nuno Teotónio Pereira, João Martins Pereira, Manuel de Lucena, Nuno de Bragança, Eduardo Ferro Rodrigues, Augusto Mateus.

●Ligado ao movimento, funciona o CIDAC, a Comissão para a Independência das Antigas Colónias, dirigida por Luís Moita e Nuno Teotónio Pereira.

●O I Congresso, que decorre em 21 e 22 de Dezembro de 1974, aprova as bases programáticas e leva à cisão do chamado Grupo do Flórida, com Jorge Sampaio, João Cravinho e César Oliveira.

●Depois do 11 de Março de 1975, saem Luís Nunes de Almeida, João Bonifácio Serra e Eduarda Dionísio.

●Só depois abandonam o grupo Manuel Braga da Cruz, Jorge Strecht Ribeiro e Rui Namorado.

Comissões de Base Socialistas

●As Comissões de Base Socialistas, que se designam como da esquerda revolucionária, são constituídas em 24 de Maio de 1974, unindo militantes do PRP, da LCI e da URML que editam o jornal Lutar pelo Socialismo.

UDP

●A União Democrática Popular forma-se em 16 de Dezembro de 1974 a partir de três grupos marxistas-leninistas, o Comité de Apoio à Reconstrução do Partido Marxista-Leninista (CARP-ML), surgido depois de 1974, os Comités Comunistas Revolucionários Marxistas-Leninistas (CCR-ML), que se assumem como verdadeiros sucessores da FAP, e a URML.

●Tem o seu I Congresso em 9 de Março de 1975 e elege um deputado para a Assembleia Constituinte em 25 de Abril de 1975, Américo Duarte.

URML

●A Unidade Revolucionária Marxista Leninista, aparecida em 1971, depois de, nos primeiros dias de Abril, ter participado nalgumas associações a grupos trotskistas, acaba por fazer uma autocrítica e voltar à militância ml.

FAP

●A Frente de Acção Patriótica é uma dissidência do PCP criada em Janeiro de 1964 por Francisco Martins Rodrigues, depois de divergências na reunião do comité central de Agosto de 1963. Acompanham-no João Pulido Valente e Rui d’Espinay. Acusam o PCP de mero eleitoralismo.

CMLP

●Em Abril de 1964 surge a partir deste grupo um Comité Marxista-Leninista Português que passa editar o periódico Revolução Popular.

●Os principais dirigentes deste grupo serão presos em 1965, mantendo-se apenas um Comité do Exterior que organiza uma I Conferência em 1967.

O Comunista

●Em 1968, o que resta da direcção do CMLP vai dar origem ao jornal O Comunista, de que saem 14 números, mais próximo dos trotskistas, entre os quais está o grupo de Maria Albertina, animado então pelo ex-comunista e futuro deputado do PSD, Silva Marques.

Grito do Povo/OCMLP

●Depois da expulsão deste grupo, e sendo desmantelada a organização no interior, o remanescente concilia-se com os que circulam em torno do jornal O Grito do Povo, particularmente actuante no Norte, constituindo-se em 1972 a OCMLP, a Organização Marxista-Leninista Portuguesa.

●Criada em 1972, pela junção dos herdeiros do CMLP, reunindo os membros do jornal O Grito do Povo com os apoiantes de O Comunista. Dará origem, depois de 1974, à FEC, Frente Eleitoral dos Comunistas. Em Maio de 1976, integra-se no PCP (R), Partido Comunista Português (Reconstruído).

UCPRML

●Desta OCMLP vai destacar-se uma UCRPML, dirigida por José de Sousa, a União Comunista para a Reconstrução do Partido Marxista-Leninista.

CAC

●A OCMLP, quase destroçada em 1974, retoma a actividade depois do 25 de Abril integrando-se no chamado Comité Anti-Colonial.

FEC (ML)

●Contudo, nas eleições de 1975, destaca-se dos mesmos e retoma a autonomia, designando-se FEC ML (Frente Eleitoral de Comunistas Marxista-Leninista)

PCP (ml)

●Uma II Conferência, no interior, ocorre em 1969, já dominada pela acção de Vilar, o antigo estudante do Instituto Superior Técnico, Heduíno Gomes.

●Destes grupos vai surgir em 1970 um PCP (ML), Partido Comunista de Portugal (Marxista-Leninista). Tem como órgão Unidade Popular.

●Em Maio de 1974 Heduíno Gomes é expulso do partido, fundando outro, com o mesmo nome e editando um jornal, também com o mesmo título.

●Este partido, em 17 de Novembro de 1974, dá origem à Aliança Operário-Camponesa, proibida de concorrer às eleições de 1975.

●Enquanto os primeiros, ainda liderados por Francisco Martins Rodrigues, continuam a dizer que os principais inimigos do povo são os monopólios e o imperialismo norte-americano, já os segundos consideram como tais o social-fascismo de Cunhal e o social-imperialismo russo.

MRPP

●O chamado Movimento Reorganizativo do Partido do Proletariado é fundado em 18 de Setembro de 1970 por Arnaldo Matos, secretário-geral e futuro grande educador da classe operária. O grupo chega a dominar antes de 1974 a revista O Tempo e o Modo, com Amadeu Lopes Sabino, bem como o jornal Comércio do Funchal, dirigido por Vicente Jorge Silva. Um dos seus militantes, o estudante José Ribeiro dos Santos, é morto pela PIDE/DGS em 12 de Outubro de 1972. Assumem-se como marxistas-leninistas, estalinistas e maoístas, contra o revisionismo e o social-fascismo do PCP.

●Em 4 de Maio de 1974 já ocupam casas e impedem o embarque de soldados, lançando o grito nem mais um soldado para as colónias. Têm uma eficaz máquina de propaganda, principalmente em acções de pinchagem de paredes e através do jornal Luta Popular, cujo primeiro número legal sai em 23 de Maio de 1974, dirigido pelo futuro professor de direito fiscal, José Luís Saldanha Sanches. Este é preso logo em 7 de Junho de 1974, por incitar à deserção em massa e com armas dos soldados mobilizados para África.

●A sua activa organização estudantil, a Federação dos Estudantes Marxistas-Leninistas, chega a dominar a Faculdade de Direito de Lisboa, considerada a terceira região libertada do mundo, depois da China e da Albânia.

●Aí se destaca José Manuel Durão Barroso, futuro ministro do cavaquismo e, depois, presidente do PSD.

● Em Dezembro de 1976 transformam-se em Partido Comunista dos Trabalhadores Portugueses, sendo liderados pelo antigo assistente de direito e célebre advogado de causas laborais, Garcia Pereira.

PRP

●O Partido Revolucionário do Proletariado é uma dissidência da Frente Patriótica de Libertação Nacional, integrando as Brigadas Revolucionárias, fundadas em 1971. A partir de 31 de Maio de 1974 começam a publicar o jornal Revolução. Destacam-se como dirigentes Carlos Antunes e a médica Isabel do Carmo.

LCI

●A Liga Comunista Internacionalista considera-e como organização pertencente à IV Internacional, de cariz trotskysta.

Partido de Unidade Popular/PCP (R)

●Fundado em Dezembro de 1974, assume-se organização política de inspiração maoista, sendo originária da denominada facção Mendes do PCP (ML).

●Depois das eleições legislativas de 1975 retoma a designação inicial de CM-LP. Em 5 de Janeiro 1976, juntando-se à ORPC (M-L) e à OCMLP, dá origem ao PCP (R).

 

Partido Socialista

●A espinha dorsal do PS é constituída pelos marxistas dissidentes do PCP, desde os que vieram dos tempos do MUD, como Mário Soares a outros exilados, como os do grupo de Genebra, com António Barreto.

●O segundo grande núcleo provém dos republicanos históricos, afonsistas ou sergianos, como Henrique de Barros, Vasco da Gama Fernandes e Raúl Rego, quase todos eles próximos da maçonaria clássica do Grande Oriente Lusitano.

●O terceiro vector é o dos católicos dos anos sessenta, provindos da JUC e da JOC, que não começam pelo marxismo, mas pela doutrina social da Igreja Católica.

●Seguem-se alguns revolucionários das intentonas contra o regime, adeptos da acção directa, mas insusceptíveis de enquadramento pela disciplina subversiva dos comunistas, não faltando os exilados estacionados em Argel marcados por um esquerdismo intelectual quase libertário, como Lopes Cardoso e Manuel Alegre.

●Em 1974 o grupo ainda invoca como inspiração teórica predominante o marxismo, saudando a revolução soviética como marco fundamental na história da Humanidade, embora advogue uma via portuguesa para o socialismo, repudiando, nos sociais-democratas, o facto dos mesmos conservarem as estruturas do capitalismo e de servirem os interesses do imperialismo.

●E Soares, face aos comunistas, dirá sucessivamente que não é Marx nem Lenine que nos dividem, invocando a faceta estalinista do movimento cunhalista.

●Este partido, com os ventos de Abril, passa do restrito grupo de amigos de Mário Soares a um dos maiores partidos políticos do regime.

●Um partido que hibridamente procura misturar o método científico de Karl Marx, o sonho de Antero, a pedagogia de António Sérgio e o realismo criador de Mário Soares, como mais tarde sintetizará Manuel Alegre.

●No Congresso do PS dos dias 13 e 14 de Dezembro de 1974, na Aula Magna da Reitoria da Universidade de Lisboa, Mário Soares é eleito secretário-geral, mas na votação para a comissão nacional, a lista dos históricos apenas obtém mais 94 votos que a de Manuel Serra, que consegue 44%. Ambas as listas tinham Soares como cabeça. Rejeita-se a social-democracia e em vez de uma rosa adoçar um punho, o partido assume como símbolo o agressivo punho erguido, proposto por Manuel Serra.

Republicanos históricos

●Dos republicanos históricos, ligados à maçonaria clássica, resta a Acção Democrato Social que logo anunciou o fim da sua actuação, repartindo-se os seus membros pelo PS e pelo PPD, apesar dalguns deles tentarem a constituição de um frustrado Partido Social Democrata Português, criado em 15 de Julho de 1974.

●Invocam o humanismo racionalista de António Sérgio, Mário Azevedo Gomes e Jaime Cortesão, preconizando a realização do socialismo pela via democrática não marxista. Adelino da Palma Carlos é um dos dirigentes, mas abandona o grupo em 7 de Agosto seguinte.

●Outros nomes são Armando Adão e Silva (aderirá ao PS, entra na dissidência dos Reformadores e será, depois, Grão-mestre do grande Oriente Lusitano), Ângelo Almeida Ribeiro (será bastonário da Ordem dos Advogados e Provedor da Justiça), Norberto Lopes (decano dos jornalistas portugueses e antigo director de A Capital), António Valdemar e Paradela de Abreu, quase todos intimamente ligados a actividades maçónicas. Desaparece depois do 28 de Setembro de 1974.

Partido Popular Democrático

●Nos primeiros dias de Maio de 1974, três deputados da antiga ala liberal, Francisco Sá Carneiro, Pinto Balsemão e Magalhães Mota, anunciam a fundação de um Partido Popular Democrático, marcado por uma orientação social-democrata, conforme havia sido enunciada em 15 de Abril de 1971 pelo mesmo Sá Carneiro, numa entrevista concedida a um jovem jornalista do diário oposicionista República, Jaime Gama, onde o deputado do Porto declarou: amanhã se me pudesse enquadrar em qualquer partido, estou convencido de que, dentro dos quadros da Europa ocidental, comummente aceites iria para um partido social-democrata.

●Francisco Sá Carneiro, que viera do Porto para Lisboa em 26 de Abril, é entrevistado pela RTP, onde fala na criação de um partido político (27 de Abril).

●Em 5 de Maio, na sede do Expresso, na Rua Duque de Palmela, dão-se os últimos retoques no comunicado destinado a anunciar um novo partido, nova a ser emitida no telejornal da noite, mas que já não pode chamar-se social-democrata, como pretende Sá Carneiro. É o escritor Ruben Andersen Leitão que, passando ocasionalmente pelo jornal, sugere o nome Partido Popular Democrático.

●Este grupo inicial contou desde logo com a colaboração de um valioso grupo de jovens professores e assistentes das Faculdades de Direito. De Coimbra vieram Mota Pinto, Barbosa de Melo, Figueiredo Dias, Costa Andrade e Xavier de Bastos; entre os lisboetas, contam-se Sousa Franco, Rui Machete, Sérvulo Correia, Jorge Miranda e Marcelo Rebelo de Sousa. Na maioria eram docentes de direito político, mas não faltam penalistas, todos irmanados na defesa do rigor do Estado de Direito.

●Em quase todos eles, havia uma marca da militância católica e um certo consenso quanto a uma axiologia personalista, ao estilo da que é difundida pelos herdeiros de Emmanuel Mounier, quando a revista O Tempo e o Modo, fundada por Alçada Baptista ainda não degenerara em marxista e maoista.

●Imediatamente se junta ao grupo inicial um conjunto de republicanos históricos e de veneráveis maçons que não eram capazes de dar caução ao marxismo teórico em que se enreda o PS, como Nuno Rodrigues dos Santos, Artur da Cunha Leal, Olívio França e Emídio Guerreiro

●A social-democracia que servia de ponto de encontro a todos estes heterogéneos percursos pouco tinha a ver com o marxismo e os movimentos operários do século XIX. Resulta, sobretudo, do prestígio que então alcança o modelo do SPD que, depois de ter abandonado o programático marxismo em 1959, alcança um enorme prestígio na Europa, principalmente com o estilo de Helmut Schmidt.

●O I Congresso do PPD, com aprovação do programa e dos estatutos ocorre nos dias 24 e 25 de Novembro de 1974. Sá Carneiro como secretário-geral. Lista unitária para todos os órgãos, mas esboça-se a oposição do grupo de Jorge Sá Borges.

Movimento Social Democrata

●Dissidentes do PPD, saídos no Congresso de Dezembro de 1975, instituem em 8 de Fevereiro de 1976 um movimento liderado por Jorge Sá Borges.

Centro Democrático e Social

●No dia seguinte à constituição do primeiro governo de Vasco Gonçalves cria-se um novo partido, o Centro Democrático Social, três meses depois do PPD e quando já estam em actividade vários partidos de direita. O grupo inicial, marcado por Diogo Freitas do Amaral e Adelino Amaro da Costaö, procura assumir-se como um partido rigorosamente ao centro, um pouco à imagem e semelhança do paradigma de Giscard d'Estaing.

●Dizia-se entre o centro-esquerda e o centro-direita e invoca o humanismo personalista, com muitas coincidências com o equivalente francês de Jean Lecanuet.

●Optando por dialogar com o poder  revolucionário estabelecido, até pela circunstância de Freitas do Amaral ser membro do Conselho de Estado, sempre tenta reivindicar um lugar no Governo provisório.

●Ser do centro no final dos anos sessenta do século XX dependia do lugar em que parlamentarmente se estava. Ser de tal lugar na França de De Gaulle ou na Grã de Bretanha de Mac Millan não era o mesmo que ser do mesmo sítio no Portugal de Marcello Caetano. E ser do centro podia não ser o mesmo que dizer-se do centro.

●Como tal se dizia, na I República, tanto a direita republicana de Egas Moniz, herdeira dos evolucionistas, fundadora, em 1917, de um Partido Centrista Republicana, como os adeptos do catolicismo social, à maneira de António de Oliveira Salazar, que nesse mesmo ano integraram o Centro Católico Português. Os primeiros queriam situar-se entre o partido-sistema de então, o PRP de Afonso Costa, e todos os que se opunham à República. Os segundos estavam contra o politique d'abord de certos monárquicos, que, então, queriam derrubar o sistema, preferindo aceitar as regras do jogo e fazer oposição dentro do sistema.

●O centro durante o marcelismo já era o programa dos novos líderes do situacionismo, visando aliciar aqueles que com o regime não colaboravam, sendo particularmente assumido por José Guilherme de Melo e Castro e passando a emblema da ANP no Congresso de Tomar, onde se destacou Silva Pinto, futuro militante do PS.

●Os acontecimentos do 25 de Abril de 1974, se derrubaram um regime, vieram também pôr termo a um segundo ensaio de reformismo que Marcello Caetano procurava encetar. Depois de falhada a primeira ala liberal, com Francisco Sá Carneiro, Pinto Balsemão e Magalhães Mota, uma série de figuras que gravitavam em torno de Freitas do Amaral e estavam prestes a apostar numa segunda experiência de efectiva renovação na continuidade, que talvez viessem a gerar uma nova SEDES e uma inevitável remodelação governamental que desse novo fôlego a Marcello.

●O centrismo era então uma forma de apoiar do sistema em oposição aos chamados ultras que ameaçavam destacar-se do mesmo.

●Quando o jogo deste circunstancialismo foi lançado no rodopio dos primeiros tempos de Abril, julgou-se que em Portugal poderia iniciar-se uma caminhada democrática com organizações de esquerda e de direita, onde o novo hemiciclo reproduzisse todas as anteriores famílias políticas.

●Era, pois, natural que Sá Carneiro se declarasse, em coerência com a primeira ala reformista do marcelismo, como da esquerda democrática. Era inevitável que Freitas do Amaral e os companheiros da potencial segunda ala reformista do anterior situacionismo optassem por situar-se entre o centro-direita e o centro-esquerda. Pensavam que, depois de Abril, podia pensar-se como antes de Abril e nem sequer tiveram perfeita noção do que era uma efectiva revolução.

●A própria simbologia escolhida pelos dois grupos reflectia a funda opção de cada um. O PPD, entusiasmado pela experiência do PSD de Willy Brandt e Helmut Schmidt, optou pelas setas com que, com a resistência anti-nazi, se riscavam as suásticas. O CDS considerou-se a bola sob a pressão de uma seta vinda da esquerda e outra vinda da direita, mas rigorosamente limitada por um vigoroso quadrado.

Frente de Libertação dos Açores

●Tem a primeira manifestação pública em 6 de Junho de 1974. Destaca-se como líder da organização o antigo deputado da Acção Nacional Popular, José de Almeida, com fortes apoios da burguesia micaelense

Confederação da Indústria Portuguesa

●Um grupo de industriais liderados por António Vasco de Melo e José Manuel Morais Cabral constituem em 10 de Junho de 1974 a CIP.

●Na mesma linha, o Movimento Dinamizador Empresa-Sociedade, uma organização de banqueiros, como António Champalimaud, Mário Vinhas, José Manuel de Melo e Miguel Quina, criada em 22 de Agosto de 1974.

Partido Popular Monárquico

●Os monárquicos, de pergaminhos oposicionistas, não ligados à Causa Monárquica, constituem em 23 de Maio um Partido Popular Monárquico, com elementos afectos à lista da Comissão Eleitoral Monárquica de 1969, como Henrique Barrilaro Ruas, e outros que apareceram como candidatos pela CEUD, como Gonçalo Ribeiro Teles. Francisco Rolão Preto será presidente do Congresso.

Partido Cristão Social Democrata

Surge em 5 de Maio de 1974, fundado por António da Cunha Coutinho e Frei Bento Domingues.

Une-se, dias depois, a um Partido Democrático Popular Cristão de Nuno Calvet Magalhães.

Em 10 de Maio já há uma dissidência, donde deriva o Partido da Democracia Cristã.

Partido Social-Democrata Independente

Publica em 25 de Maio o seu primeiro manifesto, com Luís Arouca e José Ribeiro dos Santos.

Movimento Federalista

●Presidido por Fernando Pacheco de Amorim, surge em 6 de Maio de 1974. Tenta mobilizar apoio dos que pretendem a continuação da união de Portugal ao Ultramar, invocando a aplicação das teses do livro do general Spínola, Portugal e o Futuro.

●Entre os principais aderentes, José Miguel Júdice, Nuno Cardoso da Silva, Miguel Seabra, Luís de Oliveira Dias, José Valle de Figueiredo e José da Costa Deitado, vindos quase todos do movimento da cooperativa Cidadela.

●Depois do discurso do General Spínola de 27 de Junho reconhecendo o direito das colónias à independência, e alterando o primitivo programa do MFA de 25 de Abril de 1974, o grupo passa a designar-se Partido do Progresso, mudança anunciada em 19 de Julho.

●Vai ser dissolvido, na sequência do movimento de 28 de Setembro de 1974. Mas o nome por ele assumido, vai impedir que o CDS se assumisse como CDP- Centro Democracia e Progresso. Começa a emitir o jornal Tribuna Popular, dirigido por Miguel Seabra, em 24 de Julho.

Partido Liberal

●Criado em 28 de Maio de 1974 por dissidentes da Convergência Monárquica que não concordam com a criação do PPM e que junta militantes da Acção Católica.

Tempo Novo

O semanário Tempo Novo, surge em 16 de Agosto de 1974, sendo dirigido por José Hipólito Raposo e ligado a membros do Partido Liberal.

Frente Democrática Unida

●Constitui-se em 27 de Agosto de 1974, com o Partido do Progresso, o Partido Liberal e o Partido Trabalhista.

Bandarra

●O jornal Bandarra assume-se como porta-voz da Frente Democrática Unida. O número zero aparece em 14 de Setembro de 1974, tendo como director Miguel Freitas da Costa.

●Um dos mais destacados colaboradores do mesmo é Manuel Maria Múrias. Apoia a manifestação da maioria silenciosa, marcada para 28 de Setembro.

Movimento Popular Português

O Movimento Popular Português surge em 15 de Julho de 1974. Organização dinamizada pelo Círculo de Estudos Sociais Vector e pela revista Resistência, de António da Cruz Rodrigues, que publica o primeiro manifesto em 15 de Junho de 1974.

Tem ligação ao movimento dos católicos integristas, ligando-se aos jornais A Ordem, do Porto, dirigido por José Ruiz de Almeida Garrett, e Amigo da Verdade, da Guarda, dirigido por Francisco Inácio Pereira dos Santos. Desaparece depois do 28 de Setembro de 1974.

Movimento de Acção Portuguesa

Efémera tentativa de reorganização da direita fascista, com os Rodrigo Emílio, Goulart Nogueira, António José de Brito, Caetano Beirão, Armando Costa e Silva e José Rebordão Esteves Pinto, que há-de casar-se com Vera Lagoa e assumir a direcção de O Diabo, depois da morte desta. Desaparece depois do 28 de Setembro de 1974.

Partido Nacionalista Português

●Criado no Porto em 24 de Julho de 1974, ligado a militantes próximos dos ultras do regime anterior. Desaparece depois do 28 de Setembro de 1974.

Movimento Nacionalista

●Invocando o nacionalismo revolucionário e tendo como militantes mais destacados Nuno Rogeiro e Vítor Luís Rodrigues, destaca-se, entre 1976 e 1982, organizando, com Vera Lagoa, manifestações no dia 10 de Junho, até 1979. Tem ligações a outra organização, a Frente Nacional, de Guedes da Silva, surgida em 1977 e o Centro de Estudos Renovação, de Santos e Castro, Nuno Barbieri e José Valle de Figueiredo.

Projecto CRiPE- Centro de Estudos em Relações Internacionais, Ciência Política e Estratégia. © José Adelino Maltez. Cópias autorizadas, desde que indicada a origem. Última revisão em: 03-05-2007